Sexta-feira, 21.01.11

Dia 23 é já amanhã

 

O último post antes da 2ª Volta. Termino, espero que por agora, a minha participação neste blogue. Fui um companheiro de jornada relativamente curto, também porque recente foi a minha compreensão não só de que iria votar em Manuel Alegre, também da importância que a sua eleição tem para o nosso futuro próximo. Como escrevi, muito mais do que as suas muitas qualidades humanas, foi para mim decisivo o perceber o quanto pensar em Manuel Alegre na Presidência da República, me ajudava a imaginar no que gostava que fôssemos enquanto comunidade. Não escolhemos uma pessoa pelo que ela representa, ou representou, no passado, mas por aquilo em que queremos que ela nos represente, no futuro. Manuel Alegre fez muito bem em trazer até nós um contrato presidencial. Um contrato lembra-nos que há direitos e obrigações dos dois lados. É importante lembrar as obrigações que todos nós, enquanto primeiros outorgantes, o Povo, a Comunidade Portuguesa, assumimos. Quando escolhemos Manuel Alegre porque ele é capaz de unir a Esquerda à mesma mesa, também assumimos um compromisso, enquanto esquerda, de que seremos capazes de pensar juntos. Trazendo também para esse lugar de reflexão todos aqueles que já não se revêm na ideia de Esquerda, mas que partilham um mesmo ideário de justiça social, de papel do Estado na sua concretização. A esquerda não é um clube, é um ponto de partida.

 

Tentei durante esta semana, dar-vos conta das razões porque, para mim, se torna tão importante eleger Manuel Alegre.  Eu por exemplo, quando respondi ao desafio de escrever aqui, pensei que queria vir debater a importância que a cultura tem na mudança de atitudes e na compreensão do outro. E também, em dar o testemunho de alguém que durante quase toda a campanha pensou em votar em branco (e que mesmo assim acha que o sistema eleitoral deveria considerar o número de votos em branco dentro das opções expressas) e que percebeu, a uma semana, que não poderia deixar de votar em Manuel Alegre. Vejo que me ocupei muito pouco disso e mais em estabelecer ligações com a critica às  SLNs, aos BPNs, às Coelhas, centrando-me talvez mais numa irritação com aquilo que Cavaco Silva representa, do que com aquilo que Manuel Alegre me faz querer para o futuro. Alguns de vós vão por isso ler-me e pensar na fragilidade desse arrazoado e dai, tirarem a ilação de que são também frágeis as razões para votar em Manuel Alegre.

 

Será um erro para o qual, por dele me sentir responsável, vos devo alertar: não confundam a minha incapacidade de explicar as razões porque voto em Manuel Alegre, na vossa incapacidade - e dirijo-me a todos aqueles para quem a ideia de solidariedade na vida em sociedade ainda provoca alguma ressonância dentro dos seus imaginários - de encontrarem as razões para votar em Manuel Alegre.

 

O paradigma racionalista  leva-nos muitas vezes a um erro que pagamos demasiado caro nas nossas vidas: como tudo se passa na dialética discursiva, se alguém não souber explicar de forma suficientemente clara as razões porque tomou uma determinada decisão - neste caso a de votar em Manuel Alegre - deduzimos daí que não há razões muito claras para tomar essa mesma decisão. Ao ler o Público de hoje e a inúmera quantidade de pessoas que diz que esta campanha foi pouco esclarecedora, penso nisso. 

 

É tão difícil partilhar uma ideia que, como esta, nos tempos que correm, tem tanto de emocional como de racional e coloca a política numa dimensão da festa, da alegria.

 

Não haverá uma segunda oportunidade para o dia 23 de Janeiro de 2011.

 

Joaquim Paulo Nogueira às 23:59 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Quando a Esquerda acerta o passo

 

 

"Ninguém, no seu perfeito juízo, acredita que Alegre representará um partido em Belém. Mas todos sabem que que representará um olhar sobre o papel do Estado na sociedade. Com o extremismo ideológico e económico que tomou conta da direita portuguesa a caminho do poder, é tudo o que pode restar para moderar o que aí vem." - Daniel Oliveira

 

 

Todos os dias nos perguntamos: o que é ser de esquerda? Seja qual for a resposta,  acabamos por reconhecer que ela começa por ser um ponto de partida, não de chegada. Há qualquer coisa que une os povos de esquerda, por mais ressentimentos que a luta pelo poder político tenha criado ao longo destes trinta e seis anos de democracia: o não aceitarmos, como construção social comum, como ideia de sociedade, uma comunidade onde seja natural a situação da exploração das pessoas por outras pessoas.

