Terça-feira, 25.01.11

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Como os meus companheiros Alegro também venho encerrar a minha colaboração. Ontem, logo que soaram as oito horas e soube que Cavaco Silva tinha sido eleito à primeira volta e que a abstenção teria provavelmente um novo recorde, desliguei tudo. Não era mau perder. Não sinto que tenha perdido. Ganhei, e foi bastante. Percebi que a utopia, enquanto palavra, enquanto conceito, não é passível de ser legitimada por modismos. É qualquer coisa visceral, que te diz a ti quem és, quem queres ser, onde queres estar, com quem queres estar. É uma coisa de sempre, para sempre.

 

É claro que estava zangado com alguns amigos, gente que passava no facebook, a dizer que se abstinha, que votava em branco. Apetecia-me praguejar contra eles. Seria um disparate. Eles tinham as suas razões e eu não só as compreendia como, no caso do voto em branco, até reconheço que não há nenhuma razão para que a ciência política eleitoral não arranje forma de evitar que eles, enquanto opção eleitoral expressa, aumentem o caudal dessa inexpressiva mancha que põe em causa a nossa democracia política.

 

Mas em consciência não podia invectivá-los. Nem mesmo os abstencionistas. Como é que podia invectivar mais de cinco milhões de portugueses? Desde há largos anos que a abstenção tem atingido níveis recordes e, para além da depuração dos cadernos eleitorais, vi fazer pouco mais. Os circulos eleitorais mais próximos dos eleitores, cairam. A regionalização, caiu. Até numa eleição como a presidencial em que cada um de nós elege só um português para representar dez milhões de portugueses, os Partidos assumem-se muitas vezes como os donos do jogo em relação aos candidatos, introduzindo uma componente de distanciação dos eleitores em relação aos mesmos. O Partido Comunista  apresenta sistematicamente uma candidatura própria, para marcar o seu espaço político. O Partido Socialista é já a segunda vez que apresenta um candidato próprio que concorreu contra um outro candidato que também era militante do seu partido. E poder-se-á perguntar: e então, não é legítimo? É. Cinco milhões de abstencionistas também é legítimo. Não estamos aqui a falar de legitimidade política. Estamos a falar da sobrevivência da democracia política tal como a conhecemos.

 

Ora uma das realidades mais presentes na vida contemporânea é a quebra do sistema de representação. A crise da representação. Que tem alguns aspectos positivos, na medida em que decorre da influência que o progresso social e tecnológico colocado tem na mudança de paradigmas da nossa cultura política (há um pequeno livrinho, Democracia Virtual, que tenta abordar esta questão) mas tem também aspectos muito perturbadores, porque no vaivém das novas procuras de identidade, e consequentemente, de representação, há vazios que surgem, como este, que assistimos anteontem, e para o qual só temos não respostas. Dizer que cinco milhões de portugueses não cumpriram o seu dever de portugueses é uma não resposta.

 

Até porque não se trata de uma eleição qualquer, não se trata de uma situação eleitoral comum. Para mim uma das coisas mais perturbantes da ideia de identidade nacional, de identidade de uma comunidade, é saber que mais de cinco milhões de pessoas não sairam de casa mesmo sabendo que era previsível que se não o fizessem, para representar dez milhões de portugueses, seria eleito um homem que declaradamente tirou grandes mais valias financeiras da sua associação a actos  (por parte de uma pessoa que, num outro contexto,  irá ser julgada  por ter praticado actos análogos a esses) semelhantes a outros que  foram enquadrados numa tipologia de  crimes económicos que tanto lesaram um Banco e cuja nacionaliação tanto lesou o país.

 

Para além da questão ideológica, esquerda, direita, esta é uma leitura que eu não consigo evitar. E que merece uma pergunta mai inquieta: que divórcio é este entre o representado e o processo de representação que faz que nem assim ele vá votar?

 

Não há perguntas de esquerda nem de direita, mas esta é claramente uma pergunta em que a resposta da Esquerda terá de fazer toda a diferença.

 

 

Joaquim Paulo Nogueira às 02:35 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Domingo, 23.01.11

Marrar onde é preciso

 

Vou desligar a televisão. O circo da política - onde estaremos nós os que escolheram os seus candidatos, com aqueles que não votaram, que ficaram em casa, dos que votaram em branco, juntando-se ao circo dos comentadores, do espectáculo das análises, é demasiado para mim. Vou apenas deixar um abraço forte no Alegro, aos muitos companheiros desta última semana que me fez tão bem à alma, e depois vou arranjar um silêncio bom para digerirmos as Viagens de Guliver que acabámos os dois de ver. Fazer os bolinhos de canela que planeámos os dois fazer. Depois, quando ele adormecer, vou praguejar.

