Terça-feira, 18.01.11

Uma Pátria cosmopolita ou um “Portugal dos pequeninos”

A escolha entre Manuel Alegre e Cavaco Silva é uma opção entre uma Pátria cosmopolita e um “Portugal dos pequeninos”,

Manuel Alegre é um cidadão para quem Portugal e os portugueses têm sido as questões centrais com que se tem confrontado permanentemente, como o testemunham a sua vida, a sua obra e a sua intervenção política.

É um homem com muito mundo, que viveu de perto a situação dos emigrantes portugueses no período muito doloroso da emigração a salto para França. Conheceu as suas angústias e as suas esperanças. Como exilado, foi também um emigrante por motivos políticos.

Não esqueço poemas no qual nos fala da dureza das condições de vida, como Portugal em Paris no qual diz:

“(…) Vi minha pátria derramada

Na Gare de Austerlitz. Eram cestos

E cestos pelo chão. Pedaços

Do meu país (..)”.

Manuel Alegre foi durante toda a vida um cidadão empenhado na emancipação dos trabalhadores, no desenvolvimento da cidadania de todos sem discriminações, na construção de um País limpo, livre, justo e solidário.

Manuel Alegre é também um cidadão que empenhado no respeito pela diversidade que somos como portugueses, do ponto de vista espiritual, cultural, ou de origem étnica. Não faz acepção de pessoas, nem distingue entre portugueses, sejam eles cristãos, muçulmanos, judeus, agnósticos ou ateus, portugueses de origem europeia, africana ou asiática.

É também alguém que escuta com solidariedade a voz dos imigrantes e defende a sua inclusão e cidadania.

A Comissão de Honra da sua Candidatura é bem a prova que todos sabem que podem contar com ele, como ele conta com todos.

A sua Pátria é um Portugal cosmopolita e inclusivo.

Em confronto com ele, Cavaco Silva representa um país provinciano, fechado.

Não esqueçamos que seu antigo Ministro da Administração Interna, Dias Loureiro, foi um dos teorizadores da Imigração Zero, que a Europa havia de rejeitar.

Representa na melhor das hipóteses, um “Portugal dos pequeninos”.

Os seus discursos têm vindo a evoluir negativamente podendo-se dizer deles, parafraseando Sophia de Mello Breyner Andresen, grande amiga de Manuel Alegre, “têm o dom de tornar as almas mais pequenas”.

E que dizer da saudação que ontem fez à manifestação das crianças para “defesa da sua escola”.

Repugna-me eticamente a utilização política de crianças, é um abuso da mocidade, qualquer que seja a causa.

Quem, independentemente, das suas opções políticas, quer participar na construção de uma Pátria cosmopolita, e inclusiva, uma sociedade limpa, livre e solidária, vota e apela ao voto em Manuel Alegre.

José Leitão às 23:53 | link do post | comentar
Segunda-feira, 17.01.11

a Ler

Maçã

A voz do emigrante na campanha alegre

 

Helena Araújo no seu melhor.

Luis Novaes Tito às 13:25 | link do post | comentar

Appel au vote !

Mes chers compatriotes de France et d'Europe,

 

De-ci, de-là, je vous ai régulièrement interpellé sur l'échéance proche désormais des 22 et 23 janvier. Encore une élection qui ne va pas changer grand chose, diront certains... Encore un Président de la République symbolique mais, pourquoi faire ? S'il se réclame du peuple tout entier, pourquoi élever la voix à gauche ?

 

Si le Président de la République portugaise ne gouverne pas, c'est certainement une chance. En France, certains leaders socialistes rêvent et travaillent à l'avènement du VIème République qui s'inspire du régime politique de la démocratie portugaise. Un Parlement fort. Un gouvernement issu de la légitimité du peuple, avec un Premier ministre pour capitaine. Gageons que la démocratie ne repose pas uniquement sur les épaules d'un seul volontaire, aussi volontaire soit-il. Et je refuse, comme beaucoup d'autres, que notre démocratie tienne en équilibre sur un fil aussi fragile...

