Segunda-feira, 24.01.11

É a chamada mudança na continuidade...

 

Cavaco foi reeleito com uma margem indiscutível. Mas algo mudou. Em primeiro lugar, a imagem que os portugueses têm do actual PR transformou-se. Ficaram evidentes as suas ligações pouco claras ao BPN/SLN. O mito do Cavaco ultra sério, ultra idóneo e ultra honesto desvaneceu-se.

 

Em segundo lugar, com o discurso agressivo que ontem fez, Cavaco mostrou que o estilo “presidente de todos os portugueses” parece ter terminado. Este novo Cavaco demonstrou estar pouco preocupado em parecer magnânimo e conciliador.

(Imagem: Presidência da República

João Ricardo Vasconcelos às 14:22 | link do post | comentar
Sexta-feira, 21.01.11

Cavaquismo e SLNismo

 

Neste último dia de campanha, uma coisa parece certa relativamente a Cavaco Silva: foi igual a si mesmo em todo este processo. No fundo, apresentou na perfeição algumas das características mais claramente associadas ao estilo cavaquista de se estar na política. A primeira delas foi o sempre preocupante facto de Cavaco não se considerar um político. Ou seja, a figura política da nação que mais cargos de relevo e durante mais tempo ocupou na democracia portuguesa não pertence à classe política. Continua a considerar-se um “humilde professor”, um técnico especializado que coloca despretensiosamente os seus serviços ao dispor do Estado e do povo português. Enfim, a oeste nada de novo.

 

A segunda característica de destaque que não surpreendeu foi o seu difícil relacionamento com o confronto político e com o questionamento da comunicação social. Mais uma vez, optou pela figura reservada que prefere o silêncio ao confronto de ideias, prefere o caminho do tabu e da vitimização pessoal ao esclarecimento. A terceira característica igualmente preocupante que se destacou foi a ideia de que se pode prescindir da democracia se causas de força maior se impuserem. Foi o que o actual Presidente da República fez ao invocar o contexto de crise e os custos dos actos eleitorais para que uma 2ª volta não aconteça. No fundo, considerou deste modo que até na democracia se pode poupar, ideia que assenta na perfeição no tal estilo cavaquista.

 

Mas esta campanha eleitoral tornou clara para a generalidade da população uma característica do Cavaquismo até agora algo mitigada: o SLNismo. Com tantos factos por esclarecer, com tantas proximidades e ingenuidades muito mal explicadas por parte do actual presidente, muitas dúvidas ficaram no ar. O país ficou a perceber que o honestíssimo, incorruptível e ultra-sério Cavaco Silva afinal parece ter uma série de coisas a esconder. Não que qualquer responsabilidade criminal lhe possa ser atribuída por tais proximidades, mas sim inevitáveis responsabilidades políticas por estar tão perigosamente próximo das caras que estão na origem do maior rombo nas finanças públicas de que há memória.

 

O Cavaquismo já tinha muitas facetas. Mas parecem restar poucas dúvidas que o SLNismo foi a maior revelação desta campanha. Importa assim acreditar que, entre todas as outras dimensões, esta falta de transparência, estas relações duvidosas, estas promiscuidades que tanto lesam o erário público, não sejam esquecidas quando os portugueses votarem no próximo Domingo. Se tal esquecimento suceder, se se fingir que nada se passou, tal não será certamente um sinal de saúde democrática.

 

Artigo publicado hoje no Esquerda.net

(Imagem: Mais um packard em rodagem)

 

João Ricardo Vasconcelos às 14:27 | link do post | comentar
Quarta-feira, 19.01.11

Bora poupar na democracia?

 

 

Invocar o contexto de crise e os custos dos actos eleitorais para que uma 2ª volta não aconteça é de um "exotismo" impressionante. Já agora, abdicava-se da 1ª volta também, não? Evitava-se assim que os cidadãos se dessem ao trabalho de decidir e ainda se poupavam uns belos trocos...

 

Não sei porquê, mas estas declarações fazem-me lembrar aquele episódio da senhora que sugeriu que se suspendesse a democracia. Olha, que engraçado... Coincidência das coincidências, a senhora é muito amiga e assumida discípula do autor das presentes declarações... Que coincidência, não é?

João Ricardo Vasconcelos às 00:42 | link do post | comentar
Segunda-feira, 17.01.11

Mas será que quer ser escutado?

 

Cavaco afirma que um presidente deve apontar linhas estratégicas para o país. Certo, até podemos estar globalmente de acordo. Mas será que o actual presidente quer ser escutado? É que da última vez que se falou em escutas com o actual inquilino de Belém, houve direito a cafés na Avenida de Roma, a assessor recolocado na presidência e a declarações ao país que mereciam figurar no best of do Isto só Vídeo… ;)

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João Ricardo Vasconcelos às 14:14 | link do post | comentar
Quarta-feira, 12.01.11

Le Miserable

Como best of da entrevista de Cavaco Silva na RTP, destacaria a parte em que este afirma que era um mísero professor ao mesmo tempo que explica que as suas poupanças estavam espalhadas por vários bancos. Bem... Só no BPN investiu cerca de 105 000 mil euros de poupanças. Devemos multiplicar este valor por "vários bancos"? Um miserable, sem dúvida. Cavaco é toda uma postura...

João Ricardo Vasconcelos às 21:03 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sábado, 08.01.11

Evidências, penso eu de que...

 

É natural que a candidatura de Cavaco Silva insista que o caso das acções do BPN é um tema lateral, uma campanha negra que revela o desespero da candidatura de Alegre. Em termos de gestão da comunicação política, é o posicionamento mais evidente a ter neste tipo de situações. No fundo, dramatizar e tentar que um tema altamente desfavorável pare de crescer.

 

Mas de toda esta situação surge uma evidência ainda mais complicada de ignorar. É que se este caso não inundasse a agenda, isso sim seria de estranhar. Ora vejamos:

  1. Portugal está na situação económica que está;
  2. Apesar da penúria, foi assumida a nacionalização do BPN, um negócio ruínoso que arrepia qualquer contribuinte;
  3. No referido banco estiveram envolvidas inúmeras figuras eminentes do cavaquismo;
  4. O BPN tem vindo a revelar-se um buraco inacreditável, um antro de falcatruas e negócios ruínosos cuja factura será penosamente paga pelo contribuinte português;
  5. O ex-primeiro-ministro e, como tal, figura eminente de um dos principais partidos e eterno possível candidato a Presidente de República, consegue um negócio fabulástico de compra e venda de acções não cotadas em bolsa. Negócio este validado por um dos seus antigos subalternos e então responsável máximo do Banco.

Posto isto, insisto: em que país do mundo democrático tal não seria encarado como um perigoso indício de tráfico de influências? Em que país do mundo democrático tal não levantaria suspeitas de favorecimento e de almoços pseudo-gratis? Em que país do mundo democrático uma história como esta não incendiaria uma campanha eleitoral?

 

(Imagem: The missing link)

João Ricardo Vasconcelos às 02:17 | link do post | comentar | ver comentários (2)

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