Sexta-feira, 28.01.11

Alegro Pianissimo

Manuel Alegre - 2011

 

Este blog termina aqui.

A nossa razão continuará onde cada um de nós estiver.

Agradecidos a todos os que aqui passaram.

 

 

 

A Dom Sebastião

 

De Formião, filósofo elegante, vereis como Aníbal escarnecia, quando das artes bélicas, diante dele, com larga voz tratava e lia.

 

A disciplina militar prestante não se aprende, senhor, na fantasia, sonhando, imaginando ou estudando, senão vendo, tratando e pelejando.

 

Os Lusíadas Canto X – Estância 153

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Epílogo

Manuel Alegre

 

Durante toda a campanha o nosso candidato disse:

 

"Não se trata de eleger o Manuel Alegre.

 

Todos vós sois candidatos,

todos somos candidatos,

todos os que se reclamam dos valores do 25 de Abril,

todos os que querem a democracia com Estado Social".

 

 

E assim o entenderam a Ana Paula Fitas, o André Freire, o André Moz Caldas, o António Avelãs, o António MS Rodrigues, o Aurélio Pinto, o Carlos Manuel Castro, o Cipriano Justo, o Cláudio Carvalho, o Daniel Martins, o Elísio Estanque, o Fernando Gomes, a Helena Araújo, o Henrique Sousa, o Jacinto Lucas Pires, a Joana Lopes, o João Grazina, o João Miguel Almeida, o João Ricardo Vasconcelos, o Joaquim Paulo Nogueira, o Jorge Nascimento Fernandes, o José Castro Caldas, o José Leitão, o Luís Novaes Tito, o Miguel Cardina, a Nathalie Oliveira, o Nuno David, o Nuno Félix, o Nuno Serra, a Paula Cabeçadas, o Paulo Ferreira, o Paulo Peixoto, o Paulo Querido, o Pedro Cegonho, o Ricardo Alves, o Ricardo Siqueiros Coelho, o Rui Namorado, o Tiago Barbosa Ribeiro, o Ulisses Garrido, a Vera Santana e o Vítor de Sousa, que assumiram esta candidatura como sua e vieram à liça dando forma a uma outra máxima de Manuel Alegre:

 

"A História somos nós que a realizamos"

 

Nesta plataforma de onde saíram escritos feitos do Norte a Sul de Portugal, das Regiões Autónomas, de França e da Alemanha pouco interessou o que nos diferenciava, nada se valorizou o que nos afastava e tudo se concentrou na nossa candidatura em defesa dos valores acima mencionados.

 

 

Manuel Alegre em Belém teria sido a garantia da manutenção desses valores. Com ele dividimos a quota-parte de derrota por não termos atingido o objectivo da candidatura. Com ele dividimos a quota-parte de vitória por uma vez mais termos ido à luta em defesa daquilo que entendemos ser o melhor para Portugal. Agimos independentemente da sede de campanha, recusámos o Eles para sermos o Nós.

 

Esta plataforma, composta pelo Blog e por um Grupo de Discussão dos autores, foi administrada por Joana Lopes, Paulo Ferreira e por mim próprio, Luís Novaes Tito (owner). Teve ainda a colaboração externa de Pedro Pereira e André Coroado que, não tendo sido autores, nunca deixaram de nos apoiar nas redes sociais. Teve a colaboração de Rui Perdigão que criou e nos cedeu gratuitamente a imagem do Alegro e de António Sérgio Pessoa que desenhou e nos cedeu os Morfeu.

 

Teve a ajuda na sua divulgação, para além de muitos outros, do Pedro Correia no Delito de Opinião, do Miguel Abrantes no Câmara Corporativa, da Ariel no Cirandando, da MdSol no Branco no Branco, do Miguel Gomes Coelho no Vermelho Cor de Alface, do Elisário Figueiredo no Tonibler, do Porfírio Silva no Machina Speculatrix, do Tiago Tibúrcio no a Forma Justa, do Paulo Pedroso no Banco Corrido, do Rui Bebiano no a Terceira Noite, da Isabel no das Pequenas Coisas, do André Azevedo Alves no o Insurgente, do Francisco Clamote no Terra dos Espantos, da Isabel Prata no a Aba de Heisenberg, dos Osvaldo e Tiago Sarmento e Castro no a Carta a Garcia, do JL no Luminária e da IO no Amor e Outros Desastres, e de todos os blogs onde escrevem os autores, conforme se pode ver na coluna da direita.

 

Agradecimentos também aos 15.000 visitantes que nos acompanharam e à equipa técnica do SAPO que se manteve atenta (Maria João Nogueira e Pedro Neves).

 

Foi uma acção cívica empolgante. Foi uma honra e um prazer ter estado neste combate ao lado do nosso Manuel Alegre.

Luis Novaes Tito às 18:36 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quinta-feira, 27.01.11

Obrigado pelo vosso afecto e pelo vosso apoio

Alegro às 20:21 | link do post | comentar

E=MC^3....ao cubo precisamente!

Desculpem voltar atrás mas há coisas que me confundem.Ora então agora Manuel Alegre foi o único e exclusivo culpado do resultado de dia 23!?!

É uma das deduções mais brilhantes que pude admirar ao vivo nas ultimas décadas, pelos menos nas 3 ultimas!

