Terça-feira, 18.01.11

Olhar a crise de novo, agora olhos nos olhos

Quando insisto tanto na dimensão cultural e artística que é preciso trazer para a nossa vida, e a política faz parte da nossa vida, muitas vezes perguntam-me o que é que eu quero dizer com isso, já que encaramos demasiadas vezes a cultura  e a arte em função do mercado dos objectos (os livros, as músicas, as imagens, animadas ou não, as esculturas, etc) que criamos e muito pouco nesse trabalho de vaivém identitário que resulta de brincarmos a esse jogo de possíveis em que se constitui a experiência artística.

 

Ora é fundamental trazermos esta experiência da possibilidade para a nossa vida. Temos de dizer a nós mesmo que podemos viver de outra maneira. Que podemos tomar as nossas decisões de outro modo. Que podemos envolver a comunidade de uma outra forma. O grande drama que vivemos, e que poderá ter contornos trágicos, é que esta clima psicodramático em torno da crise tem como primeira consequência diminuir-nos as possibilidades de acção.  Já o esmiucei de outra forma noutro sítio. Cria-se um clima de terror e de desmembramento do mundo senão agirmos logo e não agirmos de uma determinada maneira. E quando mais discutirmos, mais terrível será. O pathos não admite hesitações. Perante o perigo sistémico, outro jargão da linguagem da crise, as várias economias suportaram preços incomportáveis. O Governo decidiu a nacionalização do BPN, Cavaco promulgou o decreto em 4 dias, o Banco de Portugal anuiu e hoje estamos a pagar, por muitos anos, um preço muito elevado sobre isso.

Joaquim Paulo Nogueira às 01:26 | link do post | comentar
Segunda-feira, 17.01.11

Chiu, façam de conta

A expectativa dos portugueses não era que os invectivassem, quando exigem dos governantes que enfrentem os mercados

Durante a ditadura, a oposição ao governo fosse ela por palavras ou actos era severamente punida, indo da tortura e prisão à interdição do exercício de funções públicas. Esta foi a regra que vigorou durante quarenta e oito anos. A censura circulava impune nas redacções dos jornais, os informadores faziam horas extraordinárias nos cafés, nas universidades, nas repartições públicas, nas fábricas, nas bancadas dos estádios de futebol, nos transportes públicos, os esbirros da polícia política prendiam, seviciavam, matavam. Receava-se até sussurrar. Passados trinta e seis anos sobre o derrube das condições políticas que colocaram os portugueses no fim da linha do desenvolvimento económico, social, cultural e político, um Presidente da República, o mesmo que num debate de campanha eleitoral afirmou que alguém teria de nascer duas vezes para ser mais honesto do que ele, dirigindo-se aos seus compatriotas durante a época natalícia exigiu-lhes que se calassem, que não atiçassem a ira dos mercados, porque o nosso futuro estaria na suas mãos, na volatilidade dos seus estados de alma, na ganância da banca e dos patrões da alta finança. Não os insultem, disse ele, sejam submissos, procurem passar por entre os pingos das suas exigências, porque os mercados são entidades com ouvidos particularmente sensíveis, gente habituada às boas maneiras, com uma educação esmerada, que aprecia ser reconhecida pelos serviços prestados às economias mais debilitadas.

 

O Presidente da República que assim fala é o mesmo que agora se recandidata para um mandato de mais cinco anos e que entre apelos à caridade e esgares de comiseração pelos pobres e deserdados aponta o dedo e envia raspanetes a todos os que se indignam, denunciam e não querem submeter-se à ditadura dos usurários. Sem uma alternativa ao corte nos vencimentos, ao congelamento das pensões, ao aumentos dos impostos, à diminuição dos apoios sociais, este Presidente da República o melhor que conseguiu propor aos portugueses até agora é a rendição aos especuladores, a submissão à voracidade da Fitch e da Moody"s, a aceitação do KO do Estado social. A austeridade desigual é para o Presidente da República a ordem natural das coisas.

Cipriano Justo

 

Alegro às 00:05 | link do post | comentar
Quarta-feira, 12.01.11

Ainda bem que a campanha não foi interrompida

Yuan

Más notícias para os investidores no mercado secundário.

 

A sua carteira de acções não foi valorizada o mais possível.

 

Os especuladores não levaram a melhor e " nos títulos a 10 anos, a taxa média ponderada baixou para 6,716% face aos 6,806% observados no leilão anterior".

Luis Novaes Tito às 12:32 | link do post | comentar

Toda uma filosofia em 30 minutos de RTP

Botero - Adão e Eva

Outros títulos possíveis para este post:

 

Finança 1 – Economia 0

ou

Eu e a minha mulher

 

Citando de cor:

1. Eu e a minha mulher não guardamos o dinheiro debaixo do colchão.

2. Eu e a minha mulher quando fazemos aplicações queremos ganhar o máximo. Só assim conseguimos ganhar para compensar as outras perdas.

3. Eu e a minha mulher damos ordens de compra e venda mas não sabemos o que compramos ou vendemos. Isso é com os gestores de conta dos nossos quatro bancos.

4. Eu e minha mulher achamos que não devem ser proferidos ataques nem insultos aos mercados.

Luis Novaes Tito às 11:00 | link do post | comentar | ver comentários (2)

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