 

La campagne pour Manuel Alegre en France n'a pas eu lieu de forme classique, autant pour les militants qui s'animent dans d'autres pays européens. Peu de moyens, peu de logistique. Nous sommes loin du Portugal, toujours trop loin. Nous sommes surtout quelques centaines de militants investis pour un pays dans lesquels nous n'avons même pas vécu plus d'un mois complet dans notre vie. Et la vie a déjà été longue pour certains. Pourtant, cette campagne s'est faite parce qu'il s'agit du candidat Manuel Alegre. Pour Manuel Alegre ! Les raisons de ce soutien son nombreuses : son passé militant exceptionnel, ses combats de résistant, sa détermination à remettre la liberté dans les mains des siens pour un pays juste et solidaire franchissant chaque étape, sans sourciller, depuis plus de 50 ans, avec l'avenir toujours meilleur pour cible, les mots qui ont fait le Préambule de la Constitution, la poésie et la littérature engagées qui sont une évidence comme cette candidature aujourd'hui. Il est ce Victor Hugo du XXème siècle qui grignote allègrement notre XXIème siècle afin de dire, inlassablement, à tous que la démocratie est le bien commun le plus précieux. Protégeons-la et sachons décider quand nous sommes appelés à le faire. Ma génération faite de fragmentés et de fragmentaires n'est pas moins courageuse que les précédentes et les combats politiques ne sont pas moins nombreux ou moins importants. La justice sociale est encore à faire. Ma génération manque surtout de Manuel Alegre au pluriel, de voix comme la sienne.

 

Cet engagement fort pour Manuel Alegre et pour ce pays qui manque toujours là où nous sommes dispersés est une façon de faire l'Europe. Une façon d'inscrire l'idée et le sentiment de saudade dans l'avenir. Celui-là même qu'on explique toujours si mal et qui fait que les Portugais ont toujours su quitter le port sans jamais l'abandonner. Nous sommes tous en train d'écrire quelques phrases de cette histoire portugaise, discrètement mais sûrement. Pour celle de la France aussi, sans équivoque. J'ai grandi avec des Portugais qui n'ont jamais isolé les drapeaux l'un de l'autre. Dans une salle de réunion, dans une salle de fête, sur les places publiques où on se lançait dans les pas joyeux d'un Vira du Minho, dans les voitures, dans les maisons, les drapeaux se sont toujours entrecroisés fièrement. "Nous sommes européens" et il n'est pas question d'abandonner un pays pour l'autre. On ira de port en port, comme les Portugais ont toujours su faire d'ailleurs.  A Metz, de quelques rares inscrits en 2001, nous dépassons la centaine. Tout est possible à condition d'être là !

  

Ce vote, c'est notre strophe à nous. Une strophe du poème portugais national. Manuel Alegre nous a déjà dit et fait de la place, dans ses pages planches mais, aussi dans ce Portugal qu'il souhaite plus juste pour tous.

Ses premiers mots, s'il devient Président de la République, seront aussi pour nous.

 

Alors, aux urnes citoyens ! Au diable les kilomètres qui nous séparent des Consulats ! Ils ne sont rien pour voir Manuel Alegre à Belém.

Mon vote et la liberté que j'y délègue est sienne. Sa voix seule saura donner à ce pays une autre première note d'un destin meilleur.

 

Nathalie de Oliveira 

 

 

Natali Oliveira às 09:10 | link do post | comentar
Terça-feira, 11.01.11

Combustão lenta

No rescaldo do primeiro dia oficial de campanha não posso deixar de reparar num certo número de afirmações, sendo que algumas delas me põem quase sem respiração!

 

Logo para começar fico sempre admirado quando vejo um gráfico de sondagem como o do Público de hoje. As perguntas eram: está interessado pelas Eleições Presidenciais? Vejam só as respostas: 10%, muito interesse; 30% algum interesse; 60% não interessado! Como é que num país em crise, onde toda a gente chora a sua má sorte (mesmo os que têm sorte a mais) ainda há 60% dos cidadãos que não estão interessados pelas Eleições Presidenciais? Constato que não são só os emigrantes que têm falta de educação cívica. Os primos que ficaram pela terra são feitos da mesma matéria! Que desespero!

 

Depois vêm os comentários dos candidatos e lá vêm as frases mais disparatadas, as maiores contra verdades, os cinismos, as malícias e as calúnias. Só porque as pessoas se desinteressam é que alguns políticos se podem permitir tais abandonos; se houvesse mais crítica, outro galo cantaria. Quando Fernando Nobre põe em pé de igualdade os candidatos Cavaco Silva e Manuel Alegre, para mim é como se estivesse a dizer ” estou aqui para atrapalhar (por encomenda?), pois de política não percebo patavina”. Cavaco dirige-se aos jovens para fazer uma política diferente, é claro que com o candidato da “estabilidade passiva” a política vai ser diferente, mas diferente daquela que devia ser. Diz ainda que não se deve desperdiçar o dinheiro que a Europa nos atribui. De acordo, acreditem na sua experiência, toca a continuar a alcatroar o país, que do seu tempo ainda ficou espaço para mais estradas e isso é obra que se vê! Mas além disto o presidente candidato a “bis repetita” não quer falar das escutas; não quer falar das acções; não quer falar do FMI... na realidade o melhor é ficar calado, disso tem ele dezassete anos de experiência.

