Sexta-feira, 21.01.11

«Cavaco é um mau intérprete da democracia e da República»

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Público, 21/1/2011

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Joana Lopes às 22:36 | link do post | comentar

«O Quinto Cavaleiro»

,,,

 

«Quem o garante é economista e professor de Economia, ex-catedrático e tudo e, se ele o garante, quem é o povo para duvidar?

 

Ora o que ele garante é que, se o povo não o eleger já no domingo, como é "essencial", abrir-se-ão os mares e desabará o céu. E pior acontecerá em terra: a sua não eleição à primeira volta provocará imediatamente, avisa ele, "uma contracção do crédito e uma subida das taxas de juros", com consequências apocalípticas para "empresas e famílias".

 

"Imaginem o que seria de Portugal, na situação económica e financeira complexa em que se encontra, se prolongássemos por mais algumas semanas esta campanha eleitoral", avisa de novo. O povo imagina e o que vê deixa-o petrificado de terror: ao lado da Morte, da Fome, da Peste e da Guerra, cavalga agora o Quinto Cavaleiro, o terrífico Mercado, e todos juntos precipitam-se a galope sobre "empresas e famílias".

 

Por isso o povo correrá a eleger o ex-catedrático no domingo. Ou no sábado, se lhe permitirem. Elegê-lo-ia até sem eleições (por exemplo, suspendendo-se a democracia por seis meses, assim se poupando milhões porque a democracia é cara). Só o ex-catedrático pouparia os 2,1 milhões de euros (um recorde absoluto) que gastou na campanha. E se, depois, na Presidência, poupasse ainda aos contribuintes uma parte dos 17,4 milhões que gastou em 2010 (outro recorde absoluto), talvez, quem sabe?, o crédito se descontraísse um poucochinho.»

 

Manuel António Pina, no JN

Joana Lopes às 11:22 | link do post | comentar
Quinta-feira, 20.01.11

Não lembra ao careca

Mas a nada, nada mesmo, resiste o populismo de Cavaco Silva.

 

«Nós não podemos prolongar esta campanha por mais três semanas. Os custos seriam muito elevados para o país e seriam sentidos pelas empresas, pelas famílias, pelos trabalhadores, desde logo, pela via da contenção do crédito e pela subida das taxas de juro.»

 

Está nervoso, Presidente?

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Joana Lopes às 19:12 | link do post | comentar

A esposa ideal segundo Cavaco Silva

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Joana Lopes às 15:00 | link do post | comentar
Quarta-feira, 19.01.11

Só o meu Zé é que marcha direito

 

… terá dito a mulher do único soldado que tropeçava nos seus próprios pés, num batalhão inteiro de passo acertado. É o que me faz lembrar Vasco Graça Moura:

 

«Com esses contactos desmultiplicados e com as ideias claras que vai deixando um pouco por toda a parte, Cavaco Silva foi a única personalidade directamente envolvida nas eleições que não disse coisas estúpidas.»

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Joana Lopes às 21:00 | link do post | comentar

E eu que nunca geri o orçamento da minha família, dr. Cavaco!...

 

Ou da insuportável concepção que este ser tem das mulheres, como se todas fôssemos ainda membros da Obra das Mães!

 

«As mulheres portuguesas que gerem os orçamentos das famílias são as mais bem preparadas para identificar onde está o rumo certo, aqueles que as podem ajudar para melhorar o bem-estar dos seus maridos e dos seus filhos.»

