"Ter mais de 60%, que é para a ripada ser maior aos talibãs"

Assim se exprimia um apoiante de Cavaco, em Oliveira do Hospital, em frente de uma câmara de televisão. A forma, como se vê, não é das mais elegantes, mas ao candidato e aos seus apoiantes não se exige mais. Quem na demagogia mais descabelada, aconselha a não se prolongar por mais umas semanas a campanha eleitoral porque “os custos seriam muito elevados para Portugal e para os portugueses”, ou quem destina às mulheres o papel de fadas do lar, porque são elas “que gerem os orçamentos das famílias e são as mais bem preparadas para identificar onde está o rumo certo, aqueles que as podem ajudar para melhorar o bem estar dos seus maridos e dos seus filhos,” não se pode esperar um estilo diferente do dos seus apoiantes.

 

Cavaco no seu discurso desconchavado promete benesses a quem nele votar, os seus apoiantes, pelo contrário, prometem ripada nos talibãs, que somos todos nós.

 

É o fascismo doce que sempre se perfilou por detrás de palavras mansas e cordatas dos democratas “pós-25 de Abril”. Mas, está sempre à porta, à espera de poder entrar. Não é por acaso que Cavaco condecorou Pides e não Salgueiro Maia, ou permitiu que o seu Secretário de Estado interditasse o envio do livro de Saramago, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, a um prémio europeu. Mas também não é por acaso que se vai à PIDE declarar que se está integrado no regíme. Este homem não tem qualquer pinta de democrata, só o é porque os tempos correm de feição a este tipo de Governo.

Jorge Nascimento Fernandes às 18:55 | link do post | comentar