BPN vs BPP

 

 

Artigo de Daniel Oliveira no Antes pelo Contrário

Manobras de diversão

Como era de esperar, em vez do esclarecimento veio o contra-ataque. Manuel Alegre terá feito um texto para um espaço com patrocínio do BPP nas páginas do EXPRESSO. Pelo qual terá recebido 1.500 euros.E isto compara-se com o quê? Com um negócio em que Cavaco Silva compra e vende ações da SLN ao preço decidido pelo vendedor e comprador, com uma enorme margem de lucro e que rendeu a si e á sua filha mais de trezentos mil euros, com prejuízo evidente para à sociedade, em troca de oferecer credibilidade a uma empresa dirigida por correlogionários políticos.

À falta de esclarecimentos, os apoiantes de Cavaco Silva querem fazer passar a ideia de que se Cavaco tem o BPN, Alegre tem o BPP. Um participou num negócio que tresanda a troca de favores, outro fez um texto patrocinado. Tem tudo a ver, não tem?

Fico por quatro diferenças evidentes. A primeira: o BPP não está a ser pago pelos contribuintes, o BPN está. A segunda: Cavaco Silva era acionista do SLN e na compra e venda de ações deu a sua ajuda ao estado em que a sociedade ficou. Como acionista tinha obrigação de saber o que estava a fazer e, com os contactos que tinha naquele banco, não há como acreditar que estivesse às escuras. Alegre fez um texto pago por uma agência de publicidade patrocinado por um banco com a qual não tinha qualquer contato. Ainda por cima mal pago. A terceira: Cavaco Silva participou numa decisão política relacionada com nacionalização dos prejuízos do BPN. Prejuízos para os quais terá contribuído. Manuel Alegre não decidiu nada que envolvesse do BPP, porque o Parlamento nada decidiu em relação àquele banco. Quarta: o BPN está intimamente ligado ao circulo político de Cavaco Silva e a quem financiou as suas campanhas. Não se conhece nenhuma ligação do BPP a Manuel Alegre.

Pode-se discordar que um deputado escreva aquele texto para aquele fim. Mas trata-se de um assunto muito pouco relevante perante os cinco mil milhões que o Estado pode vir a enterrar no BPN. A comparação entre as duas coisas é de tal forma absurda que ninguém de boa-fé a poderá aproveitar.

Compreende-se a vontade de baralhar. Depois de se desvalorizar e de fingir de que não se percebe do que se está a falar, tenta-se criar a ideia de que no fundo todos estão envolvidos em negócios estranhos com bancos. Mas para quem está minimamente informado a pergunta mantém-se: onde está o contrato que levou a uma valorização artificial das ações de Cavaco Silva? E qual o interesse da SLN em fazer esse negócio? Chega de manobras de diversão e venham os esclarecimentos.

Paula Cabeçadas às 13:18 | link do post | comentar