 

Mas ouvido é outra coisa (minuto 1:10):

 

P.S. - Vítor Sousa deixou a seguinte frase como comentário a este post: «As mulheres que desempenham um papel fundamental, um pilar na família, na protecção das crianças e fazem milagres com o orçamento limitado da casa» - António de Oliveira Salazar

Joana Lopes às 16:18 | link do post | comentar | ver comentários (7)

A liberdade de imprensa no longo Inverno Cavaquista

 No fim de Março de 1993, a maioria social-democrata aprovava um novo Regulamento de Segurança e Circulação na Assembleia da República, que criava zonas proibidas aos jornalistas, nomeadamente os corredores de acesso aos partidos e, em particular, ao PSD. Em resposta, a comunicação social acreditada na Assembleia decretou um boicote à cobertura da actividade parlamentar e de S. Bento nada transpirou. Mesmo assim, o Presidente Barbosa de Melo não cedeu. O Presidente da República pediu-lhe bom senso e os partidos da oposição escolheram o lado dos jornalistas. O impasse manteve-se e, no rescaldo dos acontecimentos, o Presidente da Assembleia acabou por cancelar as habituais comemorações do 25 de Abril.

 

Para os (in)felizes dos pobres de memória.

Nuno Félix às 12:46 | link do post | comentar
Terça-feira, 18.01.11

E o revolucionário sou eu?

 

e

Cavaco apoia jovens, pais e professores que "venham para a rua" defender a sua escola

Cláudio Carvalho às 00:25 | link do post | comentar

Serviço público

 

Há quem se interrogue sobre o impacto, ou mesmo sobre a legitimidade, da utilização de acontecimentos do passado dos candidatos em tempo de campanhas eleitorais.

 

Antes de mais, o facto de a respectiva divulgação ser feita preferencialmente nestes períodos deriva de um interesse especial da comunicação social por razões de puro marketing e é uma constante no mundo e no sistema político em que vivemos – para o bem e para o mal. O que talvez seja de lamentar é que não se trate de uma prática regular, ao longo da vida democrática das sociedades.

 

Indo directamente ao assunto, é importante, sim, que os portugueses tenham conhecimento, em Fevereiro de 2011 ou em Maio de 2009 ou de 2007, das tramóias que rodearam a aquisição da casa de férias do seu presidente da República. A ser verdade tudo aquilo que a mais do que insuspeita revista Visão revelou, na passada 5ª feira, há muitas explicações a serem dadas e uma democracia sólida e madura não toleraria que fossem esquivadas.

 

Nesse sentido, e correspondendo a vários pedidos de quem não conseguiu comprar um exemplar da Visão, divulgo o respectivo dossier num pdf que uma alma caridosa me fez chegar e que pus agora online.

 

Dar a conhecer os bastidores do mundo em que se move o nosso PR, no mínimo financeiramente tortuoso, não é coscuvilhice ou conversa de alcova. É serviço público, nada mais.

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Joana Lopes às 00:09 | link do post | comentar
Domingo, 16.01.11

Um voto, uma escolha

Voto em Manuel Alegre porque é a alternativa mais credível a Cavaco Silva.

Uma alternativa, antes do mais, de projecto para o país.

Manuel Alegre foi claro ao escolher como bandeiras a democracia e o Estado social. A defesa da democracia por Manuel Alegre não é um combate retrógado a um quimérico regresso a uma ditadura. O que está em causa não é uma reedição do antigo regime, mas o esvaziamento de direitos sociais da nossa democracia, reduzindo-a a uma democracia formal, oca, ainda mais alheada da vida das pessoas comuns. O que não podemos permitir é que a democracia seja um álibi para uns poucos decidirem o que é inevitável nas condições de vida da maioria.

Um Estado social capaz de responder às necessidades da população na área da educação, da saúde, da segurança, é uma ferramenta ao serviço da integração social, da participação pública e da revitalização de uma democracia em crise de representatividade.

Cavaco Silva, na entrevista a Judite de Sousa na RTP, apontou como alternativa à entrada do FMI em Portugal a venda de activos do Estado, como a EDP e a Galp. Ou seja, depois do Estado socializar o prejuízo do BPN, deveria renunciar aos lucros de empresas participadas pelo Estado, abrir a porta à subida de mais preços e, para compensar a quebra de receitas, cortar mais no Estado social.

A escolha de Manuel Alegre não é só a escolha de um projecto político, é também o voto numa pessoa.

