Domingo, 23.01.11

Até amanhã, camaradas

Não há muito mais a dizer, a não ser felicitar democraticamente o candidato vencedor e a antever uma luta de esquerdas no campo sócio-político para breve. Por isso, deixo apenas um até amanhã e um abraço... justo e fraterno, é claro!

Cláudio Carvalho às 23:13 | link do post | comentar
Sexta-feira, 21.01.11

Dia 23 é já amanhã

 

O último post antes da 2ª Volta. Termino, espero que por agora, a minha participação neste blogue. Fui um companheiro de jornada relativamente curto, também porque recente foi a minha compreensão não só de que iria votar em Manuel Alegre, também da importância que a sua eleição tem para o nosso futuro próximo. Como escrevi, muito mais do que as suas muitas qualidades humanas, foi para mim decisivo o perceber o quanto pensar em Manuel Alegre na Presidência da República, me ajudava a imaginar no que gostava que fôssemos enquanto comunidade. Não escolhemos uma pessoa pelo que ela representa, ou representou, no passado, mas por aquilo em que queremos que ela nos represente, no futuro. Manuel Alegre fez muito bem em trazer até nós um contrato presidencial. Um contrato lembra-nos que há direitos e obrigações dos dois lados. É importante lembrar as obrigações que todos nós, enquanto primeiros outorgantes, o Povo, a Comunidade Portuguesa, assumimos. Quando escolhemos Manuel Alegre porque ele é capaz de unir a Esquerda à mesma mesa, também assumimos um compromisso, enquanto esquerda, de que seremos capazes de pensar juntos. Trazendo também para esse lugar de reflexão todos aqueles que já não se revêm na ideia de Esquerda, mas que partilham um mesmo ideário de justiça social, de papel do Estado na sua concretização. A esquerda não é um clube, é um ponto de partida.

 

Tentei durante esta semana, dar-vos conta das razões porque, para mim, se torna tão importante eleger Manuel Alegre.  Eu por exemplo, quando respondi ao desafio de escrever aqui, pensei que queria vir debater a importância que a cultura tem na mudança de atitudes e na compreensão do outro. E também, em dar o testemunho de alguém que durante quase toda a campanha pensou em votar em branco (e que mesmo assim acha que o sistema eleitoral deveria considerar o número de votos em branco dentro das opções expressas) e que percebeu, a uma semana, que não poderia deixar de votar em Manuel Alegre. Vejo que me ocupei muito pouco disso e mais em estabelecer ligações com a critica às  SLNs, aos BPNs, às Coelhas, centrando-me talvez mais numa irritação com aquilo que Cavaco Silva representa, do que com aquilo que Manuel Alegre me faz querer para o futuro. Alguns de vós vão por isso ler-me e pensar na fragilidade desse arrazoado e dai, tirarem a ilação de que são também frágeis as razões para votar em Manuel Alegre.

 

Será um erro para o qual, por dele me sentir responsável, vos devo alertar: não confundam a minha incapacidade de explicar as razões porque voto em Manuel Alegre, na vossa incapacidade - e dirijo-me a todos aqueles para quem a ideia de solidariedade na vida em sociedade ainda provoca alguma ressonância dentro dos seus imaginários - de encontrarem as razões para votar em Manuel Alegre.

 

O paradigma racionalista  leva-nos muitas vezes a um erro que pagamos demasiado caro nas nossas vidas: como tudo se passa na dialética discursiva, se alguém não souber explicar de forma suficientemente clara as razões porque tomou uma determinada decisão - neste caso a de votar em Manuel Alegre - deduzimos daí que não há razões muito claras para tomar essa mesma decisão. Ao ler o Público de hoje e a inúmera quantidade de pessoas que diz que esta campanha foi pouco esclarecedora, penso nisso. 

 

É tão difícil partilhar uma ideia que, como esta, nos tempos que correm, tem tanto de emocional como de racional e coloca a política numa dimensão da festa, da alegria.

 

Não haverá uma segunda oportunidade para o dia 23 de Janeiro de 2011.