 

Uma segunda volta parecia-me bem, muito bem, uma grande alegria. Ir até Belém comer pastéis sem medo de encontrar Belém feita um aldeamento da Coelha, parecia-me ainda melhor. Ver um Conselho de Estado onde de repente caísse um poema, foi um pequeno grande sonho. Mas a esquerda não é um end, é um begin. Viver é um acto de utopia, reaprendi nesta última semana. Há o amor, o meu filho, os filmes, os bolinhos, a alegria, o teatro, a investigação, a nossa peça, o nosso filme, as imagens felizes. O tempo que posso estar com os que amo.

 

E há também as imagens contentes: é com contentamento que imagino a 2ª Feira de Cavaco, a ler finalmente o Paulo Pena na Visão.

 

Joaquim Paulo Nogueira às 20:53 | link do post | comentar
Sexta-feira, 21.01.11

Dia 23 é já amanhã

 

O último post antes da 2ª Volta. Termino, espero que por agora, a minha participação neste blogue. Fui um companheiro de jornada relativamente curto, também porque recente foi a minha compreensão não só de que iria votar em Manuel Alegre, também da importância que a sua eleição tem para o nosso futuro próximo. Como escrevi, muito mais do que as suas muitas qualidades humanas, foi para mim decisivo o perceber o quanto pensar em Manuel Alegre na Presidência da República, me ajudava a imaginar no que gostava que fôssemos enquanto comunidade. Não escolhemos uma pessoa pelo que ela representa, ou representou, no passado, mas por aquilo em que queremos que ela nos represente, no futuro. Manuel Alegre fez muito bem em trazer até nós um contrato presidencial. Um contrato lembra-nos que há direitos e obrigações dos dois lados. É importante lembrar as obrigações que todos nós, enquanto primeiros outorgantes, o Povo, a Comunidade Portuguesa, assumimos. Quando escolhemos Manuel Alegre porque ele é capaz de unir a Esquerda à mesma mesa, também assumimos um compromisso, enquanto esquerda, de que seremos capazes de pensar juntos. Trazendo também para esse lugar de reflexão todos aqueles que já não se revêm na ideia de Esquerda, mas que partilham um mesmo ideário de justiça social, de papel do Estado na sua concretização. A esquerda não é um clube, é um ponto de partida.

 

Tentei durante esta semana, dar-vos conta das razões porque, para mim, se torna tão importante eleger Manuel Alegre.  Eu por exemplo, quando respondi ao desafio de escrever aqui, pensei que queria vir debater a importância que a cultura tem na mudança de atitudes e na compreensão do outro. E também, em dar o testemunho de alguém que durante quase toda a campanha pensou em votar em branco (e que mesmo assim acha que o sistema eleitoral deveria considerar o número de votos em branco dentro das opções expressas) e que percebeu, a uma semana, que não poderia deixar de votar em Manuel Alegre. Vejo que me ocupei muito pouco disso e mais em estabelecer ligações com a critica às  SLNs, aos BPNs, às Coelhas, centrando-me talvez mais numa irritação com aquilo que Cavaco Silva representa, do que com aquilo que Manuel Alegre me faz querer para o futuro. Alguns de vós vão por isso ler-me e pensar na fragilidade desse arrazoado e dai, tirarem a ilação de que são também frágeis as razões para votar em Manuel Alegre.

 

Será um erro para o qual, por dele me sentir responsável, vos devo alertar: não confundam a minha incapacidade de explicar as razões porque voto em Manuel Alegre, na vossa incapacidade - e dirijo-me a todos aqueles para quem a ideia de solidariedade na vida em sociedade ainda provoca alguma ressonância dentro dos seus imaginários - de encontrarem as razões para votar em Manuel Alegre.

 

O paradigma racionalista  leva-nos muitas vezes a um erro que pagamos demasiado caro nas nossas vidas: como tudo se passa na dialética discursiva, se alguém não souber explicar de forma suficientemente clara as razões porque tomou uma determinada decisão - neste caso a de votar em Manuel Alegre - deduzimos daí que não há razões muito claras para tomar essa mesma decisão. Ao ler o Público de hoje e a inúmera quantidade de pessoas que diz que esta campanha foi pouco esclarecedora, penso nisso. 