É o voto num homem livre e não num homem prisioneiro de si mesmo, que promulga leis e depois vem a público resmungar acerca das leis promulgadas.

É o voto num homem justo e não num homem que admite, na entrevista à RTP, que as avaliações das agências de rating da dívida pública portuguesa são «um pouco injustas» e logo se indigna contra quem denuncia a injustiça. Como se cobrar um juro elevado fosse um favor e não um excelente negócio para quem o cobra.

É o voto num homem fraterno e não num homem que nem sequer respeita os actuais administradores do BPN que integram a sua comissão de honra.

Votar em Alegre é escolher viver num país melhor.

João Miguel Almeida às 22:21 | link do post | comentar

O nível dos apoiantes de Cavaco e a tese da "campanha negra"

 

 

Cansa ouvir a tese vitimizadora de que está a ser desenvolvida uma campanha negra contra Cavaco, ainda para mais, quando um dos maiores apoiantes de Cavaco atinge, sem dificuldade, o expoente máximo da vil baixeza, como se pode constatar pela imagem acima apresentada. Entretanto, também os boys papalvos alimentam a campanha de desinformação e ostensiva, mas na realidade é difícil esconder que Cavaco já sofre na pele os efeitos de um mandato desastroso. Realce-se, ainda, a singularidade histórica do momento: deve ser das primeiras manifestações, em que Cavaco Silva não responde com o cassetete.

Cláudio Carvalho às 20:56 | link do post | comentar

Imaginar a Alegria.

Demorei muito tempo a dizer a mim mesmo que ía votar em Manuel Alegre. O que parece um contra-senso para alguém que nas últimas eleições votou alegremente Alegre . E votei por ele, pelo que ele é, pelo que representa, mas votei também contra aquilo que penso ser uma reiterada incapacidade do PS de José Sócrates perceber a importância do exercício da função presidencial no actual sistema político português, não criando as condições para um verdadeiro debate no partido sobre esta questão. E até desvalorizando a forma como, contando com esta, desde há duas eleições que esta questão divide seriamente o Partido Socialista. Essa uma razão principal que retardou tanto tempo a minha decisão. Eu não conseguiria votar nas eleições presidenciais sem alegria. 

 

Foram precisas as últimas semanas de campanha de Cavaco e Silva para eu perceber que o que era importante nestas eleições não eram os meus humores com a atitude da liderança do PS face às presidenciais,  sim a ideia de que contra um Portugal escavacado pela tutela da arrogância, da auto-satisfação, dos acordos e convénios invisíveis com personagens sinistras, há que opôr uma ideia de um país que não abdica da sua alegria, da sua festa, da sua cultura e que nela se faz forte, como cem, como mil, como um milhão. Porque a cultura não multiplicando os pães, centuplica os espíritos, a sua coesão, a sua identidade.

 

Foi preciso eu deixar de olhar para trás e por momentos concentrar o meu olhar no futuro. Imaginei o país com Cavaco mais cinco anos. Imaginei o invisível, aquilo que só sabemos depois: as acções do BPN, "as escutas em Belém",  a forma como ele toma as suas decisões, do pessoal ao político, " disseram-me para eu escrever uma carta, não sei nada sobre isso, sou um mísero professor", "o Governo e o BP garantiram-me que era a única solução possível". Acrescentei-lhe o lado vísivel da arrogância de Cavaco, a sua relação com a Cultura, antevi um Conselho de Estado dominado por opiniões mesmificadas,  manobras corporativas, interesses inconfessáveis. Antecipei anos que vêm aí de intensa crise económica, com um discurso político totalmente colonizado por uma ideia de catástrofe/salvação tão propícia à especulação dos mercados financeiros e onde se distinguia a voz de Cavaco a dizermo-nos o que poderíamos ganhar se fossêmos formiginhas amestradas no carreiro.  Previ até um país governado por Passos Coelho, acolitado por Portas. O futuro com Cavaco e Silva é tão prevísivel que nos exclui.  E assustei-me. Muito.