 

Joaquim Paulo Nogueira às 23:59 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Quinta-feira, 20.01.11

Em frente e depois, à Esquerda

 

 

Descia-se a Rua Nova da Trindade. Almeida Santos, António Costa, Maria de Belém, Carlos César, na primeira linha, marcavam a presença do Partido Socialista. No cortejo vi Garcia Pereira, vi Arnaldo de Matos (um dos cromos mais carismáticos da caderneta que comecei a fazer aos onze anos na minha Ludoteca de Abril). Vi um homem empunhando uma pequena tabuleta sobre uma esquerda socialista. No cruzamento, na Brasileira, o abraço a Francisco Louçã. O grande desafio da 2ª Volta é mesmo este, a forma natural e quase orgânica com que Manuel Alegre parece conseguir fazer com que a esquerda, sem grandes poblemas digestivos,  se junte numa mesma rua. Como que preparando o grande desafio do seu contrato presidencial, conseguir com que a esquerda se sente a uma mesma mesa e discuta, de A a Z,  o que pretende fazer para continuar a ser, no século XXI, a grande promotora de valores como a paz, a liberdade, a solidariedade e a fraternidade.

Joaquim Paulo Nogueira às 23:32 | link do post | comentar
Quarta-feira, 19.01.11

Serviço público (bis)

Eleições Presidenciais

Se quiser saber onde vai votar, aceda a este endreço.

http://www.recenseamento.mai.gov.pt/

Alegro às 11:12 | link do post | comentar

Estabilidade, aquela morta morte dos cemitérios!

As mais recentes declarações de Correia de Campos ( independentemente do ressentimento que possam traduzir) ajudam a perceber exactamente o que está em causa nestas eleições: a estabilidade em que temos vivido até agora com os conceitos de cooperação estratégica (com o GPS um pouco danificado, como sugere o boneco de Luís Afonso) ou a instabilidade que resulta de tomarmos nas mãos a expressão do nosso destino. Eu creio que elaboramos muito acriticamente a ideia de estabilidade. Quando uma situação é negativa, estabilizá-la é prolongar os efeitos negativos da mesma.

 

Nunca me esqueço de uma vez, em Madrid, ter ido, com um dramaturgo amigo,  visitar José Monleón, grande amigo de Portugal, do teatro Português e essenciamente uma grande referência do mundo do teatro iberoamericano. Já estávamos de saída, o meu amigo pergunta-lhe:

- E então,a saúde? Tem estado estável?

Ao que ele, com aquele largo sorriso que o caracteriza, responde:

- A estabilidade é a morte. É a instabilidade que me permite manter vivo.

 

Desde essa lição de vida que valorizo muito mais aquelas experiências e aprendizagens que nos ensinam a lidar com a instabilidade, do que aquelas que, por um conceito errático de estabilidade pretendem perpetuar situações como as que nos trouxeram até ao lugar onde nos encontramos. Os cemitérios não estão só cheios de homens indispensáveis, como escreveu Brecht. Também de tédio e estabilidade. A estabilidade de Cavaco e Silva - e parece também a de Correia de Campos -  é a manutenção da situação, é no plano visível e explícito a política activa dos silêncios, dos não posso dizer, dos não tenho nada a comentar sobre, do não é a ocasião propícia para, do neste momento não é apropriado. Conjugado, no plano invísivel e subterrâneo, com a articulação nunca esclarecida com interesses lesivos à comunidade. É a estabilidade dos cemitérios (e dos covis).

 

Num mar agitado e de grandes vagas como é a tempestade onde estamos metidos, a estabilidade é uma mentira de quem não consegue arregimentar no sonho, na utopia, a coragem necessária. Nada mais desestabilizador do que a falácia política, o não falar o que se sente (ou deixar colonizar a voz pelo que se ressente).

 

Só a verdade nua e crua une verdadeiramente. E neste equilibrio institucional do nosso sistema constitucional, o Presidente da República, porque é aquele que é eleito por uma comunidade que sabe exactamente em que está a delegar a sua representação, deve ser capaz também de ser a voz da inquietação, do apelo, da convocatória, da esperança.

Joaquim Paulo Nogueira às 00:41 | link do post | comentar
Terça-feira, 18.01.11

Tudo em família - A verdadeira história

 

Nascido a 15 de Julho de 1939, em Poço de Boliqueime, Loulé (Algarve), Aníbal Cavaco Silva é licenciado em Finanças pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, Lisboa, e doutorado em Economia (Estudos Africanos) pela Universidade de York, Reino Unido. Curiosamente, um tempo depois do início dos seus sucessivos governos, a referida terra muda de misteriosamente de nome para Fonte de Boliqueime. Provavelmente "alguém" pensou que não seria de bom tom que uma pessoa desta craveira viesse de um poço. Uma fonte é mais poético e adequado*.

*"-Nós somos um rio, que não vai parar, trálálá lálá..."
(e na cartinha da mocidade os rios nasciam das fontes...)