 

É tão difícil partilhar uma ideia que, como esta, nos tempos que correm, tem tanto de emocional como de racional e coloca a política numa dimensão da festa, da alegria.

 

Não haverá uma segunda oportunidade para o dia 23 de Janeiro de 2011.

 

Joaquim Paulo Nogueira às 23:59 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Quando a Esquerda acerta o passo

 

 

"Ninguém, no seu perfeito juízo, acredita que Alegre representará um partido em Belém. Mas todos sabem que que representará um olhar sobre o papel do Estado na sociedade. Com o extremismo ideológico e económico que tomou conta da direita portuguesa a caminho do poder, é tudo o que pode restar para moderar o que aí vem." - Daniel Oliveira

 

 

Todos os dias nos perguntamos: o que é ser de esquerda? Seja qual for a resposta,  acabamos por reconhecer que ela começa por ser um ponto de partida, não de chegada. Há qualquer coisa que une os povos de esquerda, por mais ressentimentos que a luta pelo poder político tenha criado ao longo destes trinta e seis anos de democracia: o não aceitarmos, como construção social comum, como ideia de sociedade, uma comunidade onde seja natural a situação da exploração das pessoas por outras pessoas.

 

A partir daí desenrolam-se todos os programas que nos fazem criar um espaço de divergência fenomenal, tribos plurais. Divergimos no modo, na medida e na porporcionalidade com que estabelecemos essa rota para uma viagem rumo a uma sociedade que não compactue com uma vivência social onde uns possam explorar o seu semelhante.  Mas aquele ponto de partida, todo um programa, reacende-se quando nos deparamos com uma situação que nos obrigue a reconhecer o acessório do fundamental.

 

Por isso é tão decisivo que à esquerda se criem as condições para uma 2ª Volta das Eleições Presidenciais. O que aí vem, como diz o Daniel, é mesmo muito mau. E não precisamos de ter visto o Inside Jobs para o compovar. É uma ocasião chave para tornar uma crise numa oportunidade. Saber optar por um Estado Social que em vez de esgotar os seus maiores recursos em interesses privados e particulares daqueles que ideologicamente o combatem, e que se dedicam a aumentar as hordas de excluídos, se entrega, de alma e coração, na tarefa conseguir que a riqueza produzida sirva para reforço da coesão e da solidariedade social.

 

O primeiro passo para isso já dia 23 de Janeiro.

Joaquim Paulo Nogueira às 18:01 | link do post | comentar

Se Cavaco ganhasse à primeira volta, as taxas de juro iriam continuar a subir

 

 

O mercado da divída soberana já fez as contas em relação às próximas presidenciais: se Portugal não der sinais profundos de mudança, a divída pública continuará a disparar. Os analistas das principais agências de rating baseiam-se no facto de que, para os investidores estrangeiros,  Cavaco está totalmente identificado com o quadro recessivo dos últimos anos.

 

No dia 23 temos por isso a oportunidade de, pela primeira vez, não reeleger um candidato que seja um presidente em exercício. Porque é que isso é importante? A principal razão é a de que Cavaco e Silva foi um péssimo Presidente da República. Há que reconhecer que, em certa medida, o silêncio parece adequar-se à pose de Estado. Mas uma certa contenção discursiva não basta. Seria muito fácil fabricar um estadista se apenas precisássemos de pedir-lhe que se calasse. É preciso também saber usar a palavra para intervir, saber romper o silêncio. Ora Cavaco Silva, que usou e abusou do silêncio, ao ponto de muita gente começar a perguntar-se se ele tinha alguma coisa para dizer, quase sempre que falou foi um factor de instabilidade e até, de ridiculo. Os vídeos de Cavaco, desde a ordenha à ideia sobre as mulheres, fazem êxito no You Tube. E depois, o que é fundamental, nunca falou daquilo que toda a gente gostava de o ouvir falar, mostrando desprezo pelo eleitorado. Os silêncios de Cavaco, não assumindo nem reconhecendo as suas responsabilidades no clima que permitiu uma promiscuidade entre política e crime económico, são muito caros. Excessivamente caros.

 

Circunstancialmente, as boas razões para não reeleger Cavaco Silva, são também, quase todas elas, boas razões para votar em Manuel Alegre.

