Apoios eleitorais. Da virtude à mácula.

 

Recusa.bmpEm Democracia, os apoios eleitorais na Esquerda são sempre uma virtude nunca são uma mácula. Diz a Direita quando quer denegrir a candidatura de Manuel Alegre, que os seus apoios correspondem a um aliança de interesses não coincidentes. Este, é o argumento de quem não entende o que é a pluralidade em democracia que a Esquerda defende e pratica, porque é messiânica a verdadeira pulsão que está no código genético da Direita, e são as soluções autoritárias e paternalistas que verdadeiramente a impelem. O modelo de Presidente da República que a Direita deseja, é o do “tiranete”, uma espécie de reedição do Botas, cujo paternalismo dita as regras e o dia da pândega, um Botas moderno num regime sufragado, no fundo, um PR que mande, ainda que as outorgas da nossa Constituição sejam felizmente parcas nessa matéria. Por enquanto...

Ninguém nega as divergências. Sabemos como o BE puxa no Parlamento a manta para o seu lado, da mesma forma que o PS puxa para o seu, é natural num regime parlamentar. Sucede que Alegre tem referido com insistência, não ser refém de nenhum partido e prova-o com o exemplo que vem de 2006, através da autonomia da sua candidatura e nota-se-lhe a verdade nas palavras quando o diz, ao contrário do balbuciar de outros. Não precisa por isso de justificar nada, porque nada pediu.

Depois, a função do presidente de uma república como a nossa, estará sempre mais ajustada a um homem com uma visão cultural mais vasta do que a um tecnocrata, para a qual pouco importa uma formação específica, uma vez que a sua função não é executiva, é interpretativa, é a de promover o diálogo entre diferenças. Para além do apoio já manifestado pelo MRPP, Alegre deverá contar seguramente com o apoio do PCP/PEV numa segunda volta. Esta é a grande vantagem, poder-se dispor de um PR com grande capacidade para entendimentos parlamentares que lhe advém dos apoios que obteve, contra o candidato da Direita que nunca entendeu os eclectismos próprios da Esquerda e que representa apenas um único bloco comum de interesses, com pruridos com uma boa franja de portugueses que, se não recusa, pelo menos parecem meter-lhe nojo. Vamos dar-lhes a resposta que merecem.

 

Recusado.jpg
João Grazina às 09:39 | link do post | comentar