Evidências, penso eu de que...

 

É natural que a candidatura de Cavaco Silva insista que o caso das acções do BPN é um tema lateral, uma campanha negra que revela o desespero da candidatura de Alegre. Em termos de gestão da comunicação política, é o posicionamento mais evidente a ter neste tipo de situações. No fundo, dramatizar e tentar que um tema altamente desfavorável pare de crescer.

 

Mas de toda esta situação surge uma evidência ainda mais complicada de ignorar. É que se este caso não inundasse a agenda, isso sim seria de estranhar. Ora vejamos:

  1. Portugal está na situação económica que está;
  2. Apesar da penúria, foi assumida a nacionalização do BPN, um negócio ruínoso que arrepia qualquer contribuinte;
  3. No referido banco estiveram envolvidas inúmeras figuras eminentes do cavaquismo;
  4. O BPN tem vindo a revelar-se um buraco inacreditável, um antro de falcatruas e negócios ruínosos cuja factura será penosamente paga pelo contribuinte português;
  5. O ex-primeiro-ministro e, como tal, figura eminente de um dos principais partidos e eterno possível candidato a Presidente de República, consegue um negócio fabulástico de compra e venda de acções não cotadas em bolsa. Negócio este validado por um dos seus antigos subalternos e então responsável máximo do Banco.

Posto isto, insisto: em que país do mundo democrático tal não seria encarado como um perigoso indício de tráfico de influências? Em que país do mundo democrático tal não levantaria suspeitas de favorecimento e de almoços pseudo-gratis? Em que país do mundo democrático uma história como esta não incendiaria uma campanha eleitoral?

 

(Imagem: The missing link)

João Ricardo Vasconcelos às 02:17 | link do post | comentar