Segunda-feira, 24.01.11

Rescaldo

...

 

Não vou citar percentagens. Não contabilizarei vencedores ou vencidos porque está quase tudo dito.

 

Às 20 h de ontem, o meu primeiro sentimento foi uma enorme compaixão por todos nós, o povo deste país, como se uma fatalidade continuasse a perseguir-nos e a castigar-nos por malfeitorias de que não somos responsáveis. Demasiado trágico e também falso: cinco anos não são uma eternidade e fomos nós que decidimos o que se passou.

 

Confirmados os péssimos resultados de Alegre, um outro sentimento igualmente incorrecto - «fiz o que pude e a mais não sou obrigada» - ou, em bom vernáculo, «que se lixem!».

 

E, no entanto:

 

- Se ainda fossem necessárias provas, o desfecho desta campanha veio confirmar o estado calamitoso a que chegámos, bem reflectido na gigantesca abstenção, no número significativo de brancos e de nulos, no peso do voto de protesto (difícil de identificar mas mais do que real) e na escolha de alguém que ficou simbólica e definitivamente retratado em dois vergonhosos «discursos de vitória».

 

- 23 de Janeiro de 2011 só pode ser um estímulo e uma porta escancarada para uma nova fase de luta, agora mais a sério e com carácter de urgência. É hoje – e não amanhã, muito menos daqui a cinco anos – que o descontentamento e a tristeza estão à espera de ser capitalizados. Para sairmos da crise que atravessamos sem servilismos ou espírito de martírio, para que não sejam permitidos silêncios quando há muitas explicações por dar, para impormos que os inquilinos de Belém e de S. Bento nos respeitem. Pura e simplesmente, porque queremos viver num país decente.

 

(Publicado também aqui.)

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Joana Lopes às 12:18 | link do post | comentar
Sexta-feira, 21.01.11

«Cavaco é um mau intérprete da democracia e da República»

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Público, 21/1/2011

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Joana Lopes às 22:36 | link do post | comentar

Cá estaremos!

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(Gui Castro Felga)

Joana Lopes às 21:25 | link do post | comentar

Nota oficiosa da Comissão Nacional de Eleições - Voto em branco

UM ESCLARECIMENTO MUITO IMPORTANTE.

 

«Tem circulado de forma generalizada na Internet e através de correio electrónico uma mensagem de apelo ao voto em branco.

 

Esta mensagem induz os cidadãos em erro, na medida em que afirma que se for obtida uma percentagem maioritária de votos em branco a eleição do Presidente da República, do próximo dia 23 de Janeiro de 2011, será anulada.

 

Por essa razão, um número significativo de cidadãos tem vindo a solicitar à Comissão Nacional de Eleições esclarecimentos sobre a veracidade da informação divulgada.

 

No sentido de promover o esclarecimento objectivo dos cidadãos a este respeito, a Comissão Nacional de Eleições vem informar o seguinte:

 

- Os votos em branco e os votos nulos não têm influência no apuramento dos resultados;

 

- Será sempre eleito, à primeira ou segunda volta, o candidato que tiver mais de metade dos votos expressos, qualquer que seja o número de votos brancos ou nulos

 

(Daqui)

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Joana Lopes às 20:54 | link do post | comentar

Conselhos de (antepen)última hora

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Quem pensava votar em Cavaco no Domingo está dispensado de o fazer, já que todas as sondagens lhe dão a vitória logo à primeira volta.

 

Aos outros, vale a pena recordar que, nas vésperas das eleições de 2006, as mesmas sondagens lhe davam percentagens mais elevadas do que aquelas que prevêem este ano e que só não existiu segunda volta por uma curta margem de 30.000 votos. Para bom entendedor…

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Joana Lopes às 16:17 | link do post | comentar

No Domingo

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Joana Lopes às 13:58 | link do post | comentar | ver comentários (1)

«O Quinto Cavaleiro»

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«Quem o garante é economista e professor de Economia, ex-catedrático e tudo e, se ele o garante, quem é o povo para duvidar?

 

Ora o que ele garante é que, se o povo não o eleger já no domingo, como é "essencial", abrir-se-ão os mares e desabará o céu. E pior acontecerá em terra: a sua não eleição à primeira volta provocará imediatamente, avisa ele, "uma contracção do crédito e uma subida das taxas de juros", com consequências apocalípticas para "empresas e famílias".