 

A partir daí desenrolam-se todos os programas que nos fazem criar um espaço de divergência fenomenal, tribos plurais. Divergimos no modo, na medida e na porporcionalidade com que estabelecemos essa rota para uma viagem rumo a uma sociedade que não compactue com uma vivência social onde uns possam explorar o seu semelhante.  Mas aquele ponto de partida, todo um programa, reacende-se quando nos deparamos com uma situação que nos obrigue a reconhecer o acessório do fundamental.

 

Por isso é tão decisivo que à esquerda se criem as condições para uma 2ª Volta das Eleições Presidenciais. O que aí vem, como diz o Daniel, é mesmo muito mau. E não precisamos de ter visto o Inside Jobs para o compovar. É uma ocasião chave para tornar uma crise numa oportunidade. Saber optar por um Estado Social que em vez de esgotar os seus maiores recursos em interesses privados e particulares daqueles que ideologicamente o combatem, e que se dedicam a aumentar as hordas de excluídos, se entrega, de alma e coração, na tarefa conseguir que a riqueza produzida sirva para reforço da coesão e da solidariedade social.

 

O primeiro passo para isso já dia 23 de Janeiro.

Joaquim Paulo Nogueira às 18:01 | link do post | comentar
Quinta-feira, 20.01.11

Ouvir. Escutar. Ouvir. Escutar. E ouvir mais uma vez.

 

Alguém destacou no outro dia a  forma como Manuel Alegre se entrega ao contacto com as pessoas, ouvindo-as, fazendo que as pessoas se sintam ouvidas. Fico-me a pensar na quanto vamos precisar de, nos próximos anos, ter em Belém alguém que nos faça sentir ouvidos.  Que nos faça sentir gente. Contra a frieza estatística da nossa vida sempre do lado errado da maré especulativa dos mercados.

 

Se calhar este é um dos aspectos mais importantes de um contrato presidencial.

 

Joaquim Paulo Nogueira às 22:19 | link do post | comentar
Quarta-feira, 19.01.11

A luta milenar e a luta contra a abstenção de cidadania

"É possível andar sem olhar para o chão"

Manuel Alegre

 

 

Começamos a lutar pela Lusitânia contra os Romanos, depois contra Muçulmanos e Espanhóis, contra Napoleão e contra o Absolutismo, há cem anos, pela República insurgirmo-nos contra a Monarquia e em 1974 derrubamos a República pidesca, anti-democrática, corporativa e fascista. A história de Portugal não tem apenas 867 anos. Antes de existir Portugal, já existia o espírito de luta pela liberdade e pela cultura. A luta de amanhã passa pela a afirmação e reforço dos valores republicanos, pela democracia, pelo Estado socialmente presente e pela igualdade em liberdade; já quanto à luta central de hoje passa por combater a abstenção. Combater, não a direita, não o conservadorismo, não o PSD nem o CDS-PP, nem sequer Cavaco Silva, mas a abstenção... não somente a eleitoral, mas sobretudo a abstenção de cidadania.

 

Quando um jovem sai do seu país para não mais voltar, por motivos económicos ou financeiros, estamos a ser derrotados...

Quando um jovem não se debruça sobre a actualidade política, estamos a ser derrotados...

Quando um jovem não tem qualquer participação num agregado cívico, político-partidário ou não, estamos ser derrotados...

Quando um jovem não acredita no seu próprio potencial de promover a mudança do paradigma sócio-económico, estamos a ser derrotados...

Quando um jovem diz que não vai votar nas próximas eleições de dia 23, estamos a ser derrotados...

 

O espírito nacional não pode ser derrotado; é historicamente valioso demais para tal. Vamos à luta e vencer!


 

(Foto: Alberto Mesquita)

Cláudio Carvalho às 00:34 | link do post | comentar
Terça-feira, 18.01.11

Olhar a crise de novo, agora olhos nos olhos

Quando insisto tanto na dimensão cultural e artística que é preciso trazer para a nossa vida, e a política faz parte da nossa vida, muitas vezes perguntam-me o que é que eu quero dizer com isso, já que encaramos demasiadas vezes a cultura  e a arte em função do mercado dos objectos (os livros, as músicas, as imagens, animadas ou não, as esculturas, etc) que criamos e muito pouco nesse trabalho de vaivém identitário que resulta de brincarmos a esse jogo de possíveis em que se constitui a experiência artística.