Manuel Alegre obrigou e forçou toda a gente dentro do PS,qual ditador maléfico, impôs-se sem qualquer alternativa para ninguém subjugando todos os dirigentes e responsáveis nalguma masmorra ideológica recôndita e depois fez tudo mal, sozinho!Espantoso!

Soa-me a disparate demasiado conveniente e pouco convincente.Soa-me a uma ideia tão genialmente estúpida que se assemelha a uma conclusão de menino cábula que no quadro circula entre o 2+2=5 e o E=MC^3!!!

Quem no PS decidiu...decidiu.Quem se opôs..opôs.Nos lugares e foruns próprios.Quem calou...consentiu.É da vida,temos pena!

Quanto ao resto da fauna politica ou "comentadeira" que regurgitou barbaridades nos últimos dias, por favor...alguma honestidade intelectual por favor!

Então Manuel Alegre perdeu porque foi apoiado por dois partidos políticos com posições opostas?Se foi essa foi a razão da derrota de Manuel Alegre então Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio não teriam tido tantos mandatos cada...certo?Alegre obrigou sozinho um grande partido o seguir o seu ego e deixou-se instrumentalizar por um pequeno partido, de certeza?Manuel Alegre tem muita culpa do cartão amarelo ao PS devido ao contexto Governo/Crise?Qual foi mesmo o resultado das ultimas eleições europeias por exemplo, foi bom para o PS/Governo?

O apoio a Manuel Alegre foi assim tão consensual no BE? A forte abstenção deveu-se exclusivamente ou principalmente a Manuel Alegre? NÃO!

Se existiram muitos sorrisos amarelos pela Direita com a vitória (enfim,tinha que ser apesar do enfado!) de Cavaco Silva, também existiram sorrisos sentidos na Esquerda....embirro com uns e com outros, sorrisos de cobardes, parasitas ou canibais irritam-me.

 

"Friends, Romans, countrymen, lend me your ears; / I come to bury Caesar, not to praise him; / The evil that men do lives after them, / The good is oft interred with their bones."

 

 

Paulo Ferreira às 10:18 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Terça-feira, 25.01.11

Do medo e outras contas

Francisco SoleCá voltarei para fazer o meu post de despedida deste fantástico espaço que funcionou como base de emissão de opiniões e razões para votar Alegre.

 

Foi uma plataforma onde os autores convidaram outros autores e nunca se questionaram os nomes apresentados. Pouco se discutiram divergências entre autores, não que elas não existissem, mas porque se sabia que o importante consistia em levar Manuel Alegre à segunda volta e o disclaimer do rodapé informava que cada um dos autores é o único responsável pelos seus textos.

 

O objectivo comum era evitar que Cavaco pudesse fazer o rancoroso discurso de vitória, mas como os portugueses entenderam que ele o devia fazer, daqui lhe deixamos um aviso, caso continue apostado no ajuste de contas.

 

Não foram 5 contra 1, Sr. Presidente, foram dois milhões, duzentos e sessenta mil contra dois milhões, duzentos e trinta mil (números redondos).

 

Serão necessários muitos "Campos Pequenos" para nos castigar e toda esta gente não tem medo. Já antes não teve medo, quando combateu outros para que o Sr. candidato pudesse agora ter sido eleito Presidente da República.

Luis Novaes Tito às 19:05 | link do post | comentar | ver comentários (7)

o abstencionismo dos emigrantes

Para as eleições do Presidente da República os emigrantes podem votar, sendo obrigados ao voto presencial.

Se bem se lembram, há alguns anos fecharam uma série de consulados para poupar dinheiro.

Isso significa que há agora ainda mais portugueses obrigados a fazer centenas de quilómetros para poderem votar. Antes de vir morar para Berlim, no meu caso eram quase 600 km.

Da última vez que ouvi debater esta questão, exigia-se o voto presencial por medo das "chapeladas". Ora, esta situação é que é uma grave "chapelada" na Democracia!

 

Mas conseguimos fazer pior, como relata uma portuguesa residente em Munique:

 

"(...) não votei, se bem que tenha a atenuante de nem as pessoas do Cons ulado terem sido capazes de me explicar como é que isso funciona. Só faltou dizerem "ó menina, mas quer votar para quê, deixe-se lá dessas modernices".

(...) Aqui temos um consulado que "funciona" um dia por semana, que é visitado pelo cônsul um dia por mês (...) e estas coisas são processadas em Estugarda - é que nem me garantiram que podia votar aqui, parece que os novos recenseados têm que votar em Estugarda, que é bué longe... ponho-me mais depressa em Lisboa que em Estugarda."

 

E continua, com uma pergunta que nos deveria dar muito que pensar:

 

"E o mais inacreditável é que não há desculpa. Se os alemães podem votar por carta ou noutro local de voto, se os suecos podem votar por SMS, porque é que nós, que em tantas coisas estamos tão mais avançados (dois exemplos: sistema bancário (MB) e telecomunicações, em particular as móveis), porque é que nisto, tão simples e tão importante, não podemos avançar um bocadinho?"


