Voto útil, voto contra

Sempre me insurgi contra a defesa do voto útil em eleições legislativas, porque me recuso a deixar de apoiar e partido com que tenho mais afinidades para escolher um outro, apenas por receio de que um terceiro venha a ser o mais votado: o meu voto tem efeitos na composição das bancadas parlamentares.

 

Concretamente e apesar de todos os apelos lancinantes de uma certa esquerda, não votei PS em 2009 por causa do simples «pavor» de ver Manuela Ferreira Leite em S. Bento. Não tenho filiação partidária mas mantive o apoio ao Bloco e renová-lo-ia amanhã: a experiência mostra bem que ter uma parte das bancadas da AR à esquerda do PS, com uma presença tão forte quanto possível, foi e é absolutamente fundamental. E como abomino maiorias absolutas, acabei por juntar o útil ao (resultado) agradável.

 

Em presidenciais, a questão põe-se em termos completamente diferentes porque se trata de um campeonato em que só há um que ganha - ou logo à primeira volta, ou em confronto com um outro, três semanas mais tarde.

 

Assim sendo, no dia 23, todos os votos de quem não quer Cavaco em Belém por mais cinco anos são «úteis» porque são «contra» a hipótese de ele ganhar imediatamente.

 

Pode-se escolher qualquer dos outros candidatos e o importante é não ficar em casa. Mas os que votarem em Manuel Alegre poderão fazê-lo por uma de duas razões: por considerarem que ele é o melhor de todos os candidatos em campo - e eu considero -, ou porque Cavaco entrará tanto mais fragilizado na segunda etapa da campanha quanto maior, na primeira, for a votação do seu único potencial adversário. E isso conta.

 

Depois, para 13 de Fevereiro, … as contas não serão difíceis.

 

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Joana Lopes às 22:17 | link do post | comentar