 

Ora é fundamental trazermos esta experiência da possibilidade para a nossa vida. Temos de dizer a nós mesmo que podemos viver de outra maneira. Que podemos tomar as nossas decisões de outro modo. Que podemos envolver a comunidade de uma outra forma. O grande drama que vivemos, e que poderá ter contornos trágicos, é que esta clima psicodramático em torno da crise tem como primeira consequência diminuir-nos as possibilidades de acção.  Já o esmiucei de outra forma noutro sítio. Cria-se um clima de terror e de desmembramento do mundo senão agirmos logo e não agirmos de uma determinada maneira. E quando mais discutirmos, mais terrível será. O pathos não admite hesitações. Perante o perigo sistémico, outro jargão da linguagem da crise, as várias economias suportaram preços incomportáveis. O Governo decidiu a nacionalização do BPN, Cavaco promulgou o decreto em 4 dias, o Banco de Portugal anuiu e hoje estamos a pagar, por muitos anos, um preço muito elevado sobre isso.

Joaquim Paulo Nogueira às 01:26 | link do post | comentar
Terça-feira, 11.01.11

O problema do 11-1-11 será o 12-12-12 ?!

Boa parte dos países que dominarão o século XXI têm graves limitações ou sérios constrangimentos, agora ou até há pouco tempo, de liberdade de opinião, associação e manifestação.Vários dos países com maior potencial de dominar as próximas décadas têm sérias limitações ou graves problemas com a liberdade religiosa ou a convivência entre religiões.A esmagadora maioria destes países teve ou tem problemas graves no que toca à corrupção ou criminalidade em geral. Boa parte deles passou recentemente por enormes crise ou dramáticas transformações.

 

Antes Brasil, Rússia, Índia, China, agora também o México, a Argentina e África do Sul. (Coreia do Sul, Chile, Tailândia, Malásia e Filipinas falharam o alvo ou estão no cruzamento entre o sucesso e o falhanço, Espanha e Austrália estão em stand by)

 

Sem ser pessimista será um problema de tolerância, direitos e liberdades e dos custos associados ao "Estado de Liberdade" ou ao "Estado Social"? Sem ser alarmista, será um problema de modelo cultural ocidental em falência? Será a normal fase de decadência dum "sistema" ou "modo de vida" em ciclo descendente ou apenas sintomas duma fase de transformação rumo a algo diferente?

Pode ser só a proximidade do dia 12 de Dezembro de 2012 a afectar os mercados e os políticos mas, honestamente, duvido.

 

Acredito que encontrar a raiz do "medo Ocidental", a razão da putrefacção de alguns dos alicerces da nossa sociedade, os verdadeiros risco que corre o nosso modo de vida, os  reais desafios que o nosso modelo de regime e "governança" enfrentam, é a única forma a vencermos o século XXI. Não contra ninguém, mas por nós.Não contra "os outros" mas também com "eles" ou por causa "deles".O caminho terá de passar não por impor a nossa matriz numa "cruzada" espúria contra o "Oriente" ou os "novos-ex-velhos-futuros emergentes" mas mudando algo em nossa própria casa, não? E de preferência mudando algo já.Portugal, Ibéria ou não-Ibéria, Europa do Norte e do Sul, Europa Central e Periférica ou ultra-periférica, Europa da 1ª Divisão ou da 2ªDivisão.União Europeia Federal ou nem por isso.Algo tem de ser pensado, debatido, testado, implementado, algo tem de mudar, ou estou equivocado? De verdadeiramente alarmante, especialmente para a Velha Europa, é que algo que é menos grave para a Nova Europa ou os EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia entre outros, é do Atlântico aos Urais não encontro um pensamento, uma ideia, um conceito de futuro e de renovação para nós, Europa, berço do "Ocidente".

 

Não é o Putinismo, um pseudo-Merkelismo nem um soft-Berlusconismo, não me parece que exista Cameronismo e muito menos Sarkozismo, Obamaismos nem servem para os US of A, muito menos para a Europa!De onde virá a solução?A luz e o caminho...ou a inspiração e motivação?

 

Desculpem esta interrupção na campanha eleitoral Presidencial, segue dentro de momentos...

 

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Paulo Ferreira às 12:48 | link do post | comentar

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