Uma Pátria cosmopolita ou um “Portugal dos pequeninos”

A escolha entre Manuel Alegre e Cavaco Silva é uma opção entre uma Pátria cosmopolita e um “Portugal dos pequeninos”,

Manuel Alegre é um cidadão para quem Portugal e os portugueses têm sido as questões centrais com que se tem confrontado permanentemente, como o testemunham a sua vida, a sua obra e a sua intervenção política.

É um homem com muito mundo, que viveu de perto a situação dos emigrantes portugueses no período muito doloroso da emigração a salto para França. Conheceu as suas angústias e as suas esperanças. Como exilado, foi também um emigrante por motivos políticos.

Não esqueço poemas no qual nos fala da dureza das condições de vida, como Portugal em Paris no qual diz:

“(…) Vi minha pátria derramada

Na Gare de Austerlitz. Eram cestos

E cestos pelo chão. Pedaços

Do meu país (..)”.

Manuel Alegre foi durante toda a vida um cidadão empenhado na emancipação dos trabalhadores, no desenvolvimento da cidadania de todos sem discriminações, na construção de um País limpo, livre, justo e solidário.

Manuel Alegre é também um cidadão que empenhado no respeito pela diversidade que somos como portugueses, do ponto de vista espiritual, cultural, ou de origem étnica. Não faz acepção de pessoas, nem distingue entre portugueses, sejam eles cristãos, muçulmanos, judeus, agnósticos ou ateus, portugueses de origem europeia, africana ou asiática.

É também alguém que escuta com solidariedade a voz dos imigrantes e defende a sua inclusão e cidadania.

A Comissão de Honra da sua Candidatura é bem a prova que todos sabem que podem contar com ele, como ele conta com todos.

A sua Pátria é um Portugal cosmopolita e inclusivo.

Em confronto com ele, Cavaco Silva representa um país provinciano, fechado.

Não esqueçamos que seu antigo Ministro da Administração Interna, Dias Loureiro, foi um dos teorizadores da Imigração Zero, que a Europa havia de rejeitar.

Representa na melhor das hipóteses, um “Portugal dos pequeninos”.

Os seus discursos têm vindo a evoluir negativamente podendo-se dizer deles, parafraseando Sophia de Mello Breyner Andresen, grande amiga de Manuel Alegre, “têm o dom de tornar as almas mais pequenas”.

E que dizer da saudação que ontem fez à manifestação das crianças para “defesa da sua escola”.

Repugna-me eticamente a utilização política de crianças, é um abuso da mocidade, qualquer que seja a causa.

Quem, independentemente, das suas opções políticas, quer participar na construção de uma Pátria cosmopolita, e inclusiva, uma sociedade limpa, livre e solidária, vota e apela ao voto em Manuel Alegre.

José Leitão às 23:53 | link do post | comentar