Terça-feira, 18.01.11

Olhar a crise de novo, agora olhos nos olhos

Quando insisto tanto na dimensão cultural e artística que é preciso trazer para a nossa vida, e a política faz parte da nossa vida, muitas vezes perguntam-me o que é que eu quero dizer com isso, já que encaramos demasiadas vezes a cultura  e a arte em função do mercado dos objectos (os livros, as músicas, as imagens, animadas ou não, as esculturas, etc) que criamos e muito pouco nesse trabalho de vaivém identitário que resulta de brincarmos a esse jogo de possíveis em que se constitui a experiência artística.

 

Ora é fundamental trazermos esta experiência da possibilidade para a nossa vida. Temos de dizer a nós mesmo que podemos viver de outra maneira. Que podemos tomar as nossas decisões de outro modo. Que podemos envolver a comunidade de uma outra forma. O grande drama que vivemos, e que poderá ter contornos trágicos, é que esta clima psicodramático em torno da crise tem como primeira consequência diminuir-nos as possibilidades de acção.  Já o esmiucei de outra forma noutro sítio. Cria-se um clima de terror e de desmembramento do mundo senão agirmos logo e não agirmos de uma determinada maneira. E quando mais discutirmos, mais terrível será. O pathos não admite hesitações. Perante o perigo sistémico, outro jargão da linguagem da crise, as várias economias suportaram preços incomportáveis. O Governo decidiu a nacionalização do BPN, Cavaco promulgou o decreto em 4 dias, o Banco de Portugal anuiu e hoje estamos a pagar, por muitos anos, um preço muito elevado sobre isso.

Joaquim Paulo Nogueira às 01:26 | link do post | comentar
Terça-feira, 11.01.11

O problema do 11-1-11 será o 12-12-12 ?!

Boa parte dos países que dominarão o século XXI têm graves limitações ou sérios constrangimentos, agora ou até há pouco tempo, de liberdade de opinião, associação e manifestação.Vários dos países com maior potencial de dominar as próximas décadas têm sérias limitações ou graves problemas com a liberdade religiosa ou a convivência entre religiões.A esmagadora maioria destes países teve ou tem problemas graves no que toca à corrupção ou criminalidade em geral. Boa parte deles passou recentemente por enormes crise ou dramáticas transformações.

 

Antes Brasil, Rússia, Índia, China, agora também o México, a Argentina e África do Sul. (Coreia do Sul, Chile, Tailândia, Malásia e Filipinas falharam o alvo ou estão no cruzamento entre o sucesso e o falhanço, Espanha e Austrália estão em stand by)

 

Sem ser pessimista será um problema de tolerância, direitos e liberdades e dos custos associados ao "Estado de Liberdade" ou ao "Estado Social"? Sem ser alarmista, será um problema de modelo cultural ocidental em falência? Será a normal fase de decadência dum "sistema" ou "modo de vida" em ciclo descendente ou apenas sintomas duma fase de transformação rumo a algo diferente?

Pode ser só a proximidade do dia 12 de Dezembro de 2012 a afectar os mercados e os políticos mas, honestamente, duvido.

 

Acredito que encontrar a raiz do "medo Ocidental", a razão da putrefacção de alguns dos alicerces da nossa sociedade, os verdadeiros risco que corre o nosso modo de vida, os  reais desafios que o nosso modelo de regime e "governança" enfrentam, é a única forma a vencermos o século XXI. Não contra ninguém, mas por nós.Não contra "os outros" mas também com "eles" ou por causa "deles".O caminho terá de passar não por impor a nossa matriz numa "cruzada" espúria contra o "Oriente" ou os "novos-ex-velhos-futuros emergentes" mas mudando algo em nossa própria casa, não? E de preferência mudando algo já.Portugal, Ibéria ou não-Ibéria, Europa do Norte e do Sul, Europa Central e Periférica ou ultra-periférica, Europa da 1ª Divisão ou da 2ªDivisão.União Europeia Federal ou nem por isso.Algo tem de ser pensado, debatido, testado, implementado, algo tem de mudar, ou estou equivocado? De verdadeiramente alarmante, especialmente para a Velha Europa, é que algo que é menos grave para a Nova Europa ou os EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia entre outros, é do Atlântico aos Urais não encontro um pensamento, uma ideia, um conceito de futuro e de renovação para nós, Europa, berço do "Ocidente".

 

Não é o Putinismo, um pseudo-Merkelismo nem um soft-Berlusconismo, não me parece que exista Cameronismo e muito menos Sarkozismo, Obamaismos nem servem para os US of A, muito menos para a Europa!De onde virá a solução?A luz e o caminho...ou a inspiração e motivação?

 

Desculpem esta interrupção na campanha eleitoral Presidencial, segue dentro de momentos...

 

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Paulo Ferreira às 12:48 | link do post | comentar

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