Sexta-feira, 21.01.11

Manuel Alegre

Manuel Alegre

"É Pior a Emenda que o Soneto" ou "A Vingança Serve-se Fria"?... Olhem que não...

Costuma dizer-se que "as sondagens são o que são"... de qualquer modo, o que me preocupa é a tendência portuguesa para, por um lado, tentar penalizar o que considera causas do seu descontentamento e, por outro lado, a ainda deficitária interiorização da ética republicana que grassa na sociedade portuguesa. O que quero dizer com isto? Simplesmente que os portugueses, numa tentativa de penalização do governo e, consequentemente, do PS, podem projectar na votação no seu principal opositor a manifestação do seu "castigo"... o raciocínio é demasiado simplista e transporta em si próprio alguma perversidade que só os mais ingénuos podem descurar, para gáudio dos que fruirão desta decisão. Porque, na verdade, o exercício desta forma de acção significa que, para efeitos de provocação de um desagrado imediato ao partido do governo, os portugueses preferem não equacionar o futuro, recusando pensar nas consequências dos seus actos! De facto, se houvesse hábitos reflexivos na opinião pública, a hipótese de um cenário em que se altere a conjuntura parlamentar por via de eleições legislativas, seria colocada e a consciência de que as alternativas económicas à actual governação não são, nesse mesmo cenário, do interesse público, os cidadãos iriam perceber que votar Cavaco Silva é contribuir para legitimar um caminho que será muito mais penoso para Portugal do que o que actualmente trilhamos. Por outro lado, por razões que se prendem com a cultura democrática relativamente incipiente nas populações menos alfabetizadas, menos informadas e menos politizadas, a representação social do Presidente da República é ainda o que resta do que, entre nós, legitima o "apadrinhamento social" e a "lógica do favor" em prejuízo da "cultura do mérito" - razão pela qual a mudança presidencial se processa, no nosso país e ainda que num regime democrático, por desistência do cargo, seja por limite de mandatos ou por vontade própria... como se a essa figura coubesse uma "intocabilidade"entendida de forma ainda próxima de concepções religiosas medievais em que o poder se associava ao "sagrado"! Ganha aqui sentido a expressão "nem para si próprios sabem ser" porque esta forma de pensar aproxima a sociedade daquilo que as pessoas mais temem: o empobrecimento e o autoritarismo!... e, como sabemos, apesar de se dizer que "a vingança serve-se fria", a verdade é que a vingança nunca é a melhor forma de resolvermos os problemas! 

Ana Paula Fitas às 20:10 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Quando a Esquerda acerta o passo

 

 

"Ninguém, no seu perfeito juízo, acredita que Alegre representará um partido em Belém. Mas todos sabem que que representará um olhar sobre o papel do Estado na sociedade. Com o extremismo ideológico e económico que tomou conta da direita portuguesa a caminho do poder, é tudo o que pode restar para moderar o que aí vem." - Daniel Oliveira

 

 

Todos os dias nos perguntamos: o que é ser de esquerda? Seja qual for a resposta,  acabamos por reconhecer que ela começa por ser um ponto de partida, não de chegada. Há qualquer coisa que une os povos de esquerda, por mais ressentimentos que a luta pelo poder político tenha criado ao longo destes trinta e seis anos de democracia: o não aceitarmos, como construção social comum, como ideia de sociedade, uma comunidade onde seja natural a situação da exploração das pessoas por outras pessoas.

 

A partir daí desenrolam-se todos os programas que nos fazem criar um espaço de divergência fenomenal, tribos plurais. Divergimos no modo, na medida e na porporcionalidade com que estabelecemos essa rota para uma viagem rumo a uma sociedade que não compactue com uma vivência social onde uns possam explorar o seu semelhante.  Mas aquele ponto de partida, todo um programa, reacende-se quando nos deparamos com uma situação que nos obrigue a reconhecer o acessório do fundamental.

 

Por isso é tão decisivo que à esquerda se criem as condições para uma 2ª Volta das Eleições Presidenciais. O que aí vem, como diz o Daniel, é mesmo muito mau. E não precisamos de ter visto o Inside Jobs para o compovar. É uma ocasião chave para tornar uma crise numa oportunidade. Saber optar por um Estado Social que em vez de esgotar os seus maiores recursos em interesses privados e particulares daqueles que ideologicamente o combatem, e que se dedicam a aumentar as hordas de excluídos, se entrega, de alma e coração, na tarefa conseguir que a riqueza produzida sirva para reforço da coesão e da solidariedade social.