 

E depois predispús-me a fazer o mesmo exercício em relação a Manuel Alegre. Mas antes de me dedicar a isso tive de fazer uma operação de descondicionamento mental: compreender que a necessidade e a importância de, num cenário de crise financeira agravada, ter alguém em Belém que percebe ( mas afinal tão pouco!) de Economia é uma falácia. E  que só tem como objectivo submetermo-nos à ideia de que, com as nossas experiências de vida, nos está vedada a compreensão das condicionantes e consequências desta crise.

 

E aí imaginei um País com Manuel Alegre como Presidente. Comecei por imaginar um Conselho de Estado onde houvesse intelectuais, artistas, criadores. Onde, por contágio, a valorização da Arte e da Cultura pudesse ser de tal forma que se considerasse que a presença do Estado nestas áreas, tal como na ciência, na educação, na saúde, é um investimento, uma parceria pública e privada como tanto se diz. Imaginei um presidente que se empenha, a nível europeu, numa iniciativa urgente de defesa da construção europeia, das economias mais frágeis. Não é preciso perceber de economia para perceber o quanto a Europa está presa por um fio de linha. Antevi um presidente que é solidário com as condições de vida agravada dos portugueses nos próximos tempos. Fará muito pelos portugueses um Presidente que compreenda que, na dimensão simbólica do magistério presidencial, há um imenso espaço de actuação para que possamos, enquanto comunidade, acreditar que é através da política que podemos resolver-nos. E mais do que isso, percebi que era possível esperar de Manuel Alegre um empenho fortíssimo na criação de um espaço onde à esquerda, naquilo que ela representa enquanto princípios e valores  - representação essa que não está refém daquilo que é a prática política dos Partidos que ocupam o lado esquerdo do hemiciclo parlamentar - consigamos reorganizar o nosso discurso e sermos capazes de falarmos sobre a crise que vivemos e da forma como a podemos superar. Neste país alegre tudo era imprevísivel. Mas cabíamos todos lá dentro.

 

E ao fim dos cinco minutos de sonho a que me concedi percebi uma coisa que me estava a escapar: eu não votarei num candidato apenas por aquilo que ele é. Ninguém é sozinho. Todos somos em relação. Votarei em Manuel Alegre por aquilo que antevejo que poderemos vir a ser, com ele, nos próximos cinco anos. Porque nos próximos cinco anos vamos ter de nos superar.  

 

Joaquim Paulo Nogueira às 15:29 | link do post | comentar
Sábado, 15.01.11

Terá mesmo de ser explicado como a crianças de 4 anos

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O PR candidato afirmou ontem que a reforma da «sua senhora» não chega a 800 euros e que esta depende portanto dele.

 

Vamos a contas, deixando de lado a odiosa mentalidade revelada no tom e no conteúdo do que foi dito.

 

A dita senhora foi professora desde 1960 e ter-se-á reformado em 1998 – 38 anos de trabalho, portanto. Desses, passou dois em Moçambique (onde leccionou, mas dou de barato que tenham sido perdidas informações) e três em Inglaterra.

 

Sobram 33, dos quais mais 20 «como regente da disciplina de Língua Portuguesa na Universidade Católica Portuguesa» e os outros em colégios e liceus de Lisboa.

 

Descontou mais de três décadas, como professora do secundário e universitária e recebe menos de 800 euros? «Perderam» a reforma de Maria Cavaco Silva, como o esposo afirmou? Absolutamente impensável – digo eu que também tenho uma composição esquisita de actividade na função pública e privada, passando por três anos no estrangeiro, que me reformei pouco depois e que sei como isso funciona (relativamente) bem ali pela repartição na Estados Unidos da América. Ou não terá descontado??? Como assim?

 

(Também publicado aqui.)

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Joana Lopes às 11:47 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Sexta-feira, 14.01.11

Vamos à 2ª volta!

