A voz de Robert Schuman no Contrato presidencial de Manuel Alegre.

Hoje, encontrei o Robert Schuman, uns dos filhos mais ilustres da cidade de Metz, na voz europeia de Manuel Alegre! No Contrato presidencial, para connosco também, os Portugueses das Comunidades, trabalhadores infatigáveis, do Pluribus Unum.

 

"Não está escrito em lado nenhum que a superação do drama da crise europeia não possa iniciar-se com vozes vindas das periferias. A Europa tem de voltar a ser um projecto político, um projecto de sociedade e civilização. É necessário um novo fôlego para a construção europeia.

 

O PR tem de considerar de igual modo tanto os Portugueses que vivem no país como todos os que estão espalhados pelos quatro cantos do mundo, mas não esquecem a sua pátria e as suas origens e anseiam por um reconhecimento mais expressivo por parte de Portugal. As nossas Comunidades espalhadas pelo mundo constituem um potencial riquíssimo para Portugal, um elo de ligação que precisa de ser mais valorizado pela nossa sociedade e poderes públicos. Na construção Europeia, no desenvolvimento socioeconómico de cada país e no fomento proactivo dos laços com Portugal, os portugueses a viver e a trabalhar no estrangeiro têm desempenado um papel fulcral. Assumo, por isso, o compromisso de representar os Portugueses que se encontram a viver e a trabalhar no estrangeiro, defender os seus interesses e valorizar e reconhecer as suas múltiplas dimensões - social, económica, cultural e política. Em democracia somos todos chamados a construir, permanentemente, esta grande nação que é Portugal. Confio por isso no vosso patriotismo e apelo à vossa participação na próxima eleição presidencial."

 

Acredito que Manuel Alegre candidatou-se a pensar sinceramente nos seus compatriotas que ao longo de décadas tiveram que deixar Portugal, dando origem às comunidades portuguesas hoje integradas, com cidadãos activos para o desenvolvimento dos países onde residem. Acredito que a ligação entre o novo fôlego para a construção europeia não será possível sem estes europeus, frutos do drama da emigração portuguesa.

 

O meu pai, como milhares de outros Portugueses das Comunidades, deixou Portugal com 15 anos de idade, umas caminhadas a pé, outras de comboio, outras nem se sabe; antes de chegar a França. Aliás, isso não quere dizer. Mas, o que não se farta de dizer é que é português. Nunca quiz ser outro. Português. Nenhuma vontade de pedir BI francês.

_Para quê? Sou português. As veias o dizem por mim! 

 

Ao ler estas frases dedicadas aos pedaços de Portugal espalhados pelo mundo fora, pensei eu no patriotismo português com o qual convivi, em particular, o do meu pai.

_Não sabemos como dizer o amor que temos para Portugal. Somente sabemos sentir o nosso país, nem mais nem menos. Felizmente, há quem saiba encontrar as palavras. O Manuel Alegre sempre soube. Que os Portugueses, de todos os lados, o leve até Belém para conseguirmos então uma Pátria de todos e para todos! 

 

Ainda outro "petit pas" por dar junto do Manuel Alegre para Portugal e para a Europa. Este "petit pas" que também nos indicaria o Robert Schuman "porque a unidade política não significa a absorção da Nação".

Nathalie de Oliveira

Natali Oliveira às 08:20 | link do post | comentar