Foi investigador da Fundação Calouste Gulbenkian e dirigiu o Gabinete de Estudos do Banco de Portugal, instituição que tão bem tratou o seu antigo braço direito e Ministro da Administração Interna, e à qual regressou, posteriormente, como consultor. Cargo que lhe vale o usufruto de uma pensão (na ordem dos €10.000 mensais, coisa pouca…) que acumula com o ordenado de Presidente da República Cumpriu o serviço militar como oficial miliciano do Exército, entre 1962 e 1965, em Lourenço Marques (quanta saudade…), Moçambique. Foi durante a sua participação na Guerra Colonial que descobriu a sua grande paixão, os vídeos amadores com a sua mulher Maria (cuja tese de licenciatura versou sobre o Saudosismo Português de Teixeira de Pascoaes).

Quando voltou, foi docente do ISCEF, Professor Catedrático da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa

(onde teve um processo disciplinar por absentismo) e Professor Catedrático na Universidade Católica Portuguesa (onde aprendeu a gratidão ao ensino privado).

Exerceu o cargo de ministro das Finanças e do Plano em 1980-81, no governo de Francisco Sá Carneiro, do qual se demitiu meses antes da intervenção do FMI na economia portuguesa, tornada inadiável após o seu consulado.

Foi presidente do Conselho Nacional do Plano entre 1981 e 1984, data em que se cruzou pela primeira vez com o… Citroen BX. Mas só um ano depois faz a famosa rodagem ao veículo curiosamente até à Figueira da Foz onde decorria uma convenção partidária, veio de lá Presidente ao Partido Social Democrata (PSD) cargo que ocupou entre Maio de 1985 e Fevereiro de 1995 “apesar de não ser político”.

Único líder partidário a conquistar duas maiorias absolutas consecutivas, o que o tornou no Primeiro-Ministro português que mais tempo permaneceu em funções em democracia (1985- 1995), o que é um feito extraordinário “sem fazer política”.

Cavaco Silva deixou, nos seus mandatos como governante, a marca do esbanjamento de torrentes fundos comunitários à troca dos quais vendeu o tecido produtivo nacional. A firmeza na aplicação de um vasto conjunto de regras formais, que promoveram a democratização e a liberalização da sociedade e da economia portuguesas, como são exemplos: a recusa em perder tempo com a leitura de jornais, a sublimação da evasão fiscal, a promoção de tabus políticos são algumas das faces visíveis da imagem que ostensiva e orgulhosamente cultivou, e que também teve a sua face mais lunar na repressão de movimentos estudantis e sindicais.

Nuno Félix às 18:16 | link do post | comentar | ver comentários (1)

O que está em causa no dia 23

Cavaco sabe que de cada vez que abre a boca perde votos. Os últimos dias de campanha têm sido claros a esse respeito. Daí que se perceba de certa maneira esta fuga a uma entrevista à Antena 1. Pressentindo a possibilidade de uma segunda volta, o candidato do PSD e do PP tem vindo a dramatizar crescentemente o tom da campanha. Uma estratégia que se tem desenvolvido em torno de dois planos distintos mas convergentes.

 

O primeiro é o recurso à vitimização, próprio de quem se julga desobrigado de qualquer tipo de exame público. Ficámos sem perceber porque Cavaco comprou acções ao preço que só Oliveira e Costa podia comprar. Ficámos a saber que Cavaco passa férias com os homens fortes do BPN, entre os quais Oliveira e Costa e Francisco Fantasia, numa casa da qual não se recorda onde e quando fez a escritura. A esse escrutínio de amizades nebulosas tecidas em contexto político Cavaco chama "ataques de vil baixeza". Felizmente, neste caso da Aldeia da Coelha, Cavaco Silva já afirmou que dia 23 de Janeiro lerá as notícias e dará explicações. Aí está um motivo adicional para o país querer um segunda volta.

 

O segundo eixo da estratégia do candidato da direita passa pelo recurso continuado a afirmações de teor populista. O episódio recente em torno da pensão da sua mulher é revelador, tal como antes já havia sido revelador o apoio sonoro à campanha das sobras dos restaurantes ou o discurso de esmoler em Almada. Abordado por uma senhora que se queixava da sua parca reforma, Cavaco apontou para a mulher, referiu a sua pensão de 800 euros e informou que é ele que a sustenta. Os jornalistas esqueceram-se de perguntar à senhora qual o valor que mensalmente auferia, para que pudesse haver comparação. E também de aferir o estranho percurso contributivo da "mísera" professora universitária que ao fim de uma vida de descontos possui apenas aquele estipêndio. Cavaco, o homem que nesse dia elogiou o "povo simples" e dele disse fazer parte, esqueceu-se que o salário médio em Portugal não chega a esse valor e que um milhão e meio de pensionistas sobrevive com menos de 450 euros.