Outro elemento que falha redondamente é a informação. Se os candidatos se dão ao trabalho de correr o país de Norte a Sul para "vender o seu peixe", porque é que ninguém se lembrou sequer de avisar os emigrantes de que havia eleições, e de informar sobre os candidatos e respectivo programa? Podem responder-me que é dever do eleitor informar-se - e é verdade. Mas parece-me que os emigrantes, pelo simples facto de viverem no estrangeiro, e de terem mais dificuldade em acompanhar no dia-a-dia o que se passa no seu país, mereciam um cuidado especial, em vez desta incrível indiferença. Ou então, assumam com frontalidade que os emigrantes são cidadãos portugueses de segunda classe, sem aptidão para participar nos actos eleitorais.

Helena Araújo às 16:44 | link do post | comentar

Último post

Como os meus companheiros Alegro também venho encerrar a minha colaboração. Ontem, logo que soaram as oito horas e soube que Cavaco Silva tinha sido eleito à primeira volta e que a abstenção teria provavelmente um novo recorde, desliguei tudo. Não era mau perder. Não sinto que tenha perdido. Ganhei, e foi bastante. Percebi que a utopia, enquanto palavra, enquanto conceito, não é passível de ser legitimada por modismos. É qualquer coisa visceral, que te diz a ti quem és, quem queres ser, onde queres estar, com quem queres estar. É uma coisa de sempre, para sempre.

 

É claro que estava zangado com alguns amigos, gente que passava no facebook, a dizer que se abstinha, que votava em branco. Apetecia-me praguejar contra eles. Seria um disparate. Eles tinham as suas razões e eu não só as compreendia como, no caso do voto em branco, até reconheço que não há nenhuma razão para que a ciência política eleitoral não arranje forma de evitar que eles, enquanto opção eleitoral expressa, aumentem o caudal dessa inexpressiva mancha que põe em causa a nossa democracia política.

 

Mas em consciência não podia invectivá-los. Nem mesmo os abstencionistas. Como é que podia invectivar mais de cinco milhões de portugueses? Desde há largos anos que a abstenção tem atingido níveis recordes e, para além da depuração dos cadernos eleitorais, vi fazer pouco mais. Os circulos eleitorais mais próximos dos eleitores, cairam. A regionalização, caiu. Até numa eleição como a presidencial em que cada um de nós elege só um português para representar dez milhões de portugueses, os Partidos assumem-se muitas vezes como os donos do jogo em relação aos candidatos, introduzindo uma componente de distanciação dos eleitores em relação aos mesmos. O Partido Comunista  apresenta sistematicamente uma candidatura própria, para marcar o seu espaço político. O Partido Socialista é já a segunda vez que apresenta um candidato próprio que concorreu contra um outro candidato que também era militante do seu partido. E poder-se-á perguntar: e então, não é legítimo? É. Cinco milhões de abstencionistas também é legítimo. Não estamos aqui a falar de legitimidade política. Estamos a falar da sobrevivência da democracia política tal como a conhecemos.

 

Ora uma das realidades mais presentes na vida contemporânea é a quebra do sistema de representação. A crise da representação. Que tem alguns aspectos positivos, na medida em que decorre da influência que o progresso social e tecnológico colocado tem na mudança de paradigmas da nossa cultura política (há um pequeno livrinho, Democracia Virtual, que tenta abordar esta questão) mas tem também aspectos muito perturbadores, porque no vaivém das novas procuras de identidade, e consequentemente, de representação, há vazios que surgem, como este, que assistimos anteontem, e para o qual só temos não respostas. Dizer que cinco milhões de portugueses não cumpriram o seu dever de portugueses é uma não resposta.

 

Até porque não se trata de uma eleição qualquer, não se trata de uma situação eleitoral comum. Para mim uma das coisas mais perturbantes da ideia de identidade nacional, de identidade de uma comunidade, é saber que mais de cinco milhões de pessoas não sairam de casa mesmo sabendo que era previsível que se não o fizessem, para representar dez milhões de portugueses, seria eleito um homem que declaradamente tirou grandes mais valias financeiras da sua associação a actos  (por parte de uma pessoa que, num outro contexto,  irá ser julgada  por ter praticado actos análogos a esses) semelhantes a outros que  foram enquadrados numa tipologia de  crimes económicos que tanto lesaram um Banco e cuja nacionaliação tanto lesou o país.

 

Para além da questão ideológica, esquerda, direita, esta é uma leitura que eu não consigo evitar. E que merece uma pergunta mai inquieta: que divórcio é este entre o representado e o processo de representação que faz que nem assim ele vá votar?

 

Não há perguntas de esquerda nem de direita, mas esta é claramente uma pergunta em que a resposta da Esquerda terá de fazer toda a diferença.

 

 

Joaquim Paulo Nogueira às 02:35 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Segunda-feira, 24.01.11

E depois do fim... ainda o espírito de Abril!

 

 

Pouco vale a pena acrescentar aos comentários públicos que têm sido feitos sobre os resultados da maratona eleitoral das Presidenciais 2011, para além do grande destaque e da grande reflexão que nos merece a inesquecível taxa de abstenção registada, na medida em que ultrapassou metade do eleitorado português... Porém, das causas desta memorável abstenção nunca é demais registar o afastamento dos cidadãos da prática eleitoral, designadamente pelo significado que reflecte sobre a actual forma de se fazer política. Na verdade, entre o que, há dias e a par do receio generalizado, registara (ler Aqui), antecipando o não-dito destes resultados eleitorais e atendendo, por outro lado, à consciência de que o empobrecimento arrastado pela crise económico-financeira dos mercados provoca sério desgaste ao regime político democrático (dada a ausência de uma evidente preocupação com a dimensão social da economia e da política), a abstenção de 53,3% num país que integra, de pleno direito, a União Europeia, denota a urgência de uma profunda reforma político-económica a que é preciso dar resposta... no nosso país e no espaço comunitário europeu! Podem os políticos e as instituições ignorar a realidade ou tratar de a minimizar mas, os factos são, no caso!, incontestáveis e, como tal, resta ao exercício democrático da cidadania exigir a sua consideração até que a agenda política reflicta o problema como prioritário.

