Manifestação de trabalhadores contra cortes salariais e o comportamento da PSP: uma diferença essencial entre Cavaco Silva e Manuel Alegre

O candidato Cavaco Silva, que se apressou a manifestar apoio e incentivar os manifestantes contra os cortes dos apoios estatais ao ensino particular e cooperativo (cuja lei o Cavaco Silva Presidente promulgou chamando a si os louros das alterações realizadas na lei), foi o mesmo que deliberadamente guardou silêncio e recusou comentar a inaceitável e precipitada actuação da PSP contra uma manifestação de trabalhadores que protestavam contra os cortes salariais da Função Pública junto à residência oficial do Primeiro-Ministro, em que procedeu à detenção de sindicalistas. Enquanto Manuel Alegre não hesitou em prontamente criticar esta actuação da PSP, em coerência com as suas comprovadas convicções democráticas e com o seu compromisso com os trabalhadores publicamente assumido (ver aqui o seu texto).

 

Ficou assim mais patente e clara a linha divisória entre os dois candidatos. E neste caso concreto, reconheça-se que Cavaco Silva foi pelo menos coerente, não assumindo a duplicidade frequente que o caracteriza. Afinal, quantas vezes ouvimos, durante o seu mandato presidencial ou agora em campanha, manifestar solidariedade com os trabalhadores ameaçados nos seus direitos ou saudar a legitimidade dos seus protestos? E quem não recorda o seu comportamento repressivo e autoritário enquanto governante, quando contestado, que se tornou insuportável ao ponto de a maioria do País se ter então fartado dele, coisa agora menos lembrada?

 

Finalmente,quanto à informação sobre os acontecimentos aqui referidos, valerá a pena consultar o relato do Público, da TSF (com declarações de Carvalho da Silva) e do SPGL (com uma colecção de fotos dos acontecimentos). E quanto ao próximo dia 23, abrir os olhos e ver, enquanto é tempo...

Henrique Sousa às 13:50 | link do post | comentar