 

Este exercício de confronto entre o discurso e a realidade pode multiplicar-se e os seus resultados são esclarecedores. Assim, Cavaco, o homem que era primeiro-ministro quando ocorreram as célebres cargas policiais a estudantes, operários e utentes da Ponte 25 de Abril, e que se calou durante as manifestações de professores em 2008, incita agora os jovens a virem para a rua defender a "sua escola". Cavaco, o homem que tranquilizou a embaixada norte-americana quanto à "suavidade" da comunicação social portuguesa, fala em comício de uma suposta ausência de imagens sobre a sua campanha. Cavaco, o homem que anseia jurar a Constituição, tem palavras dúbias no seu manifesto eleitoral sobre o Serviço Nacional de Saúde. Cavaco, o homem que se vangloria de ter servido como intermediário do acordo PS / PSD para aprovação das medidas de austeridade, critica agora o esforço isolado imposto aos funcionários públicos, deixando no ar um silêncio subtil sobre a vontade de expandir os cortes salariais ao sector privado.

 

Mas o que está em causa no dia 23 não é apenas a necessidade de derrotar nas urnas o perfil seráfico e dúplice de Cavaco. É bem mais do que isso. É o confronto entre uma visão assistencialista do papel do Estado, reverente perante os mercados e a finança, e uma visão assente no conteúdo social da democracia, que encontra substância na candidatura de Manuel Alegre. Apesar de contar com o PS na sua lista de apoios, Alegre soube afirmar uma voz própria, frequentemente crítica do rumo governamental, e mostrou-se capaz de federar a esquerda - numa primeira ou numa segunda volta - em torno desta batalha concreta para um cargo que é unipessoal. Se Cavaco ganhar à primeira volta, estaremos a abrir caminho a um novo ciclo de hegemonia da direita que - com ou sem o FMI no país para ratificar as suas opções - não se coibirá de realizar um programa político privatizador e socialmente iníquo. Se Alegre passar à segunda volta, não só tem hipóteses de vencer com o apoio dos restantes candidatos de esquerda, como estaremos melhor preparados para construir uma necessária alternativa política e social para os tempos que aí vêm.

Miguel Cardina às 15:31 | link do post | comentar
Segunda-feira, 17.01.11

Serviço público

Eleições Presidenciais

 

Se quiser saber onde vai votar, aceda a este endreço.

http://www.recenseamento.mai.gov.pt/

Alegro às 14:19 | link do post | comentar
Domingo, 16.01.11

O Povo e Manuel Alegre

 

 

Cavaco diz que veio do povo. Veio e fez tudo o que estava ao seu alcance para o esquecer . . .

Alegre gosta do Povo e o Povo gosta de Alegre:

Hoje, em Matosinhos, junto das mulheres que vendem peixe. Amanhã, com os Portugueses, na Presidência da República.

Vera Santana às 21:20 | link do post | comentar

Melhor que uma onda

Em complemento do que foi dito aqui e aqui, e porque também não vi ainda imagens do maior comício da campanha, aqui fica este vídeo que conclui com imagens no Teatro Gil Vicente, em Coimbra.

 

Mas há qualquer coisa nele que gostaria que fosse notado. É extraordinário, podermos ver nestas imagens, como os apoiantes estão ali sem rótulo na lapela, com grande entusiasmo, uma coisa impensável há pouco tempo noutro cenário, com outro protagonista. Há um ambiente neste novo apoio que não me canso de exaltar, porque não se reporta apenas às tradicionais hostes de um partido. Talvez esteja a chegar o tempo de todos humildemente aprendermos mais um pouco. Talvez. Convido-vos a ver para comprovar. Confesso que ficarei desiludido se o meu país não estiver atento no dia 23.

 

 

 

Publicado também aqui

 

João Grazina às 17:01 | link do post | comentar

Razões para não votar Cavaco

O Cavacolas

 

O Cavacolas, de Tacci.

 

Em Outubro de 2010, Pedro Correia indicou-nos no Delito de Opinião, dez razões para não votar Cavaco. O Tacci, no Portugal, Caramba! juntou mais uma. Três meses depois e exposto ao escrutínio, a lista aumenta.

João Grazina às 10:35 | link do post | comentar
Terça-feira, 11.01.11

Press

Uma interessante resenha de o Público sobre slogans de campanha presidencial.

