Desta é que vai, a crise vai acabar.

Quem é que pode deixar de acreditar nesta afirmação, quando se fala aqui da eleição dada como certa, do Professor Cavaco Silva, actual Presidente da República e candidato ao mesmo alto cargo a partir de Janeiro de 2011? Vejam só o curriculum: Doutor em economia e Professor universitário nesta matéria, Director de Gabinete de Estudos do Banco de Portugal! Quando a crise tem imenso ou exclusivamente a ver precisamente com esta área, é certo que o Professor, na sua qualidade de novo Presidente da República pode resolver; por isso todo o mundo acredita que ele será eleito! Assim há quem diga. A não ser que o país se lembre de um certo desenrolar de situações que provavelmente serão capazes de dar que pensar... Nem tudo o que luz é ouro: O Professor foi Ministro das Finanças entre 1980 e 1981; não resolveu nada! Foi Primeiro Ministro de 1985 a 1995 – 10 anos em que Portugal ficou numa lástima – nada resolveu! É presidente da República desde 2006. O que é que resolveu desta vez? 

 

Ao apresentar a sua candidatura no Centro Cultural de Belém, o Professor Cavaco Silva erige-se agora como o candidato que pela sua experiência, pode ajudar muito o País se for de novo eleito Presidente da República! Quem é que pode acreditar nesta afirmação? Será que lhe foram precisos 15 anos a governar de uma maneira ou de outra, para finalmente passar a ser positivo? Tanto tempo não chegou ao especialista que é, para ver chegar a crise Mundial que forçosamente nos ia atingir, e principalmente para evitar que ela nos atingisse. Não teve poderes para agir como Ministro das Finanças ou como Primeiro Ministro? Não teve ocasião para aconselhar e arbitrar enquanto que Presidente da República? É agora, no próximo mandato que vai ajudar muito. A credito na sua boa vontade, Só! Evidentemente que a culpa não tem sido exclusivamente do Professor Cavaco Silva, também muitos dos seus partidários e opositores têm contribuído para que Portugal chegue a este ponto. Infelizmente eu creio que a crise não vai acabar tão cedo, mais cedo deverá acabar este modo de fazer Política em Portugal. É possível mudar, mas um sorriso nos lábios e mais promessas não chega. O apoio daqueles que continuam a manter os níveis de vida que têm, unicamente graças a uma economia que conduz ciclicamente ao caos, não deve chegar para perpetuar uma situação de crise crónica, elegendo aqueles que só nos podem dar mais do mesmo. O próximo Presidente da República portuguesa não pode ser um homem ao serviço de outro (ninguém pode ser candidato em vez de...), nem um veiculo de soluções inaplicáveis, embora por vezes muito belas. Mas a força conjugada de quem acredita que há outras soluções e que não quer continuar mais quinze anos a viver as mesmas angústias, poderá por termo a esta saga. Só um homem diferente pode trazer uma esperança a Portugal, fazer que as reais forças deste país se unam e descubram o caminho! É com toda a esperança que acredito que os portugueses se apercebam antes do dia 23 de Janeiro de 2011, que é a escolha pragmática de Manuel Alegre para Presidente que nos porá no bom caminho.

Aurélio Pinto, para o Lusojornal, 28/10/2011

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