 

Talvez Maria de Medeiros tenha razão, com tanto silêncio qualquer dia estamos todos sob o domínio da Espanha... quando não há Rei é o que acontece! Em 1984 alguém me disse, perante a minha apreensão “deixa lá com cavacos não se fazem grandes fogueiras”, mas não contava com a combustão lenta. Dezassete anos é muito tempo.

Aurelio Pinto às 12:50 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Domingo, 09.01.11

Votar, para quê?

Sentido do voto.

No próximo dia 23 de Janeiro, todos os Portugueses, do dentro e do fora, recenseados e com vontade de mais responsabilidade cívica e política devem votar.  Porque é outro momento crucial da história da democracia portuguesa. É outro momento histórico para as Comunidades portuguesas de afirmarem orgulhosa e definitivamente o seu lugar nos processos de decisão do seu país. Um dos seus países.

 

Estas eleições são, obviamente, um momento culminante da vida democrática, por mais que se diga que o voto não resolve nada e se actue em conformidade. O voto exerce uma influência incontestável sobre as elites políticas, pois, porque o voto determina quem podem ou não dar futuro ao seu país. Também como o resultado das eleições afecta directamente todos os cidadãos, ao contrário de outras formas de participação política. E, apesar do alheamento real da prática política das Comunidades, que se traduz em abstenção elevada, este voto é ainda a modalidade de participação política que mobiliza o maior número de cidadãos nas nossas democracias.

 

Isso dito. Votar, Para quê? Para decidirmos. Para sermos novos arquitectas da ligação entre Portugal e nós, com mais de nós. Para inventarmos futuro em comum. Para dizer tudo o que fica ainda para dizer a Portugal sobre nós e o nosso ser português e o nosso ver Portugal. Para inspirá-lo. Tem, desde já, e terá outro sentido e consequência quanto maior e melhor participação nossa. 

 

A democracia portuguesa precisa de nós todos, cá e lá.

É importante reafirmar que a democracia é um processo de decisão como um processo de continuidade transpessoal, irredutível a qualquer vínculo do processo político a determinadas pessoas. Mais, a democracia é um processo dinâmico inerente a uma sociedade aberta e activa, oferecendo aos cidadãos a possibilidade de desenvolvimento máximo e de liberdade de participação crítica no processo político em condições de igualdade, económica, política e social.

Neste sentido, a democracia continua a precisar de todos nós, dos nossos sonhos, das nossas ideias, das nossas iniciativas, da nossa liberdade, da nossa palavra, do nosso sentimento de partilha e fraternidade e, sobretudo, da alegria cívica redescoberta nos desafios e combates do século XXI. Juntos. Eis aqui um convite oficial para coproduzir mais democracia e conquistar os espaços desertos que nos separam. Manuel Alegre sempre disse a sua vontade de realizar tais ambições, junto do seu povo. Com o Manuel Alegre, será possível!

 

Acredito que, no seio das Comunidades, estamos a viver um momento de desperto em termos de participação cívica e política. Nem só porque a estatística apresanta milhares de luso-eleitos activos espalhados pelos quatro continentes mas também porque a primeira geração da emigração tem dado provas de interesse pela matéria pública, em prol "da chose publique". Acredito que esta tendência seja confirmada na eleição do nosso futuro Presidente da República.

 

Votar! Votar! Votar! Com entusiasmo e entrega ao futuro. Para ir mais longe com Portugal. Porque são vocês, fora de Portugal, também quem mais ordenam!

Nathalie de Oliveira.

Natali Oliveira às 22:06 | link do post | comentar

Discurso Alegre.

No âmbito da visita de Manuel Alegre às Comunidades em 28 de Novembro de 2010, as tais Comunidades portuguesas que o Prof. Cavaco evitou consciente e cuidadosamente...  

Para mim e para os que represento, é um dia inesperado. Um dia grande. Um dia grave. Um dia histórico. Um dia único. Um dia alegre. Um dia Manuel Alegre.

 

Dizem que somos poucos. Quem ? Nós, os Portugueses. Talvez… Em particular, ainda no que diz respeito à participação cívica e política. Dizem que somos discretos, pior invisivéis, tanto do lado de origem como no país de acolhimento.