Luis Novaes Tito às 13:46 | link do post | comentar
Sexta-feira, 07.01.11

A incapacidade do candidato conservador

 

Aqueles que saúdam o candidato conservador e a sua pretensa capacidade de tomar decisões políticas independentemente das suas convicções pessoais, estão a ter em conta a incapacidade institucional de interromper as suas férias para se deslocar ao funeral do Nobel da Literatura José Saramago?

Cláudio Carvalho às 20:45 | link do post | comentar

Apontamentos de macroeconomia...

Voltemos, então, aos apontamentos de macroeconomia que se leccionam nas instituições de ensino superior nacionais:

http://www.fep.up.pt/docentes/joao/material/macro2/macro2_texto_estado.pdf

 

 

Ou seja, mesmo no início da afectação nacional fruto da crise financeira internacional, Portugal tinha um défice 48% mais baixo que o dos tempos idos do candidato conservador... penalizaremos, então, o maior culpado pelo descontrolo das contas públicas.

Cláudio Carvalho às 13:36 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Este não tem de ser o meu país 3.

 

 

. . . . . . . . . . . personalidade autoritária espírito fechado . . . . . . . . .

 

Adorno e outros autores construíram, nos anos 50, uma escala F que consistia num questionário com 48 afirmações com o objectivo de avaliar a dimensão fascista da «personalidade autoritária». De acordo com as respostas, as pessoas foram caracterizadas num continuum entre pólos opostos  - tendências fascistas e racistas / tendências democráticas. Os resultados mostraram que os indivíduos com pontuações elevadas na escala F - muito fascistas - tinham tido uma socialização familiar dogmática e repressiva, comparativamente com os indivíduos que obtiveram baixas pontuações na escala F - muito democráticos -  cuja socialização se tinha desenvolvido em ambientes descontraídos, tolerantes e criativos.

 

Uma pesquisa posterior procurou confirmar a teoria de Adorno sobre a «personalidade autoritária» , concluindo que os indivíduos autoritários tendem a simplificar/dicotomizar a forma de encarar a vida. Uma outra tese evidenciou que a hiper-simplificação e a rigidez de estilo de pensamento associadas à «personalidade autoritária» não são apanágio apenas dos fascistas, dos racistas ou dos indivíduos de extrema-direita, encontrando-se igualmente presentes em indivíduos e grupos que se caracterizam por «espírito fechado».

 

«Espírito fechado» é uma forma de raciocínio que se define por uma separação mental entre dois ou mais sistemas de crenças diferentes, de modo a permitir (a) a conciliação de opiniões de outro modo contraditórias, (b) a resistência dessas crenças à mudança, face a nova  informação e (c) o recurso ao argumento de autoridade para justificar a correcção das crenças ameaçadas.

 

Corpo do texto adaptado de post in PIMENTA NEGRA @ 11.7.05

 

 

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . e Cavaco Silva?

. . . . . . .  tem um espírito fechado?

 

sim

não 

 

Justifique a sua resposta : _______________________________________________________________________________________________________

Vera Santana às 12:43 | link do post | comentar
Quinta-feira, 06.01.11

Está nas nossas mãos

"Nas tuas mãos começa a liberdade."
Manuel Alegre - "O Canto e as Armas", 1967


 

Nada melhor que umas eleições como as com carácter Presidencial, para os portugueses expressarem o seu descontentamento através do voto. Sim é possível, a expressão de descontentamento para com o actual sistema sócio-político português, através do voto num dos candidatos e a escolha parece-me óbvia.

 

No Estado Novo, enquanto Manuel Alegre lutava contra o regime fascista e publicava "O Canto e as Armas", o candidato conservador mostrava-se integrado no regime político ditatorial. Manuel Alegre é o único candidato inconformado com o actual rumo, tal como no passado. Hoje em dia, a postura conformista e até cúmplice do candidato tecnocrata conservador é similar, como se pôde comprovar no debate frente a Manuel Alegre em que a primeira mensagem foi destinada à alta finança e não aos portugueses.

 

Nunca é demais reforçar que Manuel Alegre, livremente, tem-se expressado contra a actual concepção das sociedades vergadas ao capitalismo desregulado, em alternativa ao candidato conservador que é subserviente ao poderio da finança sobre os sistemas sociais construídos por posições políticas sólidas e históricas.  Se os portugueses são críticos para com o actual rumo social, só poderão confiar o voto em quem, como eles, não se conforma. Usemos da arma - leia-se das nossas mãos, leia-se do voto - para mudar o rumo!

Cláudio Carvalho às 20:37 | link do post | comentar | ver comentários (2)

É preciso este Presidente para que haja um país!

