Quinta-feira, 27.01.11

E=MC^3....ao cubo precisamente!

Desculpem voltar atrás mas há coisas que me confundem.Ora então agora Manuel Alegre foi o único e exclusivo culpado do resultado de dia 23!?!

É uma das deduções mais brilhantes que pude admirar ao vivo nas ultimas décadas, pelos menos nas 3 ultimas!

Manuel Alegre obrigou e forçou toda a gente dentro do PS,qual ditador maléfico, impôs-se sem qualquer alternativa para ninguém subjugando todos os dirigentes e responsáveis nalguma masmorra ideológica recôndita e depois fez tudo mal, sozinho!Espantoso!

Soa-me a disparate demasiado conveniente e pouco convincente.Soa-me a uma ideia tão genialmente estúpida que se assemelha a uma conclusão de menino cábula que no quadro circula entre o 2+2=5 e o E=MC^3!!!

Quem no PS decidiu...decidiu.Quem se opôs..opôs.Nos lugares e foruns próprios.Quem calou...consentiu.É da vida,temos pena!

Quanto ao resto da fauna politica ou "comentadeira" que regurgitou barbaridades nos últimos dias, por favor...alguma honestidade intelectual por favor!

Então Manuel Alegre perdeu porque foi apoiado por dois partidos políticos com posições opostas?Se foi essa foi a razão da derrota de Manuel Alegre então Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio não teriam tido tantos mandatos cada...certo?Alegre obrigou sozinho um grande partido o seguir o seu ego e deixou-se instrumentalizar por um pequeno partido, de certeza?Manuel Alegre tem muita culpa do cartão amarelo ao PS devido ao contexto Governo/Crise?Qual foi mesmo o resultado das ultimas eleições europeias por exemplo, foi bom para o PS/Governo?

O apoio a Manuel Alegre foi assim tão consensual no BE? A forte abstenção deveu-se exclusivamente ou principalmente a Manuel Alegre? NÃO!

Se existiram muitos sorrisos amarelos pela Direita com a vitória (enfim,tinha que ser apesar do enfado!) de Cavaco Silva, também existiram sorrisos sentidos na Esquerda....embirro com uns e com outros, sorrisos de cobardes, parasitas ou canibais irritam-me.

 

"Friends, Romans, countrymen, lend me your ears; / I come to bury Caesar, not to praise him; / The evil that men do lives after them, / The good is oft interred with their bones."

 

 

Paulo Ferreira às 10:18 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Segunda-feira, 24.01.11

Um homem perigoso!

Não vou comentar os resultados das eleições. Apenas pedir para observarem o número de votos brancos e nulos e a percentagem da abstenção.

 

Vou apenas referir que dos discursos de Cavaco Silva só se pode concluir uma coisa - temos razão:

 

  • Um homem ressabiado
  • Um homem que não sabe viver em democracia
  • Um homem mal-educado que nem sabe que no combate político é preciso aceitar a discussão das ideias
  • Um homem que não sabe que não pode estar acima da lei
  • Um homem que apareceu com desejo de vingança
  • Em suma, UM HOMEM PERIGOSO!

Daqui para a frente, Cavaco vai ter que viver com a realidade. Já não pode dizer que a sua honestidade está acima de todas as dúvidas. Já não pode apregoar-se da tolerância. Já não pode pensar que as pessoas esqueceram o que fez enquanto 1º Ministro.

 

Daqui para a frente ainda é preciso estarmos mais atentos!

 

Paula Cabeçadas às 14:14 | link do post | comentar
Sexta-feira, 21.01.11

As encomendas de Cavaco Silva

Hoje Cavaco Silva declarou à Rádio Renascença que alguns jornalistas tinham recebido encomendas para abordar nos seus órgãos de informação as negociatas em que ele se tinha metido. Já se sabe que o termo negociata é meu.

 

É preciso ter desplante para vir apoucar os jornalistas por receberem encomendas para incomodarem S. Exª e ter-se esquecido da encomenda que o seu assessor para a imprensa Fernando Lima fez a um tal jornalista do Público para fazer umas averiguações sobre certos senhores que frequentavam a sua comitiva, quando da sua deslocação à Madeira há alguns anos. Parece que já se está a esquecer da encomenda que fez a José Manuel Fernandes para que este lançasse no Público a atoarda de que ele, Cavaco Silva, andava a ser escutado pelo Governo, isto numa altura em que o PSD, chefiado por Manuela Ferreira Leite, falava da "asfixia democrática".

