Sexta-feira, 21.01.11

Se Cavaco ganhasse à primeira volta, as taxas de juro iriam continuar a subir

 

 

O mercado da divída soberana já fez as contas em relação às próximas presidenciais: se Portugal não der sinais profundos de mudança, a divída pública continuará a disparar. Os analistas das principais agências de rating baseiam-se no facto de que, para os investidores estrangeiros,  Cavaco está totalmente identificado com o quadro recessivo dos últimos anos.

 

No dia 23 temos por isso a oportunidade de, pela primeira vez, não reeleger um candidato que seja um presidente em exercício. Porque é que isso é importante? A principal razão é a de que Cavaco e Silva foi um péssimo Presidente da República. Há que reconhecer que, em certa medida, o silêncio parece adequar-se à pose de Estado. Mas uma certa contenção discursiva não basta. Seria muito fácil fabricar um estadista se apenas precisássemos de pedir-lhe que se calasse. É preciso também saber usar a palavra para intervir, saber romper o silêncio. Ora Cavaco Silva, que usou e abusou do silêncio, ao ponto de muita gente começar a perguntar-se se ele tinha alguma coisa para dizer, quase sempre que falou foi um factor de instabilidade e até, de ridiculo. Os vídeos de Cavaco, desde a ordenha à ideia sobre as mulheres, fazem êxito no You Tube. E depois, o que é fundamental, nunca falou daquilo que toda a gente gostava de o ouvir falar, mostrando desprezo pelo eleitorado. Os silêncios de Cavaco, não assumindo nem reconhecendo as suas responsabilidades no clima que permitiu uma promiscuidade entre política e crime económico, são muito caros. Excessivamente caros.

 

Circunstancialmente, as boas razões para não reeleger Cavaco Silva, são também, quase todas elas, boas razões para votar em Manuel Alegre.

 

Joaquim Paulo Nogueira às 15:25 | link do post | comentar
Sexta-feira, 07.01.11

A Esquerda e a pobreza

O problema da pobreza não se resolve com a tradicional caridadezinha que a Direita apregoa e tem sido o mote da pré-campanha de Cavaco agora transformado em urgência. O que é urgente são as razões que arrastam tantos para esses limiares, enquanto uma outra sociedade se afasta a uma taxa de expansão incomportável. Estamos a criar ghettos que explodirão de alguma forma a seu tempo, se não soubermos encontrar caminhos. O que Alegre e quem está com ele quer dizer, é que esta disparidade não faz sentido, e que a resposta da Direita não tem que ser a da fatalidade, sempre que fala do insucesso dos pobres. Hoje o fosso alarga-se não só porque os mais incapazes são os mais vulneráveis pela ausência de verdadeiros planos de erradicação da pobreza, mas porque todos conhecemos a força com que o poder económico impõe a receita neo-liberal e a dependência que a necessidade de garantir um posto de trabalho cria desse modelo perverso que tolhe o protesto às injustiças.

João Grazina às 10:34 | link do post | comentar

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