As sondagens são, como se sabe, enganosas. Aliás, elas são importantes sobretudo porque – mesmo que sejam tendenciosas e manipuladas como muitas vezes acontece – conseguem induzir a convicção de uma vitória ou de uma inevitável derrota entre as hostes de cada candidatura e do eleitorado. Não está escrito nas estrelas, nem mesmo se pode deduzir da análise desta campanha, que Cavaco Silva ganhe já no dia 23. As flutuações de votos entre diferentes bases eleitorais serão, sem dúvida, significativas. Mas era bom que os candidatos da esquerda (mais Nobre) conseguissem fixar os seus potenciais eleitores. O resultado é sempre fruto da conjugação entre sensibilidades contrárias, sendo certo que algumas delas podem anular-se mutuamente no acto eleitoral e fazer aumentar a abstenção para níveis inesperados. Mas, por outro lado, a capacidade de mover confluências e de criar laços entre forças politicas contrárias pode fazer potenciar a votação no candidato aglutinador da esquerda.

 

Em todo o caso, é previsível nesta eleição que, primeiro: haja forte abstenção à direita e à esquerda; segundo: Cavaco tire obviamente a vantagem do poder e de uma imagem sorumbática que (infelizmente) muitos portugueses confundem com "autoridade" ou "seriedade"; terceiro: que Alegre beneficie dos apoios de dois partidos que se digladiam no Parlamento e na política, mas cujas bases eleitorais se revêem nos valores e políticas da esquerda (em especial a defesa do Estado social). O facto de Manuel Alegre estar agora no centro de um leque tão divergente de protagonistas – aliás, agravado com a exposição mediática dos líderes do BE e do PS nos últimos dias da campanha – pode ser interpretado pelo eleitorado como a prova de que Alegre é de facto potenciador de consensos. E isso estimular os votantes anti-Cavaco.

 

Estou convencido de que a possibilidade de uma segunda volta está em aberto. Tudo depende de como se comportarem os candidatos nesta recta final. É visível que Cavaco está nervoso e que começa a fazer disparates mais frequentemente. Num dia aparece em sintonia com o Governo, no dia seguinte dramatiza com a gravidade da crise. Num momento veste a pele de Presidente, logo a seguir a de líder da direita; num dia defende os pobres no outro aplaude os sacrossantos mercados. A forma como a austeridade for conotada mais com Cavaco ou mais com o Governo pode atingir negativamente um ou outro. Porém, se todos aqueles que não querem mais Cavaco na presidência e também não se identifiquem com Alegre forem votar no dia 23, em qualquer um dos candidatos alternativos, teremos certamente uma segunda volta. São esses que farão a diferença, pois o grande combate é agora contra a abstenção à esquerda.

 

E todos os argumentos são importantes para mobilizar os nossos amigos para votar nestas presidenciais.

Elísio Estanque às 14:49 | link do post | comentar
Quinta-feira, 13.01.11

Silêncios piores do que 1.000 palavras

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Presidenciais: Campanha de Cavaco Silva

 

Conversa entre um eleitor de Valpaços e o candidato:

 

- "Sou um apoiante seu. Sou um antigo combatente, estive em Moçambique. Estive lá em 67, 68 e 69"

- "Eu estive um pouco antes", responde Cavaco.

- "O Manuel Alegre fugiu", remata o apoiante.

 

Cavaco Silva não responde, arqueia as sobrancelhas e coça o nariz.

 

(Bárbara Baldaia / Ricardo Oliveira Duarte)

 

Via TSF no Facebook

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Joana Lopes às 14:04 | link do post | comentar
Quarta-feira, 12.01.11

Passado Presente

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Joana Lopes às 23:12 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sábado, 08.01.11

As presidenciais que aí vêm e a crise que já cá está

 

Sandra Monteiro acaba de publicar um texto importante no último número de Le Monde Diplomatique.