 

O primeiro passo para isso já dia 23 de Janeiro.

Joaquim Paulo Nogueira às 18:01 | link do post | comentar
Quinta-feira, 20.01.11

Em frente e depois, à Esquerda

 

 

Descia-se a Rua Nova da Trindade. Almeida Santos, António Costa, Maria de Belém, Carlos César, na primeira linha, marcavam a presença do Partido Socialista. No cortejo vi Garcia Pereira, vi Arnaldo de Matos (um dos cromos mais carismáticos da caderneta que comecei a fazer aos onze anos na minha Ludoteca de Abril). Vi um homem empunhando uma pequena tabuleta sobre uma esquerda socialista. No cruzamento, na Brasileira, o abraço a Francisco Louçã. O grande desafio da 2ª Volta é mesmo este, a forma natural e quase orgânica com que Manuel Alegre parece conseguir fazer com que a esquerda, sem grandes poblemas digestivos,  se junte numa mesma rua. Como que preparando o grande desafio do seu contrato presidencial, conseguir com que a esquerda se sente a uma mesma mesa e discuta, de A a Z,  o que pretende fazer para continuar a ser, no século XXI, a grande promotora de valores como a paz, a liberdade, a solidariedade e a fraternidade.

Joaquim Paulo Nogueira às 23:32 | link do post | comentar

Se queres conhecer o teu futuro Presidente...

 

...põe-lhe um cravo na mão.

 

Ao olhar para as fotografias que tinha na máquina fotográfica fiquei espantado com aquilo que esta revelava. Ficam tão bem os dois quando estão juntos, Manuel Alegre e o cravo vermelho. Quase que se diria que o cravo era um foco, a iluminar a face do poeta, quase se diria que o modo muito particular como este o empunhava, faziam do cravo uma bandeira.  

E depois lembrei-me das palavras avisadas de um manifestante para uma jornalista, recordando em Cavaco um homem tão agarrado aos símbolos e às palavras do passado e que não tinha usado cravo no 25 de Abril.

 

Deveria ficar para o futuro, o teste do cravo vermelho.

 

 

Nota: Não são cravos, são rosas, como lembrou alguém mais atento. Rosas Vermelhas, tal como no poema. Ìa corrigir, mas depois olhei de novo e percebi que o importante é a forma como a flor ilumina o rosto do poeta, como este segura uma flor como se fosse uma bandeira.

Joaquim Paulo Nogueira às 21:16 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Manuel Alegre, Ouvir e Participar para Acreditar!

Hoje, num almoço quente e concorrido na Cervejaria Trindade, Manuel Alegre fez um discurso aberto e claro, veemente e preciso, sobre as prioridades do país. Sem cair na tentação de perder demasiado tempo com os adversários, Manuel Alegre afirmou-se como o garante da Democracia, o defensor do Estado Social, da Educação Pública, da Segurança Social, o promotor dos interesses nacionais contra a desertificação e os interesses especulativos, cegos e anónimos dos mercados, o portador de uma ideologia de liberdade e resistência em nome do interesse colectivo dos portugueses e o companheiro de viagem dos cidadãos na sua luta e no seu empenho por uma sociedade melhor. Afirmando a necessidade de continuar a trabalhar sem cedências num projecto comum para uma Europa Democrática, Social e Plural, Manuel Alegre falou da cultura e da educação como fontes de reconstrução de uma identidade que precisa de consolidar raízes para enfrentar o futuro. Ouvir Manuel Alegre é recuperar a Vontade de Acreditar. Hoje, às 21horas, no Coliseu dos Recreios em Lisboa, Manuel Alegre estará com todos os que quiserem investir, com a razão e o coração, na não desistência de um sonho: um Portugal melhor para todos, um Portugal que não ajoelha e se levanta, digno e convicto, na defesa do interesse da Democracia e dos Cidadãos.