 

Joaquim Paulo Nogueira às 15:25 | link do post | comentar

Boa-Nova da Trindade

  

 

Momento curioso da campanha. O cortejo estaca, ordenada e compenetradamente, por breves instantes para que os repórteres de imagem e os fotógrafos recolham as suas imagens. É preciso dar a notícia.

 

 

Joaquim Paulo Nogueira às 13:22 | link do post | comentar
Quinta-feira, 20.01.11

Em frente e depois, à Esquerda

 

 

Descia-se a Rua Nova da Trindade. Almeida Santos, António Costa, Maria de Belém, Carlos César, na primeira linha, marcavam a presença do Partido Socialista. No cortejo vi Garcia Pereira, vi Arnaldo de Matos (um dos cromos mais carismáticos da caderneta que comecei a fazer aos onze anos na minha Ludoteca de Abril). Vi um homem empunhando uma pequena tabuleta sobre uma esquerda socialista. No cruzamento, na Brasileira, o abraço a Francisco Louçã. O grande desafio da 2ª Volta é mesmo este, a forma natural e quase orgânica com que Manuel Alegre parece conseguir fazer com que a esquerda, sem grandes poblemas digestivos,  se junte numa mesma rua. Como que preparando o grande desafio do seu contrato presidencial, conseguir com que a esquerda se sente a uma mesma mesa e discuta, de A a Z,  o que pretende fazer para continuar a ser, no século XXI, a grande promotora de valores como a paz, a liberdade, a solidariedade e a fraternidade.

Joaquim Paulo Nogueira às 23:32 | link do post | comentar

Ouvir. Escutar. Ouvir. Escutar. E ouvir mais uma vez.

 

Alguém destacou no outro dia a  forma como Manuel Alegre se entrega ao contacto com as pessoas, ouvindo-as, fazendo que as pessoas se sintam ouvidas. Fico-me a pensar na quanto vamos precisar de, nos próximos anos, ter em Belém alguém que nos faça sentir ouvidos.  Que nos faça sentir gente. Contra a frieza estatística da nossa vida sempre do lado errado da maré especulativa dos mercados.

 

Se calhar este é um dos aspectos mais importantes de um contrato presidencial.

 

Joaquim Paulo Nogueira às 22:19 | link do post | comentar

Se queres conhecer o teu futuro Presidente...

 

...põe-lhe um cravo na mão.

 

Ao olhar para as fotografias que tinha na máquina fotográfica fiquei espantado com aquilo que esta revelava. Ficam tão bem os dois quando estão juntos, Manuel Alegre e o cravo vermelho. Quase que se diria que o cravo era um foco, a iluminar a face do poeta, quase se diria que o modo muito particular como este o empunhava, faziam do cravo uma bandeira.  

E depois lembrei-me das palavras avisadas de um manifestante para uma jornalista, recordando em Cavaco um homem tão agarrado aos símbolos e às palavras do passado e que não tinha usado cravo no 25 de Abril.

 

Deveria ficar para o futuro, o teste do cravo vermelho.

 

 

Nota: Não são cravos, são rosas, como lembrou alguém mais atento. Rosas Vermelhas, tal como no poema. Ìa corrigir, mas depois olhei de novo e percebi que o importante é a forma como a flor ilumina o rosto do poeta, como este segura uma flor como se fosse uma bandeira.

Joaquim Paulo Nogueira às 21:16 | link do post | comentar | ver comentários (2)

1 Presidente, 1 Governo e 1 Assembleia

O sistema político português, e para além do das autonomias, autarquias e do poder judicial, foi concebido com um equilibrio muito especial entre a Presidência da República, o Governo e a Assembleia da República. Os constitucionalistas sabem-no de uma forma muito precisa, os cidadãos têm disso uma consciência quase intuitiva. O grande lema que já está interiorizado em qualquer presidente é, "sou o Presidente de todos os Portugueses". Independentemente da base de apoio eleitoral que suportou as suas candidaturas Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio e o próprio Cavaco Silva, acabaram, de uma forma ou de outra, por serem alvo, enquanto presidentes, da tolerância e da aceitação da maioria dos portugueses. Curiosamente  Jorge Sampaio teve mais problemas com as suas bases de apoio, do que com aquelas que suportaram eleitoralmente os seus adversários. 