 

"Imaginem o que seria de Portugal, na situação económica e financeira complexa em que se encontra, se prolongássemos por mais algumas semanas esta campanha eleitoral", avisa de novo. O povo imagina e o que vê deixa-o petrificado de terror: ao lado da Morte, da Fome, da Peste e da Guerra, cavalga agora o Quinto Cavaleiro, o terrífico Mercado, e todos juntos precipitam-se a galope sobre "empresas e famílias".

 

Por isso o povo correrá a eleger o ex-catedrático no domingo. Ou no sábado, se lhe permitirem. Elegê-lo-ia até sem eleições (por exemplo, suspendendo-se a democracia por seis meses, assim se poupando milhões porque a democracia é cara). Só o ex-catedrático pouparia os 2,1 milhões de euros (um recorde absoluto) que gastou na campanha. E se, depois, na Presidência, poupasse ainda aos contribuintes uma parte dos 17,4 milhões que gastou em 2010 (outro recorde absoluto), talvez, quem sabe?, o crédito se descontraísse um poucochinho.»

 

Manuel António Pina, no JN

Joana Lopes às 11:22 | link do post | comentar
Quinta-feira, 20.01.11

Não lembra ao careca

Mas a nada, nada mesmo, resiste o populismo de Cavaco Silva.

 

«Nós não podemos prolongar esta campanha por mais três semanas. Os custos seriam muito elevados para o país e seriam sentidos pelas empresas, pelas famílias, pelos trabalhadores, desde logo, pela via da contenção do crédito e pela subida das taxas de juro.»

 

Está nervoso, Presidente?

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Joana Lopes às 19:12 | link do post | comentar

A esposa ideal segundo Cavaco Silva

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Joana Lopes às 15:00 | link do post | comentar

Está na hora!

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(Daqui)

Joana Lopes às 11:00 | link do post | comentar
Quarta-feira, 19.01.11

Só o meu Zé é que marcha direito

 

… terá dito a mulher do único soldado que tropeçava nos seus próprios pés, num batalhão inteiro de passo acertado. É o que me faz lembrar Vasco Graça Moura:

 

«Com esses contactos desmultiplicados e com as ideias claras que vai deixando um pouco por toda a parte, Cavaco Silva foi a única personalidade directamente envolvida nas eleições que não disse coisas estúpidas.»

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Joana Lopes às 21:00 | link do post | comentar

E eu que nunca geri o orçamento da minha família, dr. Cavaco!...

 

Ou da insuportável concepção que este ser tem das mulheres, como se todas fôssemos ainda membros da Obra das Mães!

 

«As mulheres portuguesas que gerem os orçamentos das famílias são as mais bem preparadas para identificar onde está o rumo certo, aqueles que as podem ajudar para melhorar o bem-estar dos seus maridos e dos seus filhos.»

 

Mas ouvido é outra coisa (minuto 1:10):

 

P.S. - Vítor Sousa deixou a seguinte frase como comentário a este post: «As mulheres que desempenham um papel fundamental, um pilar na família, na protecção das crianças e fazem milagres com o orçamento limitado da casa» - António de Oliveira Salazar

Joana Lopes às 16:18 | link do post | comentar | ver comentários (7)

Da vizinhança (5)

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Ler: Miguel Madeira, A sondagem da Marktest

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Joana Lopes às 13:13 | link do post | comentar
Terça-feira, 18.01.11

Votasses...

 

(Fonte)

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Joana Lopes às 13:31 | link do post | comentar

Serviço público

 

Há quem se interrogue sobre o impacto, ou mesmo sobre a legitimidade, da utilização de acontecimentos do passado dos candidatos em tempo de campanhas eleitorais.

 

Antes de mais, o facto de a respectiva divulgação ser feita preferencialmente nestes períodos deriva de um interesse especial da comunicação social por razões de puro marketing e é uma constante no mundo e no sistema político em que vivemos – para o bem e para o mal. O que talvez seja de lamentar é que não se trate de uma prática regular, ao longo da vida democrática das sociedades.

 

Indo directamente ao assunto, é importante, sim, que os portugueses tenham conhecimento, em Fevereiro de 2011 ou em Maio de 2009 ou de 2007, das tramóias que rodearam a aquisição da casa de férias do seu presidente da República. A ser verdade tudo aquilo que a mais do que insuspeita revista Visão revelou, na passada 5ª feira, há muitas explicações a serem dadas e uma democracia sólida e madura não toleraria que fossem esquivadas.