 

(N.B. - Miguel Cardina já ontem recomendou a sua leitura, mas julgo que se impõe um maior destaque.)

 

O que está em causa não é apenas escolher, dentro de alguns dias, o candidato que deverá ocupar o palácio de Belém durante os próximos cinco anos mas, antes disso, parar para pensar qual o papel que o actual presidente teve no período que agora termina e como se comportou perante a terrível crise que entretanto nos atingiu.

 

Os excertos que se seguem não dispensam a leitura na íntegra.

 

«Os eleitores podem optar por dar um sinal político forte de que não estão do lado da crise − nem da sua génese, nem das respostas que impedem que se lhe veja o fim. Se o quiserem fazer, serão úteis todos os votos que não recaiam no candidato Aníbal Cavaco Silva. (…)

 

Cavaco Silva é, assim, um protagonista activo, e talvez durante mais tempo do que qualquer outro político da actualidade, do processo do neoliberalismo à portuguesa, não um processo em que do constante ataque ao Estado resultem simples e generalizadas privatizações, mas antes uma permanente disputa pela reconfiguração do Estado de modo a que este seja, com os seus recursos, cada vez mais colocado ao serviço da acumulação do capital financeiro, da corrosão do Estado social e dos princípios de universalidade, de redistribuição e de igualdade que estão na base da construção de sociedades de bem-estar.(...)

 

Aquilo a que o candidato Cavaco Silva chama «aventura», quando se refere às escolhas que os portugueses podem sentir-se no direito de fazer, é no fim de contas um atestado de menoridade aos cidadãos e, em consequência, à própria democracia. (…)

 

Na sociedade da «fabricação do consenso» finge-se a neutralidade política e escondem-se os interesses, legítimos ou não, que se escondem por detrás das atitudes dos mais fortes (as dos mais fracos, pelo contrário, são sempre alvo de suspeição ou denúncia). Se assim não for feito, corre-se o risco de os cidadãos se entusiasmarem com a aventura da democracia: que se ponham a pensar e se informem; que não aceitem formar opinião sem ouvir pontos de vista realmente contraditórios; que sintam o prazer do debate e a responsabilidade de serem parte de uma decisão; que não se sintam impotentes por tudo ser decidido longe deles e independentemente da sua vontade. Neste tempo de deriva suicidária da União Europeia, em que certa política se diz refém dos mesmos mercados cujo poder ela construiu, as próximas eleições presidenciais podem dar um sinal de que muitos cidadãos não estão do lado da crise: nem da crise que lhes impõe a austeridade e as desigualdades, nem da que os menoriza como sujeitos políticos no quadro da democracia. Derrotar Cavaco Silva será derrotar o rosto desta dupla crise, económica e política. Mas, aconteça isso ou não, a desconstrução dos mecanismos de «fabricação do consenso» é uma prioridade tão urgente antes como depois destas presidenciais da crise.»

 

(Publicado também aqui)

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Joana Lopes às 12:16 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Quinta-feira, 06.01.11

Olhos nos olhos

 

Cavaco Silva, o candidato que não olha os seus adversários nos olhos, resolveu mandar um conselheiro seu explicar aquilo que só ele podia explicar. Só é pena que Alexandre Relvas tenha falado muito e explicado nada. A candidatura de Manuel Alegre faz bem em não se intimidar perante acusações de "baixa política" e em exigir os esclarecimentos devidos. Se nada tem a esconder, talvez Cavaco devesse dar ouvidos àqueles que no seu campo político também já clamam por explicações, cientes de que o caso nada de bom traz à imagem esfíngica que o candidato da direita gosta de cultivar. É que ainda há muita política para discutir, e queimar tempo é próprio dos jogadores com falta de confiança nas suas capacidades.

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Miguel Cardina às 12:22 | link do post | comentar

Memória Histórica: "Governar com o cassetete"

Cláudio Carvalho às 08:30 | link do post | comentar | ver comentários (3)

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