(Também publicado no A Nossa Candeia)

Ana Paula Fitas às 20:07 | link do post | comentar
Quarta-feira, 19.01.11

Imaginemos então

Cavaco pede para imaginarmos o que seria se tivessemos ainda uma segunda volta, mais duas semanas de campanha eleitoral. E eu faço-lhe a vontade. Comecei a imaginar. Vi-o a ficar nervoso, nunca mais podendo cumprir a promessa de ir ler a revista Visão. Mais duas semanas sem ler o raio da Revista, dizia ele para a Maria, que o consolava, lembrando-lhe o tempo em que ele não lia jornais.  Vi a concentração de votos em Manuel Alegre.Vi as sondagens, as verdadeiras, aqueles prognósticos que têm de esperar pelo fim do jogo, a mostrarem ao actual inquilino de Belém o caminho de regresso à urbanização da Coelha. Pelo caminho ainda vi o candidato madeirense, à beira da estrada, com a sua pontaria e humor proverbiais, saudando a caravana com um distico onde se lia: " Nem sempre é bom matar duas Coelhas como uma só cajadada."  Vi tanta coisa. E gostei. Gostei mesmo do que vi. Eu que sou toda pela arte, pela cultura, pela imaginação ao poder, ainda não me tinha lembrado desta.

Obrigado, Aníbal Cavaco Silva.

Joaquim Paulo Nogueira às 20:55 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Estabilidade, aquela morta morte dos cemitérios!

As mais recentes declarações de Correia de Campos ( independentemente do ressentimento que possam traduzir) ajudam a perceber exactamente o que está em causa nestas eleições: a estabilidade em que temos vivido até agora com os conceitos de cooperação estratégica (com o GPS um pouco danificado, como sugere o boneco de Luís Afonso) ou a instabilidade que resulta de tomarmos nas mãos a expressão do nosso destino. Eu creio que elaboramos muito acriticamente a ideia de estabilidade. Quando uma situação é negativa, estabilizá-la é prolongar os efeitos negativos da mesma.

 

Nunca me esqueço de uma vez, em Madrid, ter ido, com um dramaturgo amigo,  visitar José Monleón, grande amigo de Portugal, do teatro Português e essenciamente uma grande referência do mundo do teatro iberoamericano. Já estávamos de saída, o meu amigo pergunta-lhe:

- E então,a saúde? Tem estado estável?

Ao que ele, com aquele largo sorriso que o caracteriza, responde:

- A estabilidade é a morte. É a instabilidade que me permite manter vivo.

 

Desde essa lição de vida que valorizo muito mais aquelas experiências e aprendizagens que nos ensinam a lidar com a instabilidade, do que aquelas que, por um conceito errático de estabilidade pretendem perpetuar situações como as que nos trouxeram até ao lugar onde nos encontramos. Os cemitérios não estão só cheios de homens indispensáveis, como escreveu Brecht. Também de tédio e estabilidade. A estabilidade de Cavaco e Silva - e parece também a de Correia de Campos -  é a manutenção da situação, é no plano visível e explícito a política activa dos silêncios, dos não posso dizer, dos não tenho nada a comentar sobre, do não é a ocasião propícia para, do neste momento não é apropriado. Conjugado, no plano invísivel e subterrâneo, com a articulação nunca esclarecida com interesses lesivos à comunidade. É a estabilidade dos cemitérios (e dos covis).

 

Num mar agitado e de grandes vagas como é a tempestade onde estamos metidos, a estabilidade é uma mentira de quem não consegue arregimentar no sonho, na utopia, a coragem necessária. Nada mais desestabilizador do que a falácia política, o não falar o que se sente (ou deixar colonizar a voz pelo que se ressente).

 

Só a verdade nua e crua une verdadeiramente. E neste equilibrio institucional do nosso sistema constitucional, o Presidente da República, porque é aquele que é eleito por uma comunidade que sabe exactamente em que está a delegar a sua representação, deve ser capaz também de ser a voz da inquietação, do apelo, da convocatória, da esperança.

Joaquim Paulo Nogueira às 00:41 | link do post | comentar
Terça-feira, 18.01.11

do coração de Berlim

 

 