 

Nesse sentido, e correspondendo a vários pedidos de quem não conseguiu comprar um exemplar da Visão, divulgo o respectivo dossier num pdf que uma alma caridosa me fez chegar e que pus agora online.

 

Dar a conhecer os bastidores do mundo em que se move o nosso PR, no mínimo financeiramente tortuoso, não é coscuvilhice ou conversa de alcova. É serviço público, nada mais.

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Joana Lopes às 00:09 | link do post | comentar
Segunda-feira, 17.01.11

O branco ficou mais vazio

 

O MRPP reconsiderou o seu apelo ao voto em branco, passando agora a apoiar Alegre. Esta mudança poderá significar pouco para a candidatura do poeta, no entanto, deixa aos puramente líricos o espaço do isolamento, o lugar de quem não contribui para a luta de classes em Portugal. Dos que preferem ficar em branco, ao invés de fazerem algo pela alteração radical da cor da tela.

 

Fabian Figueiredo

 

(Daqui)

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Joana Lopes às 18:17 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Domingo, 16.01.11

MRPP apela ao voto em Alegre

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Não encontrei nenhuma declaração oficial, mas Garcia Pereira escreveu no Twitter:

 

«Reconsiderando que não podemos ficar de braços cruzados à espera que a Direita eleja Cavaco à 1ªvolta, o PCTP/MRPP apela ao voto em Manuel Alegre!»

 

P.S. - Apoio agora oficializado.

«O PCTP/MRPP empenhar-se-á em tudo fazer ao seu alcance para mobilizar os trabalhadores e todos os democratas para o voto na candidatura de Manuel Alegre, contribuindo para a sua vitória e consequente derrota do candidato do grande capital.»

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Joana Lopes às 15:27 | link do post | comentar
Sábado, 15.01.11

O voto de Arnaldo Matos

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O advogado Arnaldo Matos, fundador do partido PCTP-MRPP, acaba de anunciar o seu apoio à candidatura de Manuel Alegre. Em comunicado divulgado à imprensa, Arnaldo Matos anuncia que "irá votar em Manuel Alegre no sufrágio do próximo dia 23 de Janeiro para Presidente da República". Explicando que “a abstenção ou o voto em branco só servirão para a eleição do candidato da direita Cavaco Silva, logo à primeira volta”, Arnaldo Matos “apela ao voto de todos os homens e mulheres de esquerda, dos democratas e patriotas em Manuel Alegre, único candidato que está em condições de vencer o candidato da direita numa segunda volta”.

 

(Daqui.)

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Joana Lopes às 18:16 | link do post | comentar

Terá mesmo de ser explicado como a crianças de 4 anos

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O PR candidato afirmou ontem que a reforma da «sua senhora» não chega a 800 euros e que esta depende portanto dele.

 

Vamos a contas, deixando de lado a odiosa mentalidade revelada no tom e no conteúdo do que foi dito.

 

A dita senhora foi professora desde 1960 e ter-se-á reformado em 1998 – 38 anos de trabalho, portanto. Desses, passou dois em Moçambique (onde leccionou, mas dou de barato que tenham sido perdidas informações) e três em Inglaterra.

 

Sobram 33, dos quais mais 20 «como regente da disciplina de Língua Portuguesa na Universidade Católica Portuguesa» e os outros em colégios e liceus de Lisboa.

 

Descontou mais de três décadas, como professora do secundário e universitária e recebe menos de 800 euros? «Perderam» a reforma de Maria Cavaco Silva, como o esposo afirmou? Absolutamente impensável – digo eu que também tenho uma composição esquisita de actividade na função pública e privada, passando por três anos no estrangeiro, que me reformei pouco depois e que sei como isso funciona (relativamente) bem ali pela repartição na Estados Unidos da América. Ou não terá descontado??? Como assim?

 

(Também publicado aqui.)

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Joana Lopes às 11:47 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Da vizinhança (4)

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Ler: Adriano Campos, Algumas razões para votar Alegre e um aviso à navegação

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Joana Lopes às 01:43 | link do post | comentar
Quinta-feira, 13.01.11

Cavaco eleito à primeira volta? Longe de estar escrito nas estrelas

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Nesta altura do campeonato, interessa ouvir quem sabe e é por isso importante estar atento ao que Pedro Magalhães vai recordando no Margens de Erro.