Paula Cabeçadas às 13:25 | link do post | comentar

Memória Histórica: "Governar com o cassetete"

Cláudio Carvalho às 08:30 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Este não tem de ser o meu país 2.

 

 

O dia da raça!?

 

Num país à beira do mediterrâneo e voltado para o oceano, feito de antigas miscigenações e de modernas emigrações e imigrações, só um grande fechamento à realidade pode levar um cidadão português a este lamentável mas profundo lapsus linguae.

Vera Santana às 02:30 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Quarta-feira, 05.01.11

Patriarcado ou conservadorismo primário?

A passagem abaixo não poderia evidentemente passar despercebida a ninguém. Porque, mais do que o discurso preparado e retocado dos candidatos, é sobretudo aquilo que se deixa escapar com a naturalidade descuidada da ignorância, no fluir de uma conversa, que se torna significativo e revelador. Foi o que aconteceu nesta intervenção. Cavaco sabe (tal como os outros) que precisa de se dirigir a segmentos especificos da sociedade e um deles são as mulheres. Mas a forma como o presidente em exercício faz referência à condição feminina denuncia, de forma clara, a sua perspectiva acerca do papel da mulher na sociedade. Para CS esse papel resume-se a "um pilar da família", à sua acção de "protecção das crianças" e a "fazerem milagres com o orçamento limitado da casa". Com esta visão se torna clara, desde logo, a mentalidade arcaica do Presidente acerca da sociedade. Mas revela também a sua insensibilidade e a sua falta de cultura.

 

Num país em que as mulheres possuem uma elevada empregabilidade, mas também onde elas são vitimas de discriminação, estando em maior número no desemprego e nos sectores mais precários, são segregadas no acesso a posições de chefia e recebem salários inferiores aos homens (para tarefas iguais) em cerca de 30%; considerando os licenciados que trabalham, as mulheres recebem em média metade dos salários dos homens. Sim, é  verdade: são elas que ainda tomam conta dos filhos, se encarregam das questões esclares e da sua saúde (assim como executam a maioria dos trabalhos domésticos; e a esta realidade pode somar-se o drama da violência doméstica contra as mulheres, que ocorre diariamente em muitis lares portugueses). Porém, é isso que devemos combater (e não justificar ou defender) em nome da emancipação da mulher!

 

De facto, é essa dura realidade que se esconde por detrás da imagem alinhada, sofrida, sacrificada e coitadinha atribuida à mulher portuguesa ao longo do Estado Novo. O velho estereotipo do «doce lar» que durante muitos anos alimentou essa fantasia da mulher enquanto "fada do lar", a incansável e submissa companheira que deveria velar pela limpeza da "casa portuguesa concerteza", limpinha, arrumadinha e ordeira, sob a autoridade do "ganha-pão".

 

Fica, portanto, muito claro qual é o conceito de "mulher" e de "família" do actual Presidente.

 

Trinta e seis anos depois do 25 de Abril, as mulheres portuguesas de hoje -- jovens, ou menos jovens -- nada têm a ver com aquela obsoleta "figura" feminina construída pelo ideologia autoritária e conservadora do salazarismo. Acredito, portanto, que o eleitorado feminino irá certamente punir um candidato que ainda transporta na cabeça uma ideia tão ultrapassada do papel da mulher. É essa mentalidade retrógrada que impede a mulher portuguesa de alcançar o reconhecimento e o protagonismo que merece.

Elísio Estanque às 21:58 | link do post | comentar | ver comentários (6)

Este não tem de ser o meu país 1.

 

 

Diz o candidato Cavaco: "[...] Figuras de mulheres que fazem milagres . . . ".

E nós, mulheres, dizemos-lhe: " Não queremos ser obrigadas a fazer milagres caseiros!"; "Não queremos ser figuras!"

Vera Santana às 20:41 | link do post | comentar | ver comentários (18)

A emergência da mudança

 

Não é difícil de perceber a importância das próximas Eleições Presidenciais e o porquê da necessidade de lutar, pela palavra, contra o regime de opacidade democrática vigente cimentado por um dos políticos profissionais há mais tempo no activo. Mais que nunca, o povo português e os jovens, particularmente, têm o dever cívico de responder à crise económico-financeira e, sobretudo, de valores com o seu voto que será preponderante para efectivar a mudança, que se exige, no paradigma político.