Eu sei que há poucas coisas mais irritantes que os emigrantes que se põem a dizer “cá neste meu país estrangeiro é tudo melhor”. E sei que de momento os portugueses gostam pouco das mensagens que recebem de Berlim... Mas tenho de contar este episódio: no dia 3 de Outubro de 2010 assisti com uma jovem portuguesa aos festejos berlinenses do 20º aniversário do Tratado da Reunificação Alemã. A cidade de Berlim comemorou esse momento histórico com uma festa sem exageros de discursos políticos (a Chanceler e o Presidente da República estavam presentes mas não discursaram), e um show com uma mensagem simples: gratidão e orgulho, conjugação harmoniosa das diferenças, aposta nos jovens, nas pessoas das regiões do Leste da Alemanha, nos que se entregam de corpo e alma a um sonho, e numa Europa como futuro e continuação lógica da reunificação. Estávamos ambas encantadas com aquela festa, mas ela tinha o coração em Portugal e nas comemorações do Centenário da República, e lamentava-se antecipadamente, certa de que “em Portugal vão estragar tudo”. Não sei se a festa em Portugal foi boa ou não: no dia 6 de Outubro de 2010 só ouvi falar do escândalo dos ausentes das cerimónias.

 

É isto que andamos a fazer ao nosso país: destruímos cínica e compulsivamente tudo o que possa ser oportunidade para ganhar uma consciência nacional positiva, tudo o que nos possa unir, tudo o que possa cimentar a nossa Democracia. E chegámos a um ponto em que as pessoas não querem ir votar, porque nenhum candidato lhes presta. E em que uma miúda de vinte anos sofre por antecipação, por partir do princípio que o seu país, podendo fazer boa figura, acaba por fazer da pior maneira possível.

 

Voltemos à Alemanha: em Bremen, onde decorreu a cerimónia oficial de comemoração, o Presidente da República lembrou o esforço de muitos países, pessoas e organizações, sem o qual a queda do muro não teria sido possível, falou do difícil processo de reunificação, louvou a acção de todos e os resultados já alcançados, e alargou a célebre frase “nós somos um povo” para nela caberem os estrangeiros que vivem neste país, dizendo que a Alemanha é um país de cristãos, de judeus e também de muçulmanos. Este Presidente não é propriamente um Obama, e o seu discurso não era uma obra-prima da retórica. Mas focou com firmeza e optimismo questões existenciais para esta sociedade, e deu uma orientação fundamental ao debate sobre a integração, que tinha descarrilado completamente com o episódio Sarrazin.

 

É para isto que um Presidente serve: para acreditar no melhor de um país, para lhe apontar um rumo muito para além dos interesses partidários e do ruído dos dias, para saber reconciliar um povo consigo próprio. E é de um Presidente assim que Portugal precisa urgentemente.

 

Do meu ponto de vista, Cavaco não serve estes desígnios. Se dúvidas houvesse, o seu mandato resolveu-as. O episódio Saramago, o “dia da raça” (vê-se bem que não lê jornais desde 1945), a aprovação de leis a contragosto quando o que o país precisava era de afirmações claras de princípios, tantos outros incidentes de cinzentismo...

 

Sobre os outros candidatos, decida cada um por si. E vá votar - em consciência, esperança e exigência. Não nos podemos demitir da responsabilidade de inventar um país novo. Não temos o direito de ficar em casa e deixar que outros decidam por nós, porque “assim como assim eles estragam tudo”. “Eles” somos nós, e “este país” é o único que temos para dar aos nossos filhos. Acredito que um Portugal melhor é possível. Um Portugal do qual nos possamos orgulhar. Sou uma sonhadora? Talvez. É que moro num país que entre 1933 e 1945 desceu muito mais baixo do que alguma vez Portugal conseguiria descer, e que nos últimos vinte anos tem trabalhado para unir dois povos - um dos quais foi sujeito durante quase meio século a uma poderosíssima máquina ditatorial e ideológica.

 

Se eles conseguiram, porque é que nós queremos desistir, e nem nos damos ao trabalho de ir votar? Ouçamos as palavras de Bärbel Boley, activista da RDA: “Nada nos era tão grande que não pudéssemos enfrentar, nada nos era tão pequeno que não valesse a pena cuidar.”

 

É por aí.

Helena Araújo às 20:07 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Apoios eleitorais. Da virtude à mácula.

 

Recusa.bmpEm Democracia, os apoios eleitorais na Esquerda são sempre uma virtude nunca são uma mácula. Diz a Direita quando quer denegrir a candidatura de Manuel Alegre, que os seus apoios correspondem a um aliança de interesses não coincidentes. Este, é o argumento de quem não entende o que é a pluralidade em democracia que a Esquerda defende e pratica, porque é messiânica a verdadeira pulsão que está no código genético da Direita, e são as soluções autoritárias e paternalistas que verdadeiramente a impelem. O modelo de Presidente da República que a Direita deseja, é o do “tiranete”, uma espécie de reedição do Botas, cujo paternalismo dita as regras e o dia da pândega, um Botas moderno num regime sufragado, no fundo, um PR que mande, ainda que as outorgas da nossa Constituição sejam felizmente parcas nessa matéria. Por enquanto...