... agora, no final deste Alegro Pianissimo, cabe-me ainda partilhar convosco o post que escrevi ontem ao fim da noite e que publiquei no A Nossa Candeia

"O discurso de Manuel Alegre foi um discurso feito de dignidade, coragem e humildade, próprio do melhor que podemos esperar de um autêntico democrata e de um antifascista... mas, Manuel Alegre não tem razão! Os resultados que hoje obteve não são culpa do Homem e do Político que é mas, isso sim, da dinâmica criada pelos partidos que o apoiaram... medo, receio e ressentimento não são os companheiros certos para a Firmeza e a Convicção de um Homem e menos ainda de um visionário e de um Poeta! Obrigado, Manuel Alegre! O espírito de Abril tem ainda em ti o sopro de vida de que o ar da sociedade portuguesa e europeia precisa!"

  

Ana Paula Fitas às 22:11 | link do post | comentar

A rosa e o compasso

Dai-nos de novo Astrolábio e o Quadrante

velas ao veto venha a partida

há sempre um Bojador perto e distante

nosso destino é navegar para diante

dobrar o Cabo dobrar a vida.

Dai-nos de novo a rosa e o compasso

a carta a bússola o roteiro a esfera

algures dentro de nós há outro espaço

lá onde se espera

o inesperado.

Manuel Alegre

Natali Oliveira às 21:57 | link do post | comentar

Les convictions ne sont JAMAIS tristes.

Mes chers amis Alegrissimi,

 

 

"En démocratie, perdre n'est aucunement une honte. La honte est de fuir un combat et de ne pas savoir pour quelles raisons on se bat."

Cette phrase extraite du discours de notre candidat, après l'annonce officiel des résultats, ne laisse planer aucun doute sur l'envergure de sa dignité d'homme engagé.

 

Cette défaite, il dit vouloir l'assumer, seul, parce qu'elle n'est pas la nôtre. Je pense, néanmoins que cette défaite est aussi la nôtre.

Certaines données doivent évidemment trouver leur place dans l'analyse politique et je me réjouis d'apprendre que le vote des Portugais de l'étranger indiquait plus clairement et plus franchement le chemin d'un second tour (sur 8 pays au moins des 14 en cause en Europe).

 

Ici, à l'extérieur, nous avons fait avec quelques miettes mais avec une détermination militante sans faille. Nous étions là, nous sommes là et nous serons encore là. Pour Manuel Alegre et pour le Portugal !

 

La participation demeure ridicule et il s'agit de réfléchir encore afin de faciliter une meilleure participation dont on parle depuis plus de 30 ans, par ailleurs. Certains s'en trouvent scandalisés mais, nous savons tous la complexité de faire vivre notre démocratie, de la rendre meilleure. Personnellement, je me suis souvent posée la question de la considération du Portugal pour ce tiers de population partie, immigrée ou portugaise édulcorée que le pays d'origine comme d'accueil connaît peu ou prou? Et parfois dans une réciprocité honnête. Ce lien si étrange, voire insondable avec la nation ? Nous ne sommes peut-être pas si éloignés de quelques éléments de réponses nouveaux et utiles pour l'avenir.

 

Contre les canons, marchons (Obrigada Luis) ! Ceux de cette dictature sans merci, puissante et sournoise,  qui scande "marche ou crève", devant lesquels les hommes sont soumis, celle des marchés financiers, des antichambres de notations obscures et de l'argent pour guide absolu.

 

La justice sociale n'est pas un slogan facile mais un objectif aussi ambitieux que possible. Manuel Alegre a raison.  

 

Sur ce blog, j'ai déjà dit que nos démocraties manquaient de voix comme celles de Manuel Alegre. Cette voix qui n'aurait jamais fait un discours tel que celui du Président réélu, loin loin loin d'être apaisé en opposant les infâmes aux justes, comme si le temps des croisades sonnait le glas à nouveau.

 

Les inquiétudes sur la stabilité politique que les Portugais désirent, avant toute chose, -ce qu'ils disent lorsqu'ils défendent leur vote pour Cavaco Silva- pourrait bien donner des ailes à son contraire. Seulement le peuple a parlé et nous respectons sa parole.  

 

Mes excuses les plus plates mais ma langue de Camões était en mode tristesse et celle de Molière a empiété sur cette tristesse aussi comprehensible que digne, pour dire haut et fort que nos convictions JAMAIS JAMAIS JAMAIS ne sont tristes !

 

Enchantée d'avoir fait votre connaissance !

Bien à vous,

Nathalie de Oliveira

 

Natali Oliveira às 19:34 | link do post | comentar | ver comentários (2)

É a chamada mudança na continuidade...

 

Cavaco foi reeleito com uma margem indiscutível. Mas algo mudou. Em primeiro lugar, a imagem que os portugueses têm do actual PR transformou-se. Ficaram evidentes as suas ligações pouco claras ao BPN/SLN. O mito do Cavaco ultra sério, ultra idóneo e ultra honesto desvaneceu-se.