Manuel Alegre apresenta-se como a única solução personificadora de valores ideológicos progressistas e humanistas, fundamentais para o desenvolvimento de uma sociedade justa e fraterna, em oposição, ao integralismo tecnocrata do candidato conservador. Manuel Alegre inspira confiança aos jovens, será promotor de maior estabilidade institucional sem ser subserviente aos poderes governativos e da alta finança, reestabelecerá um clima de transparência, é escrupuloso sem ser moralmente pretensioso e, acima de tudo, trata as decisões políticas como decisões com impacto real na vida das pessoas e não apenas como efeitos estatísticos ou como meros "danos colaterais". São visões diametralmente opostas e os portugueses terão que optar, convictamente, nas eleições presidenciais mais importantes dos últimos 20 anos.

Votar em branco, nulo ou simplesmente abster-se terá efeitos equitativamente nulos do ponto de vista de expressão de descontentamento ou não identificação e só beneficiará o statu quo presidencial. Pior que isso, terá o significado político de pura e dura regressão democrática, deixando que outros decidam pelo cidadão comum alheado, voluntária ou involuntariamente, da actualidade política.

Votar no candidato conservador é desistir de Portugal, dar a Pátria como financeira e, sobretudo, eticamente  falida, como que se não houvesse alternativa ao modo de fazer política dos últimos 30 anos. Nunca antes, os jovens se sentiram com tão pouca esperança, verificando-se uma neo-diáspora para o qual o maior responsável político é, indubitavelmente, o candidato conservador. Hoje, mais que nunca, lutemos... juntos!

 

(Foto: http://urbanascidadespoa.blogspot.com/2010/09/portugal-literatura-e-poesia.html)

Cláudio Carvalho às 10:31 | link do post | comentar

Cavaco BPNizado

Desde o último debate (entre Manuel Alegre e Cavaco Silva) que a questão SLN/BPN persegue Cavaco Silva (CS). Como ainda hoje dizia um insuspeito comentador da SIC-Noticias, "há coisas que precisam ser explicadas". A gente nem quer, longe de nós, pôr em causa a honorabilidade da pessoa. Questões de justiça são do foro da justiça. Porém, à política o que é da política. Os cidadãos portugueses têm o direito de saber os contornos destes movimentos e das relações pessoais entre o presidente em exercício e Oliveira e Costa, a SLN e o BPN. No momento da campanha em que nos encontramos, este aspecto pode ser decisivo para o resultado do próximo dia 23. Porque, naturalmente, os eleitores têm o direito de saber que informação privilegiada teve o accionista Cavaco Silva para comprar, em seu nome e de sua filha, um volume de acções tão significativo no momento em que elas valiam tão pouco? Que outros movimentos semelhantes ocorreram no mesmo período de tempo com outros clientes (se os houve)? E quais os preços "de mercado" praticados nos outros negócios? Foram idênticos? Os outros accionistas também ganharam somas/ proporções tão generosas de dinheiro? Foi simples contingência que em tão pouco tempo a família Silva tenha obtido um lucro de cerca de 140%?

 

Bem, se se confirmar que foi uma de mera questão de sorte, podemos finalmente perceber porquo CS crê tão cegamente nos mercados e nas transacções bolsistas! Todavia, se houve ali alguma marosca, todo o verniz que recobre de seriedade o referido candidato pode de repente estalar e o destino ainda lhe pode pregar uma inesperada partida neste lindo mês de Janeiro de 2011. Seja como for, o certo é que já lá vai uma semana que o homem de Boliqueime está “BPNizado”, pois o assunto colou-se-lhe que nem lapa e assim parece continuar para animar uma campanha que já estava dada como resolvida. Não está...

Elísio Estanque às 00:00 | link do post | comentar
Terça-feira, 04.01.11

As presidenciais e o discurso da direita neofascista (Público, 31.12.10)

Ou a esquerda perdeu definitivamente as suas defesas ou é o clima instalado, de desgaste e saturação dos valores democráticos, que começa a instigar os novos arautos da direita proto-fascista do século XXI. Seja como for, estamos num ponto de indefinição e de viragem particularmente preocupante. Mas as épocas de crise têm pelo menos o condão de demarcar posições e separar as águas. A actual contradição não é apenas entre a esquerda e a direita, mas também entre a memória e o esquecimento e entre o futuro da democracia e o regresso ao elitismo fascizante. O momento crítico que se vive na Europa não se compadece com a atitude persecutória dos que, além de não possuírem nenhum passado político já se arrogam o direito de agredir e julgar na praça pública os que lutaram e arriscaram a vida para nos devolver a liberdade.

