Marrar onde é preciso

 

Vou desligar a televisão. O circo da política - onde estaremos nós os que escolheram os seus candidatos, com aqueles que não votaram, que ficaram em casa, dos que votaram em branco, juntando-se ao circo dos comentadores, do espectáculo das análises, é demasiado para mim. Vou apenas deixar um abraço forte no Alegro, aos muitos companheiros desta última semana que me fez tão bem à alma, e depois vou arranjar um silêncio bom para digerirmos as Viagens de Guliver que acabámos os dois de ver. Fazer os bolinhos de canela que planeámos os dois fazer. Depois, quando ele adormecer, vou praguejar.

 

Uma segunda volta parecia-me bem, muito bem, uma grande alegria. Ir até Belém comer pastéis sem medo de encontrar Belém feita um aldeamento da Coelha, parecia-me ainda melhor. Ver um Conselho de Estado onde de repente caísse um poema, foi um pequeno grande sonho. Mas a esquerda não é um end, é um begin. Viver é um acto de utopia, reaprendi nesta última semana. Há o amor, o meu filho, os filmes, os bolinhos, a alegria, o teatro, a investigação, a nossa peça, o nosso filme, as imagens felizes. O tempo que posso estar com os que amo.

 

E há também as imagens contentes: é com contentamento que imagino a 2ª Feira de Cavaco, a ler finalmente o Paulo Pena na Visão.

 

Joaquim Paulo Nogueira às 20:53 | link do post | comentar