 

Em segundo lugar, com o discurso agressivo que ontem fez, Cavaco mostrou que o estilo “presidente de todos os portugueses” parece ter terminado. Este novo Cavaco demonstrou estar pouco preocupado em parecer magnânimo e conciliador.

(Imagem: Presidência da República

João Ricardo Vasconcelos às 14:22 | link do post | comentar

Um homem perigoso!

Não vou comentar os resultados das eleições. Apenas pedir para observarem o número de votos brancos e nulos e a percentagem da abstenção.

 

Vou apenas referir que dos discursos de Cavaco Silva só se pode concluir uma coisa - temos razão:

 

  • Um homem ressabiado
  • Um homem que não sabe viver em democracia
  • Um homem mal-educado que nem sabe que no combate político é preciso aceitar a discussão das ideias
  • Um homem que não sabe que não pode estar acima da lei
  • Um homem que apareceu com desejo de vingança
  • Em suma, UM HOMEM PERIGOSO!

Daqui para a frente, Cavaco vai ter que viver com a realidade. Já não pode dizer que a sua honestidade está acima de todas as dúvidas. Já não pode apregoar-se da tolerância. Já não pode pensar que as pessoas esqueceram o que fez enquanto 1º Ministro.

 

Daqui para a frente ainda é preciso estarmos mais atentos!

 

Paula Cabeçadas às 14:14 | link do post | comentar

O voto branqueado.

Estive num jantar com amigos com a televisão pelas costas, porque me bastava saber se havia ou não segunda volta. O detalhe do que aconteceu vi depois no bom artigo de Henrique Sousa. Eles revelaram a triste realidade que constatei no jantar. Ao meu lado estava um amigo, um tradicional votante de esquerda, uma pessoa esclarecida. Votou em branco... Tive que abrir o Alegro para lhe mostrar com o quadro que fiz para este post, o logro em que caiu. Confessou-me que num jantar onde esteve discutiram a questão e a conclusão era que votariam em branco. Verifico agora que houve mais 175 363 brancos e nulos do que em 2006. Contribuiu assim com a falta de informação que assumiu, para a vergonha que é voltarmos a ter esta máscara de cera na presidência por mais cinco anos. Quando fiz aquele quadro em Excel foi por sentir que havia gente baralhada pela confusão que por aí foi lançada com e-mails fraudulentos e que nunca vi desmontados pela Comunicação Social. O próprio esclarecimento da CNE foi insípido e deixou quase tudo na mesma. Cavaco clama vitória com menos meio milhão de portugueses a apoiá-lo do que em 2006, porque houve portugueses que se enganaram, outros que foram enganados e outros que gostaram de ser enganados. Tenho pena que não sejam chamados a pagar a factura apenas os que gostaram de ser enganados, mas lamento que o meu país seja ainda a triste realidade escancarada nas declarações acéfalas de tantos e calculistas de alguns. Chego á conclusão que faço parte de uma elite da qual também fazem parte os brancos e nulos. E quer se queira, quer não, terão que ser as elites a perguntar o que é que leva um país a ter um presidente eleito apenas com 23% dos seus eleitores. Éramos quase 10 milhões de inscritos e pouco mais de 2 milhões impuseram-nos este homem por cujo perfil se babam. Fica um novo quadro que nos mostra que não é democrático não levar em conta a opinião de quem não tem lá um candidato que lhe sirva, porque isso, também é uma opinião.

 

 

 

 

Publicado também no ARROIOS

 

 

João Grazina às 12:56 | link do post | comentar

Rescaldo

...

 

Não vou citar percentagens. Não contabilizarei vencedores ou vencidos porque está quase tudo dito.

 

Às 20 h de ontem, o meu primeiro sentimento foi uma enorme compaixão por todos nós, o povo deste país, como se uma fatalidade continuasse a perseguir-nos e a castigar-nos por malfeitorias de que não somos responsáveis. Demasiado trágico e também falso: cinco anos não são uma eternidade e fomos nós que decidimos o que se passou.

 

Confirmados os péssimos resultados de Alegre, um outro sentimento igualmente incorrecto - «fiz o que pude e a mais não sou obrigada» - ou, em bom vernáculo, «que se lixem!».

 

E, no entanto:

 

- Se ainda fossem necessárias provas, o desfecho desta campanha veio confirmar o estado calamitoso a que chegámos, bem reflectido na gigantesca abstenção, no número significativo de brancos e de nulos, no peso do voto de protesto (difícil de identificar mas mais do que real) e na escolha de alguém que ficou simbólica e definitivamente retratado em dois vergonhosos «discursos de vitória».

 

- 23 de Janeiro de 2011 só pode ser um estímulo e uma porta escancarada para uma nova fase de luta, agora mais a sério e com carácter de urgência. É hoje – e não amanhã, muito menos daqui a cinco anos – que o descontentamento e a tristeza estão à espera de ser capitalizados. Para sairmos da crise que atravessamos sem servilismos ou espírito de martírio, para que não sejam permitidos silêncios quando há muitas explicações por dar, para impormos que os inquilinos de Belém e de S. Bento nos respeitem. Pura e simplesmente, porque queremos viver num país decente.

 

(Publicado também aqui.)