 

Grande encomenda me saiu este Cavaco Silva, ficar-lhe-ia bem conhecer este ditado popular “quem tem telhados de vidro não atira pedras ao do vizinho”.

Jorge Nascimento Fernandes às 19:24 | link do post | comentar | ver comentários (2)

As taxas de juro

Se calhar... Era mesmo isto que ele queria.

Paula Cabeçadas às 13:12 | link do post | comentar
Quinta-feira, 20.01.11

Cavaco está nervoso

Agora Cavaco Silva lança mais uma atoarda para o medo que quer instalar:

 

O candidato presidencial Cavaco Silva alegou hoje que uma segunda volta das presidenciais teria custos para todos os portugueses, "desde logo pela via da contenção do crédito e pela subida das taxas de juro".

 

Instalou-se o nervosismo?

Paula Cabeçadas às 19:21 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Directamente do baú

Cláudio Carvalho às 16:17 | link do post | comentar

1 Presidente, 1 Governo e 1 Assembleia

O sistema político português, e para além do das autonomias, autarquias e do poder judicial, foi concebido com um equilibrio muito especial entre a Presidência da República, o Governo e a Assembleia da República. Os constitucionalistas sabem-no de uma forma muito precisa, os cidadãos têm disso uma consciência quase intuitiva. O grande lema que já está interiorizado em qualquer presidente é, "sou o Presidente de todos os Portugueses". Independentemente da base de apoio eleitoral que suportou as suas candidaturas Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio e o próprio Cavaco Silva, acabaram, de uma forma ou de outra, por serem alvo, enquanto presidentes, da tolerância e da aceitação da maioria dos portugueses. Curiosamente  Jorge Sampaio teve mais problemas com as suas bases de apoio, do que com aquelas que suportaram eleitoralmente os seus adversários. 

 

É por isso que a reeleição de um presidente em exercício tem sido, desde o 25 de Abril, um dado quase adquirido e até um factor de alguma coesão nacional. Excepto com Cavaco Silva.  Não há memória de um presidente que tenha descaracterizado de modo tão grande a sua base de apoio inicial e que não tenha conseguido granjear apoios em sectores políticos que não são os seus apoiantes tácitos de sempre. E isto por uma razão muito simples: Cavaco Silva foi de facto um mau presidente da República, que raramente tomou posição sobre alguma coisa; que se refugiou em conceitos de uma grande opacidade política. Que se meteu em coisas, como o caso das eventuais escutas e vigilância ao seu correio electrónico,  que só evidenciaram que ele não está ainda bem no século XXI; que deixou arrastar demasiado tempo a demissão de Dias Loureiro do Conselho de Estado; que teve uma posição ridícula na morte de Saramago. E que demonstrou que ter em Belém um especialista em finanças não servia para coisa nenhuma que não fosse assinar de cruz numa proposta do Governo. Descontando desde já as manifestações de arrogância e inabilidade comunicacional que sempre o caracterizaram. Isto na lado visível da política. Porque os casos da SLN e o aldeamento da Coelha lançam, legitimamente, as maiores suspeitas sobre o lado invísivel do trabalho político de um conjunto de colaboradores políticos com quem Cavaco poderá ter continuado a ter relações de natureza financeira e comercial.

 

Nenhuma sondagem pode salvar o óbvio: Cavaco está em queda acentuada (caiu mais de 10 % percentuais) e poderá mesmo vir a ser obrigado a ir a uma segunda volta. Tudo depende da abstenção, do voto em branco. É por isso que o dia 23 é tão importante.

 

 

Joaquim Paulo Nogueira às 13:12 | link do post | comentar

O segundo nascimento de Cavaco Silva

Cavaco terá de nascer segunda vez para ser tão frugal nas despesas da Presidência da República como em ideias (ver aqui).

Cavaco terá de nascer segunda vez para saber o que é o Estado social.

Cavaco terá de nascer segunda vez para saber escolher conselheiros de Estado que não tenham problemas com a Justiça, financiadores de campanhas que não estejam metidos em negócios obscuros e vizinhos que não sejam arguidos.

Cavaco terá de nascer segunda vez para saber que não tem de saber da vida privada dos seus filhos quandos eles saem de casa, mas tem de saber da integridade dos seus homens de confiança política.

Cavaco terá de nascer segunda vez para distinguir entre difamação e legítimo escrutínio das acções privadas de figuras públicas.

Cavaco terá de nascer segunda vez para saber que uma escritura pública é pública.

Cavaco terá de nascer segunda vez para saber que um Presidente da República é livre de não promulgar as leis com as quais não concorda. 

