Cavaco Silva não soube estar à altura do cargo presidencial

Há cinco anos, Cavaco Silva apresentou-se como o candidato mais preparado para conduzir o País como Presidente da República (PR). Os argumentos então apresentados eram simples e correspondiam ao seu currículo: tinha mais experiência governativa (11 anos de poder no Governo, 10 como Primeiro-Ministro e 1 como Ministro das Finanças) e era o mais bem preparado em matérias económicas, decorrente da sua formação académica. Face aos demais candidatos, Cavaco Silva era o ideal para a Chefia de Estado.

 

Cumprido o mandato, que corresponde a um dos períodos mais complexos dos nossos tempos, com uma crise financeira e económica mundial sem precedentes na História, com que ficámos da tal mais-valia do candidato, depois PR, Cavaco Silva? Nada!

 

Não é por acaso que os seus argumentos de 2006 não são empregues agora, pois Cavaco Silva sabe que falhou todas as promessas. Se tivesse correspondido à importância do cargo que desempenhou, nos últimos cinco anos o PR tinha sido, e deve ser, o primeiro a bater-se pelo País, mas não o fez. A crise chegou, instalou-se, está a provocar os seus danos, e do Palácio de Belém, o homem tão experiente e creditado em economia e finanças não mexeu uma única palha. Limitou-se a mandar, de vez em quando, mensagens e recados, como se fosse mais um comentador ou analista.

 

Por outro lado, este mandato de Cavaco Silva fica marcado por episódios nada abonatórios. A começar na célebre declaração do Verão de 2008, em que obrigou o País a parar em Agosto, por causa de uma questão constitucional relativa aos Açores. Quando, por muito relevante que fosse a matéria, o PR deve ter noção do que trata e lida com o País, pois para a maioria dos portugueses esta questão constitucional não tem nenhum relevo. E os episódios agravaram-se, com a estória, muito grave, de que o Governo andava a escutar o Palácio de Belém, quando se percebeu que foi uma coisa montada por uns assessores de Cavaco. Encontrou-se o artífice da conspiração, mas nada foi feito. A novela do BPN, seus dirigentes, por sinal membros da Comissão de Honra da candidatura, e ligações a Cavaco Silva, com casas e negócios à mistura, nem vale a pena referir, por que a poda é conhecida destes dias. E, não menos lamentável, foi a passividade de Cavaco Silva, quando em Praga, Portugal era alvo de chacota do Presidente checo. Entre outros e nada abonatórios exemplos, da demissão do PR das suas responsabilidades.

 

O mais curioso desta campanha é que Cavaco disse há dias, e muito bem, qual a função do Presidente: "apontar caminhos estratégicos, grandes linhas de orientação (…) essa é a função", precisamente aquilo que Cavaco Silva não fez em cinco anos.

 

Os próximos anos requerem um Presidente que possa corresponder aos anseios e aspirações dos portugueses, e Cavaco Silva, pelo mandato que completou, deu provas de não ser a pessoa indicada.

 

Pela minha parte, prefiro um País Alegre, que não se resigna nem conforma, e deseja o melhor para todos.

 

(artigo publicado no Jornal de Odivelas, em 20/01/2011)

Carlos Manuel Castro às 11:38 | link do post | comentar