 

É por isso que a reeleição de um presidente em exercício tem sido, desde o 25 de Abril, um dado quase adquirido e até um factor de alguma coesão nacional. Excepto com Cavaco Silva.  Não há memória de um presidente que tenha descaracterizado de modo tão grande a sua base de apoio inicial e que não tenha conseguido granjear apoios em sectores políticos que não são os seus apoiantes tácitos de sempre. E isto por uma razão muito simples: Cavaco Silva foi de facto um mau presidente da República, que raramente tomou posição sobre alguma coisa; que se refugiou em conceitos de uma grande opacidade política. Que se meteu em coisas, como o caso das eventuais escutas e vigilância ao seu correio electrónico,  que só evidenciaram que ele não está ainda bem no século XXI; que deixou arrastar demasiado tempo a demissão de Dias Loureiro do Conselho de Estado; que teve uma posição ridícula na morte de Saramago. E que demonstrou que ter em Belém um especialista em finanças não servia para coisa nenhuma que não fosse assinar de cruz numa proposta do Governo. Descontando desde já as manifestações de arrogância e inabilidade comunicacional que sempre o caracterizaram. Isto na lado visível da política. Porque os casos da SLN e o aldeamento da Coelha lançam, legitimamente, as maiores suspeitas sobre o lado invísivel do trabalho político de um conjunto de colaboradores políticos com quem Cavaco poderá ter continuado a ter relações de natureza financeira e comercial.

 

Nenhuma sondagem pode salvar o óbvio: Cavaco está em queda acentuada (caiu mais de 10 % percentuais) e poderá mesmo vir a ser obrigado a ir a uma segunda volta. Tudo depende da abstenção, do voto em branco. É por isso que o dia 23 é tão importante.

 

 

Joaquim Paulo Nogueira às 13:12 | link do post | comentar
Quarta-feira, 19.01.11

Imaginemos então

Cavaco pede para imaginarmos o que seria se tivessemos ainda uma segunda volta, mais duas semanas de campanha eleitoral. E eu faço-lhe a vontade. Comecei a imaginar. Vi-o a ficar nervoso, nunca mais podendo cumprir a promessa de ir ler a revista Visão. Mais duas semanas sem ler o raio da Revista, dizia ele para a Maria, que o consolava, lembrando-lhe o tempo em que ele não lia jornais.  Vi a concentração de votos em Manuel Alegre.Vi as sondagens, as verdadeiras, aqueles prognósticos que têm de esperar pelo fim do jogo, a mostrarem ao actual inquilino de Belém o caminho de regresso à urbanização da Coelha. Pelo caminho ainda vi o candidato madeirense, à beira da estrada, com a sua pontaria e humor proverbiais, saudando a caravana com um distico onde se lia: " Nem sempre é bom matar duas Coelhas como uma só cajadada."  Vi tanta coisa. E gostei. Gostei mesmo do que vi. Eu que sou toda pela arte, pela cultura, pela imaginação ao poder, ainda não me tinha lembrado desta.

Obrigado, Aníbal Cavaco Silva.

Joaquim Paulo Nogueira às 20:55 | link do post | comentar | ver comentários (1)

O close-up não engana

 

 

 

Ainda há meia dúzia de dias estava a pensar em votar em branco. No meu descontentamento com o status quo politico onde estamos metidos. Olhava pra trás e via-os todos, todos, tão iguais. E os nossos políticos, quando os colocamos todos juntos, sobre o prisma da grande angular, parecem-se todos uns com os outros. Para mudar de sentido de voto e dizer que voto em Manuel Alegre, num contentamento que me vem dos tomates até à boca, só precisei de uma coisa: fazer um close-up sobre cada um dos candidatos e olhar para a frente. De olhar para essa nesguíssima oportunidade ( e que tem sido sempre a minha, a nossa vida) que antevejo quando separo Manuel Alegre de todos os outros e o coloco ao pé do meu futuro e este tão vizinho de uma utopia que desde puto, me mantém vivo.

Joaquim Paulo Nogueira às 11:30 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Estabilidade, aquela morta morte dos cemitérios!

As mais recentes declarações de Correia de Campos ( independentemente do ressentimento que possam traduzir) ajudam a perceber exactamente o que está em causa nestas eleições: a estabilidade em que temos vivido até agora com os conceitos de cooperação estratégica (com o GPS um pouco danificado, como sugere o boneco de Luís Afonso) ou a instabilidade que resulta de tomarmos nas mãos a expressão do nosso destino. Eu creio que elaboramos muito acriticamente a ideia de estabilidade. Quando uma situação é negativa, estabilizá-la é prolongar os efeitos negativos da mesma.