Cavaco não precisa de nascer segunda vez para ser o Presidente de uma parte dos portugueses - já o é e precisa de um segundo mandato para ser ainda mais o Presidente de uma parte dos portugueses.

João Miguel Almeida às 10:45 | link do post | comentar
Quarta-feira, 19.01.11

Contra a Crise, Suspender a Democracia?

Já ouviramos da ex-líder do PSD que a suspensão da democracia por 6 meses para efeitos de, digamos assim!, "endireitar as coisas", seria uma das soluções a ponderar - à época, é certo!... Agora é a vez de Cavaco Silva alarmar os portugueses dizendo que mais 2 semanas de campanha eleitoral, seria penoso e "insustentável" para o país... Acontece que a eventualidade de existir campanha eleitoral por mais 2 semanas, significaria que o povo português exigira, através do exercício do voto, uma 2ª volta... Será que o actual Presidente da República, no final do seu 1º mandato, está a sugerir contenção eleitoral para não agravar a crise? - ou, simplesmente, a criar falsos argumentos populistas para induzir os eleitores em erro, na pressuposição de que uma eleição à 1ª volta reduz os custos de uma crise financeira cujo controle não está, de todo!, nas mãos dos portugueses?... sejamos sinceros, para além de extremamente demagógica, é uma falácia gravosa ao nível do entendimento político que se requer a um Presidente da República... ou, pelo menos, de muito mau gosto!

Ana Paula Fitas às 19:24 | link do post | comentar

"Ter mais de 60%, que é para a ripada ser maior aos talibãs"

Assim se exprimia um apoiante de Cavaco, em Oliveira do Hospital, em frente de uma câmara de televisão. A forma, como se vê, não é das mais elegantes, mas ao candidato e aos seus apoiantes não se exige mais. Quem na demagogia mais descabelada, aconselha a não se prolongar por mais umas semanas a campanha eleitoral porque “os custos seriam muito elevados para Portugal e para os portugueses”, ou quem destina às mulheres o papel de fadas do lar, porque são elas “que gerem os orçamentos das famílias e são as mais bem preparadas para identificar onde está o rumo certo, aqueles que as podem ajudar para melhorar o bem estar dos seus maridos e dos seus filhos,” não se pode esperar um estilo diferente do dos seus apoiantes.

 

Cavaco no seu discurso desconchavado promete benesses a quem nele votar, os seus apoiantes, pelo contrário, prometem ripada nos talibãs, que somos todos nós.

 

É o fascismo doce que sempre se perfilou por detrás de palavras mansas e cordatas dos democratas “pós-25 de Abril”. Mas, está sempre à porta, à espera de poder entrar. Não é por acaso que Cavaco condecorou Pides e não Salgueiro Maia, ou permitiu que o seu Secretário de Estado interditasse o envio do livro de Saramago, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, a um prémio europeu. Mas também não é por acaso que se vai à PIDE declarar que se está integrado no regíme. Este homem não tem qualquer pinta de democrata, só o é porque os tempos correm de feição a este tipo de Governo.

Jorge Nascimento Fernandes às 18:55 | link do post | comentar

"Democratas" de trazer por casa...

 

 

Acho que convinha clarificar os (e)leitores do seguinte:

 

Dos "principais Dirigentes de Associações Académicas e de Estudantes do País" de que falam a JSD e a candidatura do candidato conservador, não consta a representação do Presidente da segunda maior associação estudantil da maior instituição de ensino superior do país, constando outras dirigentes associativos de menor expressão representativa. Não consta, não porque o dito dirigente seja de esquerda e anti-cavaquista - à falta de melhor termo, um orgulhoso cidadão com memória histórica - que se tenha recusado a participar na iniciativa, mas tão simplesmente porque o convite não chegou ou deve-se ter extraviado entre a casa de férias de Albufeira e o Porto.

 

Mais uma vez, a candidatura de Cavaco Silva falta à verdade, é opaca e propagandista.

Cláudio Carvalho às 02:38 | link do post | comentar
Terça-feira, 18.01.11

Uma Pátria cosmopolita ou um “Portugal dos pequeninos”

A escolha entre Manuel Alegre e Cavaco Silva é uma opção entre uma Pátria cosmopolita e um “Portugal dos pequeninos”,

Manuel Alegre é um cidadão para quem Portugal e os portugueses têm sido as questões centrais com que se tem confrontado permanentemente, como o testemunham a sua vida, a sua obra e a sua intervenção política.

É um homem com muito mundo, que viveu de perto a situação dos emigrantes portugueses no período muito doloroso da emigração a salto para França. Conheceu as suas angústias e as suas esperanças. Como exilado, foi também um emigrante por motivos políticos.

