E depois do fim... ainda o espírito de Abril!

 

 

Pouco vale a pena acrescentar aos comentários públicos que têm sido feitos sobre os resultados da maratona eleitoral das Presidenciais 2011, para além do grande destaque e da grande reflexão que nos merece a inesquecível taxa de abstenção registada, na medida em que ultrapassou metade do eleitorado português... Porém, das causas desta memorável abstenção nunca é demais registar o afastamento dos cidadãos da prática eleitoral, designadamente pelo significado que reflecte sobre a actual forma de se fazer política. Na verdade, entre o que, há dias e a par do receio generalizado, registara (ler Aqui), antecipando o não-dito destes resultados eleitorais e atendendo, por outro lado, à consciência de que o empobrecimento arrastado pela crise económico-financeira dos mercados provoca sério desgaste ao regime político democrático (dada a ausência de uma evidente preocupação com a dimensão social da economia e da política), a abstenção de 53,3% num país que integra, de pleno direito, a União Europeia, denota a urgência de uma profunda reforma político-económica a que é preciso dar resposta... no nosso país e no espaço comunitário europeu! Podem os políticos e as instituições ignorar a realidade ou tratar de a minimizar mas, os factos são, no caso!, incontestáveis e, como tal, resta ao exercício democrático da cidadania exigir a sua consideração até que a agenda política reflicta o problema como prioritário.

... agora, no final deste Alegro Pianissimo, cabe-me ainda partilhar convosco o post que escrevi ontem ao fim da noite e que publiquei no A Nossa Candeia

"O discurso de Manuel Alegre foi um discurso feito de dignidade, coragem e humildade, próprio do melhor que podemos esperar de um autêntico democrata e de um antifascista... mas, Manuel Alegre não tem razão! Os resultados que hoje obteve não são culpa do Homem e do Político que é mas, isso sim, da dinâmica criada pelos partidos que o apoiaram... medo, receio e ressentimento não são os companheiros certos para a Firmeza e a Convicção de um Homem e menos ainda de um visionário e de um Poeta! Obrigado, Manuel Alegre! O espírito de Abril tem ainda em ti o sopro de vida de que o ar da sociedade portuguesa e europeia precisa!"

  

Ana Paula Fitas às 22:11 | link do post | comentar