 

O meu compromisso político nasceu da vontade de contradizer esta realidade triste que sei em verdadeira transformação, melhor dito, ouso a palavra revolução. Tranquila mas determinada. Como assim? Compremeti-me para ver um sonho realizado, o sonho de ver os Portugueses plenamente inseridos na vida pública dos seus países. Nas escolas, nas associações, nas freguesias, nas câmaras, nos concelhos de todo o généro, nas Assembleias da República. Com voz e voz que seja ouvida! Cá e lá.  

 

Apesar das inúmeras dificuldades no caminho, o que me espanta e não exagero quando o digo, todos os dias, é a vitalidade do mundo associativo português, a capacidade das segundas e terceiras gerações afirmarem ser e viverem como Portugueses. Continua-se a gritar, por aqui e por ali, para conseguir aulas de português, verbas, locais de vida portuguesa no coração das cidades francesas, geminações, portugalidade, até que enfim!

 

Dr. Manuel Alegre, volte a Portugal com a certeza que Portugal também está aqui, em França, e na Europa. Para alguns de nós, desde há mais de meio século. Nenhum país deve ter tantos embaixadores pelos quatro cantos do mundo a ser Portugal.

 

De facto, neste pedaço do meu compromisso político, simplesmente, não me canso de tentar estar à altura desta história do Salto, e desta frase da minha mãe: «Tu não sabes o que chorámos quando deixámos Portugal».

 

Sim, Dr. Manuel Alegre, veio ao encontro de pedaços de Portugal e aproveito para ler um poema seu que tantos, tantos rodeios fez as nossas vidas. Um poema vindo à luz, em julho de 1964 quando chegou, como tantos dos seus compatriotas, em Paris na Gare d’Austerlitz. 

 

Solitário

por entre a gente eu vi o meu país.

Era um perfil

de sal

e Abril.

Era um puro país azul e proletário.

Anónimo passava. E era Portugal

que passava por entre a gente e solitário

nas ruas de Paris.

 

Vi minha pátria derramada

na Gare de Ausrerlitz.

Eram cestos

e cestos pelo chão. Pedaços

do meu país.

Restos.

Braços.

Minha pátria sem nada

despejada nas ruas de Paris.

 

E o trigo?

E o mar?

Foi a terra que não te quis

ou alguém que roubou as flores de abril?

Solitário por entre a gente caminhei contigo

os olhos longe como o trigo e o mar.

Éramos cem duzentos mil?

E caminhávamos. Braços e mãos para alugar

meu Portugal nas ruas de Paris.

 

Meu Portugal em Paris

O Canto e as Armas (1967)

O homem que escreveu estas linhas, estes versos, à procura dos seus, à nossa procura, sem outras armas do que palavras, no exílio, só pode ser Presidente da República, de Portugal e de todos os Portugueses!

 

Com este poema, disse-nos ter caminhado connosco. Hoje, somos nós, outros filhos de Portugal, filhos destes Portugueses que dizem com orgulho e alegria, aqui, agora, querer caminhar consigo. Ao seu lado, sempre que precisar e, sempre que Portugal precisar de nós.

 

Viva este país « onde a terra se acaba e o mar começa, » « este verde azul cinzento » seu!

Viva Portugal !

Vive Manuel Alegre !

 Manuel Alegre Nathalie Oliveira

Natali Oliveira às 15:21 | link do post | comentar
Quinta-feira, 06.01.11

Este não tem de ser o meu país 2.

 

 

O dia da raça!?

 

Num país à beira do mediterrâneo e voltado para o oceano, feito de antigas miscigenações e de modernas emigrações e imigrações, só um grande fechamento à realidade pode levar um cidadão português a este lamentável mas profundo lapsus linguae.

Vera Santana às 02:30 | link do post | comentar | ver comentários (1)

eMail

pesquisar

 

autores

posts recentes

últ. comentários

  • Genial ... anedota nacional. Fica a ideia da const...
  • Ou seja, Cavaco, nos seus 10 anos, reduziu o défic...
  • Obrigado Rodrigo.Este Blog estará disponível enqua...
  • Caros AmigosO trabalho que fizeram e apesar de os ...
  • Há gente que nunca conseguirá ver mais do que a po...
  • Palavras para quê?"Alegre confrontado com insinuaç...
  • Obrigado JPN.Já está resolvido.
  • Obrigado, AnabelaFoi um prazer acompanhar Manuel A...
  • Tens toda a razão, Paulo.Esta treta de gente do me...
  • Acho que não deve conseguir ler os gráficos muito ...

mais comentados

arquivos

2011

tags

links

subscrever feeds

networkedblogs - facebook

NetworkedBlogs
Google Groups
blogs SAPO

Logo

Alegre - Alegro Pianissimo
Imagem: Rui Perdigão