Ninguém nega as divergências. Sabemos como o BE puxa no Parlamento a manta para o seu lado, da mesma forma que o PS puxa para o seu, é natural num regime parlamentar. Sucede que Alegre tem referido com insistência, não ser refém de nenhum partido e prova-o com o exemplo que vem de 2006, através da autonomia da sua candidatura e nota-se-lhe a verdade nas palavras quando o diz, ao contrário do balbuciar de outros. Não precisa por isso de justificar nada, porque nada pediu.

Depois, a função do presidente de uma república como a nossa, estará sempre mais ajustada a um homem com uma visão cultural mais vasta do que a um tecnocrata, para a qual pouco importa uma formação específica, uma vez que a sua função não é executiva, é interpretativa, é a de promover o diálogo entre diferenças. Para além do apoio já manifestado pelo MRPP, Alegre deverá contar seguramente com o apoio do PCP/PEV numa segunda volta. Esta é a grande vantagem, poder-se dispor de um PR com grande capacidade para entendimentos parlamentares que lhe advém dos apoios que obteve, contra o candidato da Direita que nunca entendeu os eclectismos próprios da Esquerda e que representa apenas um único bloco comum de interesses, com pruridos com uma boa franja de portugueses que, se não recusa, pelo menos parecem meter-lhe nojo. Vamos dar-lhes a resposta que merecem.

 

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João Grazina às 09:39 | link do post | comentar
Segunda-feira, 17.01.11

Manuel Alegre

Manuel Alegre

Alegro às 08:01 | link do post | comentar
Domingo, 16.01.11

Um voto, uma escolha

Voto em Manuel Alegre porque é a alternativa mais credível a Cavaco Silva.

Uma alternativa, antes do mais, de projecto para o país.

Manuel Alegre foi claro ao escolher como bandeiras a democracia e o Estado social. A defesa da democracia por Manuel Alegre não é um combate retrógado a um quimérico regresso a uma ditadura. O que está em causa não é uma reedição do antigo regime, mas o esvaziamento de direitos sociais da nossa democracia, reduzindo-a a uma democracia formal, oca, ainda mais alheada da vida das pessoas comuns. O que não podemos permitir é que a democracia seja um álibi para uns poucos decidirem o que é inevitável nas condições de vida da maioria.

Um Estado social capaz de responder às necessidades da população na área da educação, da saúde, da segurança, é uma ferramenta ao serviço da integração social, da participação pública e da revitalização de uma democracia em crise de representatividade.

Cavaco Silva, na entrevista a Judite de Sousa na RTP, apontou como alternativa à entrada do FMI em Portugal a venda de activos do Estado, como a EDP e a Galp. Ou seja, depois do Estado socializar o prejuízo do BPN, deveria renunciar aos lucros de empresas participadas pelo Estado, abrir a porta à subida de mais preços e, para compensar a quebra de receitas, cortar mais no Estado social.

A escolha de Manuel Alegre não é só a escolha de um projecto político, é também o voto numa pessoa.

É o voto num homem livre e não num homem prisioneiro de si mesmo, que promulga leis e depois vem a público resmungar acerca das leis promulgadas.

É o voto num homem justo e não num homem que admite, na entrevista à RTP, que as avaliações das agências de rating da dívida pública portuguesa são «um pouco injustas» e logo se indigna contra quem denuncia a injustiça. Como se cobrar um juro elevado fosse um favor e não um excelente negócio para quem o cobra.

É o voto num homem fraterno e não num homem que nem sequer respeita os actuais administradores do BPN que integram a sua comissão de honra.

Votar em Alegre é escolher viver num país melhor.