 

No caso vertente, analise-se este quadro, onde estão listados os resultados finais e as previsões das sondagens, relativos às Presidenciais de 2001 – precisamente as últimas, antes das que terão agora lugar, em que um presidente em exercício se candidatou a um segundo mandato.

 

 

É certo que Jorge Sampaio ganhou à primeira volta, mas não com a folgadíssima margem prevista. Ninguém se atreveu a atribuir-lhe menos de 63,5% e ele obteve 55,8%.

 

Ora, segundo os últimos dados de que disponho, não está previsto que Cavaco Silva ultrapasse 57,1%. Com este comentário: «Neste mês de Janeiro foi interrompida a subida contínua que a popularidade de Cavaco conhecia desde Julho, situando-se agora no patamar dos seus níveis mais baixos.»

 

Assim sendo, para bom entendedor… les jeux ne sont pas faits.

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Joana Lopes às 21:04 | link do post | comentar

Silêncios piores do que 1.000 palavras

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Presidenciais: Campanha de Cavaco Silva

 

Conversa entre um eleitor de Valpaços e o candidato:

 

- "Sou um apoiante seu. Sou um antigo combatente, estive em Moçambique. Estive lá em 67, 68 e 69"

- "Eu estive um pouco antes", responde Cavaco.

- "O Manuel Alegre fugiu", remata o apoiante.

 

Cavaco Silva não responde, arqueia as sobrancelhas e coça o nariz.

 

(Bárbara Baldaia / Ricardo Oliveira Duarte)

 

Via TSF no Facebook

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Joana Lopes às 14:04 | link do post | comentar
Quarta-feira, 12.01.11

Passado Presente

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Joana Lopes às 23:12 | link do post | comentar | ver comentários (1)

«Livre, Justo, Fraterno»

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@Paulete Matos

 

A excelente crónica de Rui Tavares no Público de hoje.

 

Alegre

 

Os cartazes de Manuel Alegre nas ruas, há cinco anos, tinham apenas as palavras "Livre, justo, fraterno" - a descrição idealizada do país, tal como aparece desejada no preâmbulo da Constituição, redigido pelo próprio Manuel Alegre.

 

Esta escolha era puro Manuel Alegre. Pelo gosto de palavras que eram belas, mas não apenas isso; concretas e mobilizadores. E sobretudo por que nenhum marqueteiro, nenhum diretor de campanha, o aconselharia jamais a fazer um cartaz assim, tão desformatado dos códigos publicitários. Manuel Alegre acreditava na palavra livre, na palavra justo, e na palavra fraterno - não um acreditar de fé, mas um acreditar de conhecer aquelas palavras por dentro e saber o que elas podem fazer.

 

Teimosamente, insistiu. Teve vinte por cento.

 

A primeira palavra, livre. Alegre viveu-a quando era difícil - na ditadura que os melhores do seu tempo combateram. Mas não a esqueceu quando teria sido fácil - na democracia, quando teria sido fácil institucionalizar-se e acomodar-se. Ao insistir na sua liberdade exasperava partidos, governos e líderes - principalmente os seus - e deliciava cidadãos. Mesmo quando não concordam com Manuel Alegre, as pessoas respeitam Manuel Alegre. A liberdade dele também nos faz mais livres a nós.

 

A segunda palavra, justo, dirige-se à grande maldição nacional. Este é um país desigual, difícil, que desanima os mais fracos, e depois nos desilude a todos. Há mais do que uma maneira de ver esta injustiça: como sintoma ou como causa. Os que defendem que a injustiça é um mero sintoma acham que podem sempre adiar o problema para depois do crescimento, e para depois do défice, e para finalmente nunca. Mas a injustiça é a causa do nosso atraso - ela é, na verdade, o nosso atraso.

 

 

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Joana Lopes às 15:44 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Nobre dúvida

 

Fernando Nobre dixit: «Manuel Alegre, com o seu radicalismo, encostou-se de tal forma a alguns sectores da sociedade, que não tem a mínima hipótese de vencer Cavaco Silva numa segunda volta.»

 

Em Portugal não encostar, na Europa sim?

 

Joana Lopes às 12:39 | link do post | comentar

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