Não esqueço poemas no qual nos fala da dureza das condições de vida, como Portugal em Paris no qual diz:

“(…) Vi minha pátria derramada

Na Gare de Austerlitz. Eram cestos

E cestos pelo chão. Pedaços

Do meu país (..)”.

Manuel Alegre foi durante toda a vida um cidadão empenhado na emancipação dos trabalhadores, no desenvolvimento da cidadania de todos sem discriminações, na construção de um País limpo, livre, justo e solidário.

Manuel Alegre é também um cidadão que empenhado no respeito pela diversidade que somos como portugueses, do ponto de vista espiritual, cultural, ou de origem étnica. Não faz acepção de pessoas, nem distingue entre portugueses, sejam eles cristãos, muçulmanos, judeus, agnósticos ou ateus, portugueses de origem europeia, africana ou asiática.

É também alguém que escuta com solidariedade a voz dos imigrantes e defende a sua inclusão e cidadania.

A Comissão de Honra da sua Candidatura é bem a prova que todos sabem que podem contar com ele, como ele conta com todos.

A sua Pátria é um Portugal cosmopolita e inclusivo.

Em confronto com ele, Cavaco Silva representa um país provinciano, fechado.

Não esqueçamos que seu antigo Ministro da Administração Interna, Dias Loureiro, foi um dos teorizadores da Imigração Zero, que a Europa havia de rejeitar.

Representa na melhor das hipóteses, um “Portugal dos pequeninos”.

Os seus discursos têm vindo a evoluir negativamente podendo-se dizer deles, parafraseando Sophia de Mello Breyner Andresen, grande amiga de Manuel Alegre, “têm o dom de tornar as almas mais pequenas”.

E que dizer da saudação que ontem fez à manifestação das crianças para “defesa da sua escola”.

Repugna-me eticamente a utilização política de crianças, é um abuso da mocidade, qualquer que seja a causa.

Quem, independentemente, das suas opções políticas, quer participar na construção de uma Pátria cosmopolita, e inclusiva, uma sociedade limpa, livre e solidária, vota e apela ao voto em Manuel Alegre.

José Leitão às 23:53 | link do post | comentar

A diferença

“Como é óbvio”, Alegre critica confrontos

Cavaco não consegue tirar “chapéu” de Presidente e fica em silêncio

Paula Cabeçadas às 20:45 | link do post | comentar

Tudo em família - A verdadeira história

 

Nascido a 15 de Julho de 1939, em Poço de Boliqueime, Loulé (Algarve), Aníbal Cavaco Silva é licenciado em Finanças pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, Lisboa, e doutorado em Economia (Estudos Africanos) pela Universidade de York, Reino Unido. Curiosamente, um tempo depois do início dos seus sucessivos governos, a referida terra muda de misteriosamente de nome para Fonte de Boliqueime. Provavelmente "alguém" pensou que não seria de bom tom que uma pessoa desta craveira viesse de um poço. Uma fonte é mais poético e adequado*.

*"-Nós somos um rio, que não vai parar, trálálá lálá..."
(e na cartinha da mocidade os rios nasciam das fontes...)


Foi investigador da Fundação Calouste Gulbenkian e dirigiu o Gabinete de Estudos do Banco de Portugal, instituição que tão bem tratou o seu antigo braço direito e Ministro da Administração Interna, e à qual regressou, posteriormente, como consultor. Cargo que lhe vale o usufruto de uma pensão (na ordem dos €10.000 mensais, coisa pouca…) que acumula com o ordenado de Presidente da República Cumpriu o serviço militar como oficial miliciano do Exército, entre 1962 e 1965, em Lourenço Marques (quanta saudade…), Moçambique. Foi durante a sua participação na Guerra Colonial que descobriu a sua grande paixão, os vídeos amadores com a sua mulher Maria (cuja tese de licenciatura versou sobre o Saudosismo Português de Teixeira de Pascoaes).

Quando voltou, foi docente do ISCEF, Professor Catedrático da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa

(onde teve um processo disciplinar por absentismo) e Professor Catedrático na Universidade Católica Portuguesa (onde aprendeu a gratidão ao ensino privado).

Exerceu o cargo de ministro das Finanças e do Plano em 1980-81, no governo de Francisco Sá Carneiro, do qual se demitiu meses antes da intervenção do FMI na economia portuguesa, tornada inadiável após o seu consulado.