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Joana Lopes às 12:18 | link do post | comentar

tristeza

Sonhei para Portugal um presidente capaz de acreditar no melhor do seu país, com visão para apontar um rumo muito para além dos interesses partidários e do ruído dos dias, e com a grandeza de saber reconciliar um povo consigo próprio.

O povo escolheu, e os discursos - o de Cavaco na hora da vitória e o de Alegre na hora da derrota - marcam iniludivelmente a diferença entre o que Portugal vai ter nos próximos cinco anos e o que poderia ter tido.

Meu país, que desconsolo.

Helena Araújo às 07:41 | link do post | comentar

Perder eleições não quer dizer perder convicções

Ouvi há pouco o discurso do meu candidato derrotado. Orgulho-me de ter apoiado incondicionalmente Manuel Alegre; por tudo o que ele fez toda a sua vida por Portugal, pela sua frontalidade e conduta de homem livre e pelo seu discurso de hoje. Enquanto ele tiver força para lutar espero ter forças para o apoiar!

 

O meu raio de acção limita-se à França mais particularmente a Paris, onde resido vai para quarenta e seis anos. Em 2006, apoiei espontaneamente com os meu amigos políticos, Manuel Alegre enquanto candidato independente, o resultado foi positivo.

Desta feita a seu convite fui Mandatário. Com muitos dos mesmos amigos e outros de outros partidos, fizemos o melhor que podemos para obter os melhores resultados possíveis, creio que conseguimos.

 

Num contexto Nacional onde o exemplo de não votar é flagrante, os residentes de França só votaram a 3,45% dos inscritos; é uma lástima enraizada há várias décadas e até à data pouco tem sido feito pelos diferentes Governos ou partidos para ajudar os que tentam mudar a situação.

No entanto, se em todo o Mundo se votasse como em França, Manuel Alegre estaria numa segunda volta com 37,71% dos votos e uma possibilidade de concretizar um total superior a 54% ao final. Em Bordéus (52,88%) e Nantes (52,38), teria ganho mesmo na primeira volta.

 

Há muito a fazer em Portugal para convencer os portugueses que participar na vida cívica é mais do que um direito...

 

Mas “o povo é quem mais ordena”, mesmo quando é menos de metade a votar, é ele quem mais ordena. Quando o povo compreender o significado desta tão cantada frase, talvez o destino do nosso país tome outro rumo.

Mas por enquanto é assim, o povo, globalmente, voltou a eleger para Presidente da República o Pr. Cavaco Silva. Está de parabéns, pois conseguiu convencê-lo. Resta-lhe agora ser o Homem que diz que é, fazer o que diz que faz, sem esquecer que mesmo os que não votaram este ano talvez um dia votem!

Lastimo porém a soberba da frase pronunciada no seu discurso quando fala da vitória da “dignidade contra a infâmia”. A dignidade não convive com frases destas!

Aurélio Pinto: Secretário Coordenador da Secção de Paris do PS português

                       Mandatário de Manuel Alegre em França.

 

Aurelio Pinto às 01:07 | link do post | comentar

As verdades e ilusões de Cavaco, novamente presidente

"Ouvi há pouco Cavaco afirmar que tinha vencido a verdade. A verdade de Cavaco é o silêncio. No discurso de vitória, não só atacou todos os que ousaram escrutiná-lo, como se escusou a responder a qualquer questão que lhe fosse dirigida pelos jornalistas. Nesta campanha, Cavaco foi desmascarado na sua suposta imaculada existência. Hoje é claro que fez dinheiro à custa de amigos pelintras. Mas achou que estava acima da obrigação de esclarecer o que tinha - e tem - de ser esclarecido. Cavaco nunca perdeu os tiques de pequeno ditador.

Cavaco afirmou hoje, magnânimo, que nunca vendeu ilusões. Só quem prefere esquecer os 10 anos de governo cavaquista pode deixar de recordar o discurso do 'pelotão da frente'. Dia sim dia não, o então primeiro-ministro dizia-nos que no espaço de uma década estaríamos entre os países mais desenvolvidos da UE. Isto num país pobre e sub-qualificado (e sê-lo-ia hoje ainda mais, se mantivéssemos as opções de educação do seu reinado), dominado por grupos económicos parasitários que cresceram à custa de privatizações a preço de saldo e das auto-estradas cavaquistas. O demagogo de todas as horas não perdeu o jeito.

Depois de um mandato marcado por aquelas relevantíssimas e esclarecedoras intervenções relacionadas com o Estatuto dos Açores, as escutas a Belém e o casamento homossexual, o homem continua a tentar convencer-nos que é um grande estadista. E já poucos duvidam que ele acredita no que diz. Estranho é que não seja o único.
O país não ficará mais arruinado com esta eleição, é certo. Mas este homem só deixa sossegado quem precisa muito de acreditar em qualquer figura plástica que lhes apareça no ecrán."
    
(Ricardo Paes Mamede, Ladrões de Bicicletas)
Nuno Serra às 00:46 | link do post | comentar
Domingo, 23.01.11

Até amanhã, camaradas

Não há muito mais a dizer, a não ser felicitar democraticamente o candidato vencedor e a antever uma luta de esquerdas no campo sócio-político para breve. Por isso, deixo apenas um até amanhã e um abraço... justo e fraterno, é claro!