 

Nunca me esqueço de uma vez, em Madrid, ter ido, com um dramaturgo amigo,  visitar José Monleón, grande amigo de Portugal, do teatro Português e essenciamente uma grande referência do mundo do teatro iberoamericano. Já estávamos de saída, o meu amigo pergunta-lhe:

- E então,a saúde? Tem estado estável?

Ao que ele, com aquele largo sorriso que o caracteriza, responde:

- A estabilidade é a morte. É a instabilidade que me permite manter vivo.

 

Desde essa lição de vida que valorizo muito mais aquelas experiências e aprendizagens que nos ensinam a lidar com a instabilidade, do que aquelas que, por um conceito errático de estabilidade pretendem perpetuar situações como as que nos trouxeram até ao lugar onde nos encontramos. Os cemitérios não estão só cheios de homens indispensáveis, como escreveu Brecht. Também de tédio e estabilidade. A estabilidade de Cavaco e Silva - e parece também a de Correia de Campos -  é a manutenção da situação, é no plano visível e explícito a política activa dos silêncios, dos não posso dizer, dos não tenho nada a comentar sobre, do não é a ocasião propícia para, do neste momento não é apropriado. Conjugado, no plano invísivel e subterrâneo, com a articulação nunca esclarecida com interesses lesivos à comunidade. É a estabilidade dos cemitérios (e dos covis).

 

Num mar agitado e de grandes vagas como é a tempestade onde estamos metidos, a estabilidade é uma mentira de quem não consegue arregimentar no sonho, na utopia, a coragem necessária. Nada mais desestabilizador do que a falácia política, o não falar o que se sente (ou deixar colonizar a voz pelo que se ressente).

 

Só a verdade nua e crua une verdadeiramente. E neste equilibrio institucional do nosso sistema constitucional, o Presidente da República, porque é aquele que é eleito por uma comunidade que sabe exactamente em que está a delegar a sua representação, deve ser capaz também de ser a voz da inquietação, do apelo, da convocatória, da esperança.

Joaquim Paulo Nogueira às 00:41 | link do post | comentar
Terça-feira, 18.01.11

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Já deixei aqui expresso o que penso sobre a crise financeira: quanto mais grave é, menos sentido faz assustarmo-nos com ela, já que o nosso susto inflaciona as taxas de juro e os especuladores mais especulam. Se não especulassem - como diria Pessoa -  não seriam especuladores. O susto também reduz as possibilidades de escolha. O afã especulativo não tem crises de identidade, feriados, folgas, dias santos. E também: quanto menos formos capazes de resgatar a nossa vida à dimensão financeira, menos vida temos pela qual lutar.   

 

Não é que acreditar num país, o nosso país,  seja como fazer bluff numa qualquer mesa de jogo.  É que acreditar num país é imaginar um futuro onde temos de tomar posição. Há quem pense que esta ideia de não aceitar como inevitável a especulação dos mercados corresponde a um pensarmos que esta crise será superada apenas por chamarmos especuladores aos que enriquecem com o fenómeno da dívida soberana, ou pedindo ajuda à Europa. É um erro de avaliação. O que se pretende é que cresça a consciência de que é a Europa, enquanto projecto, que tem de ser salva. E para isso sabemos que temos de fazer sacríficios. Temos que mudar de vida. Reduz as necessidades se queres passar bem, canta Palma (e é bom começarmos a ouvir os nossos poetas). Cada um de nós tem de o interiorizar. Temos de olhar para trás e perceber o quanto este dispositivo ideológico da (falsa) abastança nos tornou eticamente obesos, pesados. Como construímos a nossa identidade numa exarcerbação do consumo.  Consumimos uma ideia de nós que nos afastou de uma humanidade capaz de reconhecer o outro. Quando comecei a dizer, em tom de provocação, que precisávamos da crise para mudar de vida, alguns dos meus amigos responderam, sim, mas há pessoas que vão passar fome. Eu mantinha o tom provocatório, respondia: "- Tu e eu estamos ralando-nos para as pessoas que passam fome. Sempre tivémos. Nós estamos é preocupados porque a fome está a passar na rua de baixo e temos medo que amanhã comece na nossa rua."

 

E pudemos mudar. O ser humano, enquanto projecto colectivo e a comunidade, enquanto dimensão colectiva, têm essa capacidade quase infinda de recolher o jogo e voltar a dar de novo. Tenho quase cinquenta anos. Têm sido aventurosos estes anos,  principalmente no plano colectivo.  O nosso país mudou muito nestes anos. