É uma vergonha que haja fome em Portugal!

Não tenhamos dúvidas, é mesmo uma vergonha! Qualquer português que se preze não pode ficar indiferente a tal situação. Mas felizmente a maior parte deles não tem culpa nenhuma disso, muitos até se esforçam para evitar que tal aconteça, outros ajudam mesmo sem saber, estou a pensar em todos aqueles que com as remessas que enviam regularmente, contribuem largamente para melhorar a vida dos seus compatriotas. Mas os esforços individuais não chegam para evitar os problemas causados por uma má gestão do País que se vem arrastando há muitos anos. A desregulamentação económica, para facilitar a vida das empresas, não evitou que a crise europeia de 1993 provocasse em Portugal um enorme aumento do desemprego. Durante os anos faustos em que a Europa despejou rios de dinheiro em Portugal, o aspecto do país mudou imenso, mas foi quase exclusivamente a rede rodoviária que absorveu tal maná. Por outro lado a agricultura passou ao lado da repartição; enquanto algumas manadas de gado iam de camião de prado em prado, para justificar empreendimentos fictícios, os terrenos ficavam por cultivar, e a criação de gado continuava na mesma. Muito mais real era o benefício daqueles que aproveitavam dos bem-vindos capitais para empreendimentos pessoais cujos benefícios os foram enriquecendo. Esses hoje não têm fome! Durante esses anos, o que é que foi feito para preparar o futuro da economia de Portugal?

Desenvolvimento das pequenas e médias empresas? Agricultura? Pescas? Formação? Nada! Inaugurar troços de auto-estradas em excesso nunca preparou o futuro de ninguém. Sua Excelência o Presidente da República está envergonhado porque há portugueses com fome, só? Mas o facto de durante quase 17 anos ter governado o País de uma maneira ou de outra, sem ter visto chegar as crises ou sem ter tomado precauções para as evitar, sem criar as condições para que os portugueses ficassem ao abrigo de situações de precariedade extrema como a que se vive actualmente, não é razão para vergonha! Pelo contrário, é experiência positiva que será posta ao serviço de Portugal se for reeleito, certamente com os votos daqueles que vão comer os restos dos restaurantes! Portugal precisa muito de quem ajude, mas convém não esquecer que cada um tem de se ajudar a si memo, e será esse o supremo sacrífico, pois será necessário mudar de modo de vida. Será preciso que cada um se convence que só pode gastar aquilo que tem, senão é a falência garantida, e isto tanto é válido para o individuo, como para uma família, ou empresas e mesmo o Estado. Como é que para além da disciplina pessoal se podem obter resultados positivos, sem recorrer por exemplo ao FMI? A título individual ou familiar, não se deixando empresas devem evitar de só pensar nos ganhos de produtividade, e admitir que se os trabalhadores perderem o poder de compra mais tarde ou mais cedo não há quem compre o produto. O Governo tem o dever de propor, explicar e cumprir soluções e leis realistas e de se assegurar que cada um as respeita. O cidadão deve estar no centro das preocupações, mas também deve ter a preocupação de exercer os seus deveres de cidadão: de se informar, de participar na vida cívica da Nação, de especificar a sua opinião, de votar... para escolher aqueles que nos governam, para evitar de um dia talvez, ter de andar a comer os restos dos restaurantes e encher algum Presidente de vergonha!

 

Aurelio Pinto às 16:39 | link do post | comentar