Cláudio Carvalho às 23:13 | link do post | comentar

Coisa nunca vista em noite de eleições: o discurso ressabiado de uma vitória (quase) de Pirro

Ouvimos Cavaco Silva nos seus discursos de vitória no CCB, para a Imprensa e para uma escassa centena e meia de apoiantes, e quase não acreditámos no que ouvimos.

 

Um discurso ressabiado e vingativo, coisa nunca vista em noite eleitoral, a ajustar contas com todos os outros cinco candidatos, acusados de terem descido como nunca à “vil baixeza” de uma campanha feita de “ataques” e “calúnias” à sua pessoa - ele,  o candidato da “dignidade” que venceu -, e desafiando a comunicação social a revelar os que estariam por detrás da montagem dessa operação de calúnias.

 

Nem sequer esqueceu a demagogia barata,  já usada na campanha, de se afirmar como o primeiro candidato a vencer umas eleições sem usar cartazes. Mas claro que se “esqueceu” de explicar aos portugueses por que foi  a sua campanha a mais cara, comparativamente com as  dos restantes candidatos.

 

Ou seja, Cavaco Silva atirou a pedra e mostrou a mão quando os outros candidatos já não se podiam sequer defender, feitos os discursos finais para as televisões e encerrados os seus “tempos de antena”. Isto depois de ter passado toda a campanha a recusar esclarecer como devia,  por razões reforçadas sendo candidato a um cargo político unipessoal, os factos indiciadores das suas ligações perigosas.

 

Que diferença da dignidade manifestada no discurso de Manuel Alegre em que este assumiu a sua derrota política, mas também com clareza o seu compromisso combatente pelo Estado Social!

 

Fica um mistério para desvendar nos próximos tempos: como é que um candidato assim, com um tamanho azedume no discurso da sua eleição, pode pretender assumir-se como o Presidente de “todos os portugueses” e da “estabilidade”, como referiu nas banalidades do costume com que completou o discurso.

 

Mas a má disposição de Cavaco Silva, a falta de grandeza e dignidade no seu discurso aos portugueses, o azedume vingativo no tratamento dos adversários e a falta de entusiasmo dos apoiantes, têm certamente uma explicação visível nos resultados eleitorais e na circunstância política da sua eleição:

 

- Cavaco Silva e a direita não alcançaram uma vitória com a dimensão a que aspiravam para os seus projectos de conquista da governação, ganhando com 53% dos votos (50,5% em 2006), mas com menos cerca de 543 000 votos que em 2006.

 

- Pior do que isso, a abstenção foi a grande vencedora da noite (53,4%), batendo o recorde em todas as eleições presidenciais, ultrapassando mesmo os 50% da eleição de Jorge Sampaio em 2001. Ou seja, o número de portugueses que elegeram Cavaco Silva (cerca de 2 243 000) representa apenas 23% dos eleitores, menos de um quarto, e o numero total de votantes nesta eleição (mesmo incluindo os 277 000 votos brancos e nulos, que não são considerados votos expressos) representa apenas 46,6% dos eleitores.

 

- A campanha eleitoral apeou Cavaco Silva do pedestal em que sempre se colocou, acima dos comuns mortais (a narrativa do “filho do povo” serve-lhe apenas para exaltar o seu mérito da subida aos céus…), ao pôr a nu as ligações perigosas e os proveitos nunca explicados que o relacionam com os seus amigos envolvidos na gestão danosa do BPN. E apenas pode culpar-se a si próprio, pelo modo como fugiu à natural prestação de contas, quanto às consequências que daí advirão para a sua fragilização da sua posição futura como actor político.

 

Haverá tempo para analisarmos os resultados eleitorais, o falhanço inaceitável dessa maravilha tecnológica que era o cartão do cidadão, o significado da abstenção  política e do voto de protesto no “inverno do nosso descontentamento”.

 

Todavia, e desde já, o facto mais surpreendente da noite eleitoral é esta revelação da fraqueza  e perturbação de um candidato que, vencendo, revela no seu discurso que parte para o seu último mandato,  com legitimidade, mas com desconforto e sem o apoio maioritário desejado. O seu ressabiamento vingativo é a manifestação da consciência da sua fragilidade.

 

O discurso cauteloso de Passos Coelho, evitando cavalgar a vitória cavaquista, em contraste com a gulodice mediática indisfarçável de Paulo Portas, mostra que o partido maioritário da direita percebeu, como Cavaco, o recado mais profundo da maioria dos portugueses nesta eleição em tempos de crise.

Henrique Sousa às 23:12 | link do post | comentar

Marrar onde é preciso

 

Vou desligar a televisão. O circo da política - onde estaremos nós os que escolheram os seus candidatos, com aqueles que não votaram, que ficaram em casa, dos que votaram em branco, juntando-se ao circo dos comentadores, do espectáculo das análises, é demasiado para mim. Vou apenas deixar um abraço forte no Alegro, aos muitos companheiros desta última semana que me fez tão bem à alma, e depois vou arranjar um silêncio bom para digerirmos as Viagens de Guliver que acabámos os dois de ver. Fazer os bolinhos de canela que planeámos os dois fazer. Depois, quando ele adormecer, vou praguejar.

