Esquerdas desunidas

 

Andam tantas almas ainda inclinadas para a abstenção por a esquerda apresentar vários candidatos na primeira volta das presidenciais, que o texto de Vítor Dias, abaixo transcrito, pode ajudar a desanuviar alguns céus demasiadamente enublados.

 

(O que não invalida o que eu ontem escrevi, num outro post: «Os que votarem em Manuel Alegre poderão fazê-lo por uma de duas razões: por considerarem que ele é o melhor de todos os candidatos em campo - e eu considero -, ou porque Cavaco entrará tanto mais fragilizado na segunda etapa da campanha quanto maior, na primeira, for a votação do seu único potencial adversário. E isso conta.»)

 

"1.«A «divisão» ou concentração de votos por candidatos à esquerda de Cavaco Silva não tem a mais pequena influência no resultado de Cavaco Silva e nenhuma influência sobre este ganhar ou não à primeira volta.

 

2. Este ganhará logo à primeira volta se receber 50% mais um dos votos, ou seja pelas cruzes que forem postas ao lado da sua fotografia no boletim de voto e não pela forma como se distribuem as cruzes por Manuel Alegre, Francisco Lopes e Fernando Nobre.

 

3. Ou seja, nenhuma dúvida (até custa ter de explicar isto) de que votos em Manuel Alegre, Francisco Lopes e Fernando Nobre são votos em Manuel Alegre, Francisco Lopes e Fernando Nobre e não votos em Cavaco Silva, ou seja são votos que em nada favorecem a eleição de Cavaco Silva.

 

4. E, pronto, levando a caridade ao extremo, e descendo ao nível de escola primária cumpre ainda explicar que, por hipótese numérica, 47,3% num único candidato à esquerda de Cavaco Silva são, numa eleição presidencial, a mesma coisa que 47,3% resultantes da soma das percentagens obtidos por três candidatos à esquerda de Cavaco Silva.

 

5.Por fim, ainda poderia explicar que em casos, como é o presente, em que não há, nem de perto nem de longe, um real consenso político e social em torno de um só candidato, a existência de diversos candidatos à esquerda até será provavelmente um factor de maior comparência nas urnas dos eleitores de esquerda, o que não é nada dispiciendo (…)."

Joana Lopes às 17:10 | link do post | comentar