Foi presidente do Conselho Nacional do Plano entre 1981 e 1984, data em que se cruzou pela primeira vez com o… Citroen BX. Mas só um ano depois faz a famosa rodagem ao veículo curiosamente até à Figueira da Foz onde decorria uma convenção partidária, veio de lá Presidente ao Partido Social Democrata (PSD) cargo que ocupou entre Maio de 1985 e Fevereiro de 1995 “apesar de não ser político”.

Único líder partidário a conquistar duas maiorias absolutas consecutivas, o que o tornou no Primeiro-Ministro português que mais tempo permaneceu em funções em democracia (1985- 1995), o que é um feito extraordinário “sem fazer política”.

Cavaco Silva deixou, nos seus mandatos como governante, a marca do esbanjamento de torrentes fundos comunitários à troca dos quais vendeu o tecido produtivo nacional. A firmeza na aplicação de um vasto conjunto de regras formais, que promoveram a democratização e a liberalização da sociedade e da economia portuguesas, como são exemplos: a recusa em perder tempo com a leitura de jornais, a sublimação da evasão fiscal, a promoção de tabus políticos são algumas das faces visíveis da imagem que ostensiva e orgulhosamente cultivou, e que também teve a sua face mais lunar na repressão de movimentos estudantis e sindicais.

Nuno Félix às 18:16 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Segunda-feira, 17.01.11

Beneficium Accipere Libertatem est Vendere

 

 

 

 

A origem da palavra confiança - transformar fibra em fio - remonta a uma época em que fiar era tarefa assaz difícil, executada em grupos que exigiam sinergia, espírito de equipa  e colaboração de cada uma das partes. A confiança assenta numa relação bilateral de carácter incondicional suportada pela original crença conquistada através de um registo perene de atitudes justificativas de semelhante manifestação de fé na praxis alheia. A ingenuidade não é, todavia, timbre deste valor, que cedo se desvanece, perante qualquer facto, atitude ou incoerência que comprove o erro da original crença.

 

A credibilidade é um valor conquistado quando determinado sujeito faz com que a comunidade em que se insere acredite na sua palavra a partir da sua reputação. A credibilidade é lógica, unilateral, racional e surge a partir de indicadores mensuráveis sobre o objecto ou sujeito específico no qual se pode ou não acreditar, tendo por base a percepção que se tem do referido sujeito e respectivas atitudes, palavras e acções.

Tanto a confiança, como a credibilidade, são conquistadas diariamente a partir de requisitos e acções que denotem integridade, demonstrem coerência entre prática continuada e matriz axiológica apregoada, transpirem competência e afirmem cabalmente o cumprimento de compromissos. A confiança é intrínseca e subjectiva; a credibilidade manifesta-se de modo extrínseco, directo e  é facilmente mensurável, devido ao seu carácter concreto e factual. Confiança é um sentimento construído gradualmente e num círculo restrito, tendo como consequência e desiderato o apaziguamento de espírito, extensível a todos os interlocutores, ou a uma grande maioria deles. Credibilidade é um valor factualmente sedimentado, racionalmente intuído e tranquilizador de todos aqueles que se encontram na dependência de determinado sujeito. Em suma, ambos os valores são requisitos essenciais para a aceitação minimamente generalizada de qualquer liderança. São condições sine qua non para o exercício das funções de chefe de estado em qualquer país. Mesmo em Portugal.

 

Independentemente dos resultados eleitorais  do próximo dia 23, existe um facto incontestável que resulta das “recentes” (e “baixas” e “vis”...) descobertas sobre as relações perigosas entre o ainda Presidente da República e a instituição travestida de banco, cujo acrónimo me recuso a escrever: o processo que conduziu Cavaco à posição de accionista da SLN, para além de se revelar altamente lesivo dos interesses económicos da referida sociedade, permitiu à entidade bancária, cujo acrónimo não ousamos referir, adquirir uma imagem de credibilidade e respeitabilidade perante o mercado. A aura de respeitabilidade institucional, motivada por este e por outros casos de semelhante estirpe, permitiu à anterior administração prosseguir com a política de investimentos ruinosos que conduziu, em última análise, à situação actual.

 

A aversão e o incómodo que o caso trouxe às hostes cavaquistas são reveladores da ausência de substrato transcendente aos dois valores acima enumerados, que têm constituído o cerne do mito cavaquista, de há três décadas a esta parte. Ao contrário do que afirma, Cavaco sabe que as memórias do seu consulado em São Bento não são particularmente caras à generalidade dos portugueses e o nervosismo latente resulta do esvaziamento da última fundação que sustentava a sua imagem professoral, lembrança de estados de espírito anacrónicos e que urge debelar da sociedade portuguesa. A confiança na consciência do eleitorado português mantém viva a chama de quem acredita numa personalidade diferente e consciente das dificuldades do cidadão médio para ocupar o mais alto cargo da nação. A solidariedade, a coerência e a firmeza de Manuel Alegre são imprescindíveis para Portugal. A perfeita tempestade que se apresta a tomar Portugal de assalto requer uma liderança impoluta, de confiança e credível. A escolha é óbvia, o mito morreu.

Daniel Martins às 12:58 | link do post | comentar
Domingo, 16.01.11

Imaginar a Alegria.

Demorei muito tempo a dizer a mim mesmo que ía votar em Manuel Alegre. O que parece um contra-senso para alguém que nas últimas eleições votou alegremente Alegre . E votei por ele, pelo que ele é, pelo que representa, mas votei também contra aquilo que penso ser uma reiterada incapacidade do PS de José Sócrates perceber a importância do exercício da função presidencial no actual sistema político português, não criando as condições para um verdadeiro debate no partido sobre esta questão. E até desvalorizando a forma como, contando com esta, desde há duas eleições que esta questão divide seriamente o Partido Socialista. Essa uma razão principal que retardou tanto tempo a minha decisão. Eu não conseguiria votar nas eleições presidenciais sem alegria. 

 

Foram precisas as últimas semanas de campanha de Cavaco e Silva para eu perceber que o que era importante nestas eleições não eram os meus humores com a atitude da liderança do PS face às presidenciais,  sim a ideia de que contra um Portugal escavacado pela tutela da arrogância, da auto-satisfação, dos acordos e convénios invisíveis com personagens sinistras, há que opôr uma ideia de um país que não abdica da sua alegria, da sua festa, da sua cultura e que nela se faz forte, como cem, como mil, como um milhão. Porque a cultura não multiplicando os pães, centuplica os espíritos, a sua coesão, a sua identidade.

 

Foi preciso eu deixar de olhar para trás e por momentos concentrar o meu olhar no futuro. Imaginei o país com Cavaco mais cinco anos. Imaginei o invisível, aquilo que só sabemos depois: as acções do BPN, "as escutas em Belém",  a forma como ele toma as suas decisões, do pessoal ao político, " disseram-me para eu escrever uma carta, não sei nada sobre isso, sou um mísero professor", "o Governo e o BP garantiram-me que era a única solução possível". Acrescentei-lhe o lado vísivel da arrogância de Cavaco, a sua relação com a Cultura, antevi um Conselho de Estado dominado por opiniões mesmificadas,  manobras corporativas, interesses inconfessáveis. Antecipei anos que vêm aí de intensa crise económica, com um discurso político totalmente colonizado por uma ideia de catástrofe/salvação tão propícia à especulação dos mercados financeiros e onde se distinguia a voz de Cavaco a dizermo-nos o que poderíamos ganhar se fossêmos formiginhas amestradas no carreiro.  Previ até um país governado por Passos Coelho, acolitado por Portas. O futuro com Cavaco e Silva é tão prevísivel que nos exclui.  E assustei-me. Muito.

 

E depois predispús-me a fazer o mesmo exercício em relação a Manuel Alegre. Mas antes de me dedicar a isso tive de fazer uma operação de descondicionamento mental: compreender que a necessidade e a importância de, num cenário de crise financeira agravada, ter alguém em Belém que percebe ( mas afinal tão pouco!) de Economia é uma falácia. E  que só tem como objectivo submetermo-nos à ideia de que, com as nossas experiências de vida, nos está vedada a compreensão das condicionantes e consequências desta crise.

 

E aí imaginei um País com Manuel Alegre como Presidente. Comecei por imaginar um Conselho de Estado onde houvesse intelectuais, artistas, criadores. Onde, por contágio, a valorização da Arte e da Cultura pudesse ser de tal forma que se considerasse que a presença do Estado nestas áreas, tal como na ciência, na educação, na saúde, é um investimento, uma parceria pública e privada como tanto se diz. Imaginei um presidente que se empenha, a nível europeu, numa iniciativa urgente de defesa da construção europeia, das economias mais frágeis. Não é preciso perceber de economia para perceber o quanto a Europa está presa por um fio de linha. Antevi um presidente que é solidário com as condições de vida agravada dos portugueses nos próximos tempos. Fará muito pelos portugueses um Presidente que compreenda que, na dimensão simbólica do magistério presidencial, há um imenso espaço de actuação para que possamos, enquanto comunidade, acreditar que é através da política que podemos resolver-nos. E mais do que isso, percebi que era possível esperar de Manuel Alegre um empenho fortíssimo na criação de um espaço onde à esquerda, naquilo que ela representa enquanto princípios e valores  - representação essa que não está refém daquilo que é a prática política dos Partidos que ocupam o lado esquerdo do hemiciclo parlamentar - consigamos reorganizar o nosso discurso e sermos capazes de falarmos sobre a crise que vivemos e da forma como a podemos superar. Neste país alegre tudo era imprevísivel. Mas cabíamos todos lá dentro.

 

E ao fim dos cinco minutos de sonho a que me concedi percebi uma coisa que me estava a escapar: eu não votarei num candidato apenas por aquilo que ele é. Ninguém é sozinho. Todos somos em relação. Votarei em Manuel Alegre por aquilo que antevejo que poderemos vir a ser, com ele, nos próximos cinco anos. Porque nos próximos cinco anos vamos ter de nos superar.  

 

Joaquim Paulo Nogueira às 15:29 | link do post | comentar

A bem da verdade

Paula Cabeçadas às 14:39 | link do post | comentar

Da Comunicação Social Portuguesa à WikiLeaks...

... talvez seja bizarro o título deste post mas, não me ocorre melhor para referir 2 exemplos estranhos mas, significativos do que acontece na comunicação social deste país à beira-mar plantado: a) como justificar que o caso da Aldeia da Coelha não tenha sido analisado à luz das suas maiores evidências? Dou apenas como exemplo, para as mentes distraídas!, que, ainda há dias, o Banco Português de Negócios e a Sociedade Lusa de Negócios eram tema de primeira página, tendo desaparecido literalmente com o silêncio que Cavaco Silva decidiu para si próprio sobre o assunto; as questões que se colocam são, por um lado, a de saber, qual a razão porque se não aprofundam e esclarecem as relações interpessoais subjacentes ao problema já que nelas se destacam "pormenores"(?) tais como o do banqueiro ter integrado, com destaque, a governação de Cavaco Silva, ter sido ele e o seu banco quem vendeu e comprou acções a preço "da chuva" a Cavaco Silva que jurara nunca ter comprado ou vendido coisa alguma ao BPN/SLN e que agora se vem a saber da coexistência de ambos e do amigo Dias Loureiro (que, por motivos próximos, saiu do país há meses sem dar sinal, escondido algures num resort qualquer, depois de jurada inocência sobre tanta fraude e corrupção, ele próprio também ex-Ministro de Cavaco Silva) na dita Aldeia da Coelha?... finalmente, neste primeiro exemplo, cabe ainda a pergunta: Cavaco Silva impôs silêncio a si próprio mas, pelo que se constata, esse silêncio tem extensões complexas ou perigosas, não sei mas, seguramente, opacas e suspeitas. b) sobre o 2º exemplo a que pensei referir-me, as perguntas são 2 mas são simples: que razão justifica que o maior comício da campanha de Manuel Alegre não tenha aparecido nas televisões, contrariando a lógica de toda uma campanha que, diariamente e várias vezes por dia, percorre os noticiários com a ilustração das actividades de todos os candidatos??? ... pois... é por isso que me ocorreu a referência ao WikiLeaks... sem um trabalho de transparência o mundo não seria a mesma coisa!... Ora, não esqueçamos que afinal de contas, nós queremos um mundo diferente! Um Mundo Melhor!

Ana Paula Fitas às 14:30 | link do post | comentar

As felicitações de Cavaco ao ex.-ditador tunisino

 

Presidente felicitou homólogo tunisino Ben Ali pela sua reeleição: O Presidente da República enviou uma mensagem de felicitações ao Presidente da República da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, pela sua reeleição para o cargo. (...) Reiterando-lhe as minhas sinceras felicitações, peço-lhe que aceite, Senhor Presidente, os protestos da minha mais elevada consideração e estima pessoal." (26/10/2009)

 

Cláudio Carvalho às 12:07 | link do post | comentar

A oportunidade para Portugal

Qualquer pessoa com memória histórica, informada e desvinculada de interesses partidários e financeiros tomará uma decisão responsavelmente acertada no próximo dia 23, até porque o panorama é cristalino:

 

Fernando Nobre é inexperiente, moralmente presunçoso e não dá garantias de não pactuar com o capitalismo desregulado que corrói o "Estado Social" construído por alicerces constitucionais de Abril. Francisco Lopes é anti-democrata e qualquer tentativa para derrubar o regime político-ideológico e económico será com uma alternativa revolucionária marxista-leninista. Enquanto que o candidato conservador Cavaco Silva é o principal responsável interno pelo iniciar da alienação do papel do Estado numa economia que se deveria ter como mista e promotora de equidade na oportunidade e não promiscua em favorecimento da elite financeira. O tecnocrata da realpolitik é o co-responsável nacional pelo pântano em que mergulhamos deste institucionalismo disfuncional e elitista e por isso não deveria merecer, em circunstâncias normais, a confiança do eleitorado.