 

Uma segunda volta parecia-me bem, muito bem, uma grande alegria. Ir até Belém comer pastéis sem medo de encontrar Belém feita um aldeamento da Coelha, parecia-me ainda melhor. Ver um Conselho de Estado onde de repente caísse um poema, foi um pequeno grande sonho. Mas a esquerda não é um end, é um begin. Viver é um acto de utopia, reaprendi nesta última semana. Há o amor, o meu filho, os filmes, os bolinhos, a alegria, o teatro, a investigação, a nossa peça, o nosso filme, as imagens felizes. O tempo que posso estar com os que amo.

 

E há também as imagens contentes: é com contentamento que imagino a 2ª Feira de Cavaco, a ler finalmente o Paulo Pena na Visão.

 

Joaquim Paulo Nogueira às 20:53 | link do post | comentar

Rede

Manuel Alegre

 

Um grupo grande de autores do Alegro está neste momento a participar no Parlamento Global.

Poderão seguir o debate (e participar) em:

http://www.parlamentoglobal.pt/parlamentoglobal/actualidade/Minuto-a-Minuto/2011/1/23/210111+blogue+presidenciais.htm

Sexta-feira, 21.01.11

Manuel Alegre

Manuel Alegre

Dia 23 é já amanhã

 

O último post antes da 2ª Volta. Termino, espero que por agora, a minha participação neste blogue. Fui um companheiro de jornada relativamente curto, também porque recente foi a minha compreensão não só de que iria votar em Manuel Alegre, também da importância que a sua eleição tem para o nosso futuro próximo. Como escrevi, muito mais do que as suas muitas qualidades humanas, foi para mim decisivo o perceber o quanto pensar em Manuel Alegre na Presidência da República, me ajudava a imaginar no que gostava que fôssemos enquanto comunidade. Não escolhemos uma pessoa pelo que ela representa, ou representou, no passado, mas por aquilo em que queremos que ela nos represente, no futuro. Manuel Alegre fez muito bem em trazer até nós um contrato presidencial. Um contrato lembra-nos que há direitos e obrigações dos dois lados. É importante lembrar as obrigações que todos nós, enquanto primeiros outorgantes, o Povo, a Comunidade Portuguesa, assumimos. Quando escolhemos Manuel Alegre porque ele é capaz de unir a Esquerda à mesma mesa, também assumimos um compromisso, enquanto esquerda, de que seremos capazes de pensar juntos. Trazendo também para esse lugar de reflexão todos aqueles que já não se revêm na ideia de Esquerda, mas que partilham um mesmo ideário de justiça social, de papel do Estado na sua concretização. A esquerda não é um clube, é um ponto de partida.

 

Tentei durante esta semana, dar-vos conta das razões porque, para mim, se torna tão importante eleger Manuel Alegre.  Eu por exemplo, quando respondi ao desafio de escrever aqui, pensei que queria vir debater a importância que a cultura tem na mudança de atitudes e na compreensão do outro. E também, em dar o testemunho de alguém que durante quase toda a campanha pensou em votar em branco (e que mesmo assim acha que o sistema eleitoral deveria considerar o número de votos em branco dentro das opções expressas) e que percebeu, a uma semana, que não poderia deixar de votar em Manuel Alegre. Vejo que me ocupei muito pouco disso e mais em estabelecer ligações com a critica às  SLNs, aos BPNs, às Coelhas, centrando-me talvez mais numa irritação com aquilo que Cavaco Silva representa, do que com aquilo que Manuel Alegre me faz querer para o futuro. Alguns de vós vão por isso ler-me e pensar na fragilidade desse arrazoado e dai, tirarem a ilação de que são também frágeis as razões para votar em Manuel Alegre.

 

Será um erro para o qual, por dele me sentir responsável, vos devo alertar: não confundam a minha incapacidade de explicar as razões porque voto em Manuel Alegre, na vossa incapacidade - e dirijo-me a todos aqueles para quem a ideia de solidariedade na vida em sociedade ainda provoca alguma ressonância dentro dos seus imaginários - de encontrarem as razões para votar em Manuel Alegre.

 

O paradigma racionalista  leva-nos muitas vezes a um erro que pagamos demasiado caro nas nossas vidas: como tudo se passa na dialética discursiva, se alguém não souber explicar de forma suficientemente clara as razões porque tomou uma determinada decisão - neste caso a de votar em Manuel Alegre - deduzimos daí que não há razões muito claras para tomar essa mesma decisão. Ao ler o Público de hoje e a inúmera quantidade de pessoas que diz que esta campanha foi pouco esclarecedora, penso nisso. 

 

É tão difícil partilhar uma ideia que, como esta, nos tempos que correm, tem tanto de emocional como de racional e coloca a política numa dimensão da festa, da alegria.

 

Não haverá uma segunda oportunidade para o dia 23 de Janeiro de 2011.

 

Joaquim Paulo Nogueira às 23:59 | link do post | comentar | ver comentários (2)

A mais completa sem vergonha é...

… ter defendido com unhas e dentes a consolidação orçamental pelo corte na despesa e pelo “ajustamento do factor trabalho” e agora dizer que “um imposto extraordinário para todos os portugueses acima de certo rendimento” teria sido preferível ao corte dos salários dos trabalhadores da administração pública.

 

 

José Castro Caldas às 23:45 | link do post | comentar | ver comentários (2)

«Cavaco é um mau intérprete da democracia e da República»

...

 

 

Público, 21/1/2011

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Joana Lopes às 22:36 | link do post | comentar

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