João Miguel Almeida às 22:21 | link do post | comentar

A oportunidade para Portugal

Qualquer pessoa com memória histórica, informada e desvinculada de interesses partidários e financeiros tomará uma decisão responsavelmente acertada no próximo dia 23, até porque o panorama é cristalino:

 

Fernando Nobre é inexperiente, moralmente presunçoso e não dá garantias de não pactuar com o capitalismo desregulado que corrói o "Estado Social" construído por alicerces constitucionais de Abril. Francisco Lopes é anti-democrata e qualquer tentativa para derrubar o regime político-ideológico e económico será com uma alternativa revolucionária marxista-leninista. Enquanto que o candidato conservador Cavaco Silva é o principal responsável interno pelo iniciar da alienação do papel do Estado numa economia que se deveria ter como mista e promotora de equidade na oportunidade e não promiscua em favorecimento da elite financeira. O tecnocrata da realpolitik é o co-responsável nacional pelo pântano em que mergulhamos deste institucionalismo disfuncional e elitista e por isso não deveria merecer, em circunstâncias normais, a confiança do eleitorado.

 

Manuel Alegre é o único candidato democrata com coragem suficiente para não pactuar com o regime que nos trouxe até esta crise económico-financeira e de valores. Manuel Alegre sabe que não é expectável uma sociedade sem classes pela vias democráticas, jogando no tabuleiro do capitalismo global e elevando a luta socialista à escala europeia.

 

Os cidadãos portugueses estão fartos das falsas esperanças que são dadas por agentes políticos com responsabilidades decisórias em órgãos de soberania como Cavaco Silva. Nunca Manuel Alegre teve a oportunidade de tomar as rédeas do país como Cavaco Silva. Alegre merece a oportunidade, Portugal merece a oportunidade.

Cláudio Carvalho às 11:15 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Sábado, 15.01.11

Demagogia e Populismo? Não, Obrigado!

Manuel Alegre denunciou o carácter demagógico e populista que, na campanha de Cavaco Silva, sobe de tom ao ponto de chegar ao ridículo recurso de exemplificar com a pensão da mulher, a situação dos pensionistas... o mais caricato e profundamente reaccionário destas declarações de Cavaco Silva foi, como referiu Manuel Alegre, o facto de ainda ter dito que a mulher, por ter uma reforma tão pequena, depende dele, a quem, de acordo com as suas palavras cabe o papel de a proteger... porque, apesar de toda a solidariedade que é suposta entre os membros dos agregados familiares, a declaração de Cavaco Silva devolveu as mulheres à dependência masculina num apelo tradicionalista, piegas e patético que se não adequa, de modo algum, com a imagem de uma democracia moderna, promotora de igualdade de oportunidades e de género.  

Ana Paula Fitas às 20:30 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quarta-feira, 12.01.11

Um candidato pela democracia

Duas declarações que mostram bem o comprometimento de Manuel Alegre com a democracia, mesmo quando os atropelos à liberdade vêm de elementos do seu partido.
Ricardo Sequeiros Coelho às 11:48 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Segunda-feira, 10.01.11

Clareza

Logo Alegre

"Sou o candidato de uma coligação de cidadãos apoiado por partidos e não, como Cavaco Silva, o candidato de uma coligação de partidos que quer ir para o governo”

 

“Se tiver de vetar uma lei, por ser contrária à minha consciência, aos valores que me levaram a ser Presidente ou aos princípios consagrados na Constituição, terei a coragem de vetar sem arranjar subterfúgios.”

Manuel Alegre

Açores, 2010.01.09

Manuel Alegre tal como antes, Soares e Sampaio, e já antes, Eanes, entende que o mandato do Presidente da República é, como todos os outros sujeitos a sufrágio, para cumprir um programa e que são essas linhas que diferenciam os diversos candidatos.

 

Ao contrário do seu opositor que, a cada pergunta sobre o que pensa desta ou aquela questão, responde invariavelmente que não vai dizer mais do que já disse, nunca tendo dito nada, Manuel Alegre deixa claro quais as condições em que exercerá o seu mandato.

Luis Novaes Tito às 20:46 | link do post | comentar
Domingo, 09.01.11

Votar, para quê?

Sentido do voto.

No próximo dia 23 de Janeiro, todos os Portugueses, do dentro e do fora, recenseados e com vontade de mais responsabilidade cívica e política devem votar.  Porque é outro momento crucial da história da democracia portuguesa. É outro momento histórico para as Comunidades portuguesas de afirmarem orgulhosa e definitivamente o seu lugar nos processos de decisão do seu país. Um dos seus países.