 

Vem isto a propósito de dois artigos de opinião de Rui Ramos (RR) e Henrique Raposo (HR), publicados no jornal «Expresso» (18/12/2010), qual deles o mais agressivo e demagógico no branqueamento do salazarismo e no desrespeito perante quem corajosamente lhe resistiu. Não por acaso, o ataque é contra Manuel Alegre. Falar do passado, ou melhor, ter um passado e assumi-lo torna-se, na linguagem destes fazedores de opinião, a “exploração comercial da mitologia antifascista” (RR), enquanto se considera que “às portas de 2011” (sic) lembrar o salazarismo, a PIDE ou o antigo regime é qualquer coisa de absurdo, e de todo incompatível com “as ideias europeias de 2010” (HR). Na mesma linha doutrinária, uma outra pérola de RR é-nos oferecida no mesmo jornal (Expresso, 23/12/10) com a demonstração de que as leis laborais foram concebidas para “expropriar os proprietários” quando, segundo este “expert” em direito do trabalho, o que é preciso é deixar de ver “a propriedade como um crime” e “tratar as partes contratantes como iguais”. Perante isto, até Belmiro ou Amorim, que reconhecem direitos aos trabalhadores, parecem autênticos gonçalvistas (!) e a Alemanha, a França ou os países nórdicos são concerteza países comunistas. Eis uma “questão ideológica” que faria inveja a António Ferro.

 

Por outro lado, não sei o que sejam as “ideias europeias de 2010”, de que fala HR. Primeiro, porque foram as ideias e as políticas dominantes na Europa e o modelo neoliberal que nela vingou nas últimas décadas que conduziram ao estado em que estamos; ou seja, como toda a gente sabe, o que infelizmente se assiste na Europa actual é ao bloqueio de soluções democráticas para a UE e ao reforço do autoritarismo do mais forte (a Alemanha). Segundo, porque, as propostas alternativas ao paradigma dominante competem com as forças ultraliberais e alguns genes autoritários adormecidos que parecem querer despertar no actual cenário de crise. As novas ideias europeias que precisamos devem ajudar-nos a que o passo seguinte seja em prole do progresso, da igualdade, da coesão e da justiça social e não do retrocesso a uma matriz conservadora e liberal. Seria cómico se não fosse trágico. O “provinciano complexo” de inferioridade da direita (pelo menos de uma certa direita) está a promover o clima populista e o “vazio ideológico” que pode fazer ressurgir a mais perigosa das ideologias: abrir o campo a um novo “salvador” pretensamente imune às ideologias. O povo tem memória. E a memória colectiva tem de permanecer no debate público.

 

Mas, o que é especialmente inquietante é que a campanha em curso de ataques soezes contra Manuel Alegre, como é o caso destes, tem como objectivo não apenas branquear a importância do nosso passado histórico recente, mas igualmente estender a passadeira ao candidato Cavaco Silva, o economista e ex-Primeiro Ministro cujas responsabilidades políticas no processo português de adesão à UE devem ser lembradas (no momento em que assistimos ao seu falhanço). É como se possuir uma trajectória pessoal de combatente pela democracia e pela liberdade tivesse, de repente, passado a constituir um estigma inaceitável. É como se não possuir qualquer passado de luta tivesse, de repente, passado a constituir o acréscimo de autoridade para que a eleição presidencial se torne um passeio, um mero acto burocrático ou plebiscitário.

 

A um mês das presidenciais não há prognósticos credíveis, tal como não os há quanto às prováveis rupturas e viragens que se adivinham na Europa e no mundo. Mas, o discurso demagógico destes pregadores – que não tiram da cabeça os pesadelos do PREC – prova que os clichés e radicalismos do passado estão a renascer das cinzas e revela bem as obsessões fantasmagóricas da direita neofascista.

Elísio Estanque às 23:26 | link do post | comentar

eMail

pesquisar

 

autores

posts recentes

últ. comentários

  • Genial ... anedota nacional. Fica a ideia da const...
  • Ou seja, Cavaco, nos seus 10 anos, reduziu o défic...
  • Obrigado Rodrigo.Este Blog estará disponível enqua...
  • Caros AmigosO trabalho que fizeram e apesar de os ...
  • Há gente que nunca conseguirá ver mais do que a po...
  • Palavras para quê?"Alegre confrontado com insinuaç...
  • Obrigado JPN.Já está resolvido.
  • Obrigado, AnabelaFoi um prazer acompanhar Manuel A...
  • Tens toda a razão, Paulo.Esta treta de gente do me...
  • Acho que não deve conseguir ler os gráficos muito ...

mais comentados

arquivos

2011

tags

links

subscrever feeds

networkedblogs - facebook

NetworkedBlogs
Google Groups
blogs SAPO

Logo

Alegre - Alegro Pianissimo
Imagem: Rui Perdigão