 

Manuel Alegre é o único candidato democrata com coragem suficiente para não pactuar com o regime que nos trouxe até esta crise económico-financeira e de valores. Manuel Alegre sabe que não é expectável uma sociedade sem classes pela vias democráticas, jogando no tabuleiro do capitalismo global e elevando a luta socialista à escala europeia.

 

Os cidadãos portugueses estão fartos das falsas esperanças que são dadas por agentes políticos com responsabilidades decisórias em órgãos de soberania como Cavaco Silva. Nunca Manuel Alegre teve a oportunidade de tomar as rédeas do país como Cavaco Silva. Alegre merece a oportunidade, Portugal merece a oportunidade.

Cláudio Carvalho às 11:15 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Sexta-feira, 14.01.11

Aldeia da Coelha

A Aldeia da Coelha mais parece a toca dos lobos. Cavaco Silva começa a ter muito que explicar.

Tiago Barbosa Ribeiro às 17:52 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Uma pergunta simples sem uma resposta simples

O Francisco Teixeira insiste que existe uma duplicidade de tratamento na forma como os apoiantes de Alegre tratam o caso "Aldeia BPN" e os casos "Freeport" e "Face Oculta". Desafiei-o a mostrar as suas fontes, não as mostrou. Insisti que a minha posição em relação a qualquer caso de alegada corrupção ou favorecimento é a mesma: deve-se investigar tudo até ao fim, doa a quem doer. Respondeu-me que "os mesmos que escrevem sobre a aldeia do BPN (dentro e fora da "Visão") foram os mesmo que assobiaram para o lado com o evoluir dos caso Face Oculta e Freeport".

Quando tudo o resto falha, foge-se às questões, ataca-se o adversário, lançam-se boatos. Voltemos então ao essencial.

Quem se tem esforçado tanto para defender Cavaco Silva no caso BPN, como alguns membros do Portugal Profundo, do 31 da Armada, do Blasfémias ou do Albergue Espanhol deveria ser capaz de responder a uma simples questão:

Sabemos que os homens fortes do BPN são ex-ministros e secretários de estado de Cavaco, que venderam acções a preço de favor, que fazem parte da sua comissão de honra, que contribuiram financeiramente para a sua campanha e que passam férias no mesmo aldeamento de luxo onde Cavaco comprou uma casa de férias com um salário de "mísero professor". Não são já coincidências a mais?

Ricardo Sequeiros Coelho às 17:45 | link do post | comentar

Afinal há boas razões para votar Cavaco

 

 

As generosas gentes do Porto dão uma ajuda à campanha de Cavaco Silva, depois de este desesperar com todas as notícias sobre as suas ligações com o BPN.

Ricardo Sequeiros Coelho às 09:28 | link do post | comentar
Quinta-feira, 13.01.11

A aldeia BPN

 

O modesto Cavaco Silva contenta-se com pouco. Uma casa com seis quartos, cinco dos quais duplos, seis casas de banho, piscina e 1600 m2 de área descoberta são suficientes para passar férias com a sua mulher. Nas imediações, pode sempre encontrar velhos amigos como Oliveira e Costa ou Fernando Fantasia, com quem pode trocar estórias sobre ganhos com acções do BPN.

O honesto Cavaco Silva não sabe quando e como comprou esta casa.

O digníssimo Cavaco Silva quer o nosso voto para continuar a governar o país, em conjunto com a pandilha que nos levou à ruína.

Ricardo Sequeiros Coelho às 18:39 | link do post | comentar | ver comentários (1)

"A aldeia do cavaquistão"

 

Na Aldeia da Coelha, Cavaco Silva tem por vizinhos Oliveira Costa e Fernando Fantasia, homens-fortes da SLN. Um loteamento que nasceu à sombra de muitas empresas e off-shores. A escritura do lote do Presidente da República não se encontra no Registo Predial de Albufeira. O próprio não se recorda em que cartório a assinou. Um dos promotores da urbanização, velho amigo e colaborador de Cavaco, diz que a propriedade foi adquirida "através de um permuta com um construtor civil".

 

Na Visão on-line. Muito interessante!

 

Paula Cabeçadas às 15:49 | link do post | comentar | ver comentários (3)

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