 

Estas eleições são, obviamente, um momento culminante da vida democrática, por mais que se diga que o voto não resolve nada e se actue em conformidade. O voto exerce uma influência incontestável sobre as elites políticas, pois, porque o voto determina quem podem ou não dar futuro ao seu país. Também como o resultado das eleições afecta directamente todos os cidadãos, ao contrário de outras formas de participação política. E, apesar do alheamento real da prática política das Comunidades, que se traduz em abstenção elevada, este voto é ainda a modalidade de participação política que mobiliza o maior número de cidadãos nas nossas democracias.

 

Isso dito. Votar, Para quê? Para decidirmos. Para sermos novos arquitectas da ligação entre Portugal e nós, com mais de nós. Para inventarmos futuro em comum. Para dizer tudo o que fica ainda para dizer a Portugal sobre nós e o nosso ser português e o nosso ver Portugal. Para inspirá-lo. Tem, desde já, e terá outro sentido e consequência quanto maior e melhor participação nossa. 

 

A democracia portuguesa precisa de nós todos, cá e lá.

É importante reafirmar que a democracia é um processo de decisão como um processo de continuidade transpessoal, irredutível a qualquer vínculo do processo político a determinadas pessoas. Mais, a democracia é um processo dinâmico inerente a uma sociedade aberta e activa, oferecendo aos cidadãos a possibilidade de desenvolvimento máximo e de liberdade de participação crítica no processo político em condições de igualdade, económica, política e social.

Neste sentido, a democracia continua a precisar de todos nós, dos nossos sonhos, das nossas ideias, das nossas iniciativas, da nossa liberdade, da nossa palavra, do nosso sentimento de partilha e fraternidade e, sobretudo, da alegria cívica redescoberta nos desafios e combates do século XXI. Juntos. Eis aqui um convite oficial para coproduzir mais democracia e conquistar os espaços desertos que nos separam. Manuel Alegre sempre disse a sua vontade de realizar tais ambições, junto do seu povo. Com o Manuel Alegre, será possível!

 

Acredito que, no seio das Comunidades, estamos a viver um momento de desperto em termos de participação cívica e política. Nem só porque a estatística apresanta milhares de luso-eleitos activos espalhados pelos quatro continentes mas também porque a primeira geração da emigração tem dado provas de interesse pela matéria pública, em prol "da chose publique". Acredito que esta tendência seja confirmada na eleição do nosso futuro Presidente da República.

 

Votar! Votar! Votar! Com entusiasmo e entrega ao futuro. Para ir mais longe com Portugal. Porque são vocês, fora de Portugal, também quem mais ordenam!

Nathalie de Oliveira.

Natali Oliveira às 22:06 | link do post | comentar

Ninguém nos cala

Ciclone

"(...) o que importa são as ideias, a participação, o espírito cívico e desinteressado na busca de novas políticas para o país e para a democracia. Sem sectarismo nem dogmatismo, no respeito pela pluralidade que é timbre de quem se reclama do socialismo democrático. Seguindo a lição do grande António Sérgio a OPS! tem procurado “abrir as largas avenidas da discussão”, num tempo dominado pela moda, pelo politicamente correcto e pela ditadura do imediato e do mediático."

Manuel Alegre

Editorial do nº 4 da OPS

Para os que insistem que falta pensamento há sempre a resposta através da realidade e da realização que muitos tentam esconder e abafar e outros mandam calar, esquecendo-se que haverá sempre quem não se deixe submeter e combata a cumplicidade do silêncio, a que se chama "bons alunos", leia-se, "alunos bem comportados", por baixarem a cabeça e mandarem destruir sectores produtivos como a agricultura, as pescas e outros meios geradores de riqueza e de emprego nacionais, subordinando uma Nação à dependência dos interesses externos em troca do lugar de "bem comportado" num qualquer quadro de honra.

 

Haverá sempre gente que usará a sua voz, o seu saber, a sua determinação e coragem para combater a ideia de medo com que se quer condicionar a palavra e o pensamento.

 

Haverá sempre alguém que gritará soluções e se recusará ao fatalismo do bom comportamento, do pobrezinho, do pequenino, do poucochinho, do venerando e agradecido.

 

E porque haverá sempre homens como Manuel Alegre que acreditam que não é nos silêncios e na subordinação que o "mundo pula e avança”, que aqui damos prova de vida e reafirmamos que não queremos mais do mesmo.

Luis Novaes Tito às 16:50 | link do post | comentar | ver comentários (4)

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Imagem: Rui Perdigão