A Lusofonia é uma das saídas para a crise que atravessamos

Portugal é um Estado da UE, da qual se orgulha e na qual tem registado grandes progressos civilizacionais, com benefícios para todos. Mas a vocação universal portuguesa não se esgota nas outrora comunidades europeias. A dimensão ibero-americana e transatlântica são também outras das vocações e participações nacionais relevantes.

 

Porém, é na Lusofonia que o ADN luso mais se realça. E isso tem sido patente nos grandes contributos que Portugal tem dado à UE, quer com a organização das primeiras cimeiras UE/África quer na concretização dos laços e cimeiras UE/Brasil, muito por causa da dimensão lusófona de Portugal.

 

É evidente que a Lusofonia está muito aquém das suas potencialidades. Mas, neste caso, o Presidente da República portuguesa tem um papel especial na sua edificação e desenvolvimento. Basta recordar que Portugal teve, primeiro com Mário Soares e depois com Jorge Sampaio, dois Presidentes apostados nos primeiros passos da CPLP. Todavia, nos últimos cinco anos, assistimos a um Presidente da República português inactivo. Bem poderá dizer que fez visitas de Estado a Cabo-Verde, Moçambique e Angola, que realçou a economia e colocou umas pitadas de Lusofonia. Todavia, a Lusofonia não se esgota na área económica, pois esta é uma das partes do grande desígnio lusófono. É precisa uma visão histórica e cultural, social e de inovação, que torne esta comunidade de mais de 200 milhões de pessoas de todo o mundo mais activa e com ganhos para todos os cidadãos lusófonos.

 

Por isso, a Lusofonia requer do Presidente da República de Portugal uma pessoa com visão e sentido de compromisso com todo o espaço lusófono, para que todos os Estados da Lusofonia e, consequentemente, os seus cidadãos, possam contar com uma vida mais digna no século XXI. Isso é mais do que desejável, em África ou em Timor, no Brasil ou em Portugal.

 

Neste contexto mundial, de crise no hemisfério norte e crescimento no hemisfério sul, a Lusofonia pode e deve ser uma das respostas para o desenvolvimento de Portugal, mas também de melhoria e solidariedade nos países que fazem parte da CPLP.  

 

Manuel Alegre dá-nos a garantia de estar à altura de saber fazer do desafio lusófono uma grande oportunidade para Portugal e para a CPLP.

 

A nova e complexa era multipolar requer agentes activos e empreendedores, e a Lusofonia tem uma palavra a dizer. Saibamos entender que temos um papel relevante neste novo tempo.

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Carlos Manuel Castro às 23:59 | link do post | comentar