Porque apoio a candidatura de Manuel Alegre, apesar do Governo de Sócrates

Seis razões para o meu apoio:

 

1. Porque Manuel Alegre assumiu o compromisso firme de garantir na Presidência da República a defesa inequívoca do conteúdo social da democracia, do Estado Social e de serviços públicos qualificados de acesso universal - do Serviço Nacional de Saúde, da Escola Pública e da Segurança Social pública -, e de se opor à sua liquidação e degradação.

 

2. Porque, reconhecendo a necessidade do rigor financeiro e da consolidação orçamental, rejeita que o País fique refém de políticas de austeridade recessivas; assume a necessidade de um outro modelo económico que não esteja assente em salários baixos, betão, fraca especialização produtiva e degradação dos recursos naturais; defende uma outra política económica e financeira, em Portugal e na Europa, que não fique capturada pelos mercados especulativos e pela finança, mas que  seja orientada para a criação do emprego, para o bem-estar das pessoas e para uma repartição mais justa da riqueza criada.

 

3. Porque o seu compromisso de defender e fazer cumprir a Constituição da República é sustentado nas suas comprovadas convicções democráticas, no seu percurso e testemunho de vida e assume a política, não como actividade que degrada quem a pratica, mas como acto de cidadania e exercício ético, intransigente no combate à corrupção, ao clientelismo e à promiscuidade entre Estado e interesses privados.

 

4. Porque se assume como adepto de um novo fôlego para a construção europeia, que recuse a actual lógica monetarista e de submissão aos mercados, que recupere a ideia da União Europeia como projecto político democrático, de sociedade e de civilização, de coesão social e de solidariedade entre iguais.

 

5. Porque, sendo filiado no PS, tem preservado a sua autonomia de pensamento e de posicionamento político enquanto cidadão, demarcando-se criticamente da orientação governativa do seu partido e de Sócrates em matérias essenciais como a defesa do mundo do trabalho e dos direitos sociais.

 

6. Porque é o único candidato que ousou assumir a vontade política da imperativa e necessária agregação de forças e de diálogo à esquerda, de somar esquerda à esquerda, como caminho para vencer os impasses e os efeitos do bloco central de interesses que tem desgovernado e sugado em benefício de uma minoria os recursos do País.

 

Situando-se o meu percurso político e convicções à esquerda de Manuel Alegre e sendo um opositor claro do Governo de José Sócrates, são estas razões suficientes (documentadas nos compromissos programáticos do candidato e nos seus actos), no seu conjunto e não separadamente, para que entenda que, no actual quadro de candidaturas presidenciais, Manuel Alegre dá garantias de ser um Presidente independente dos interesses, comprometido firmemente com a democracia social e política e com a Constituição, e o candidato mais bem situado para assegurar a derrota da aspiração da direita de conquistar de novo a Presidência como caminho para a monopolização do poder político em Portugal.

 

 

Henrique Sousa às 18:08 | link do post | comentar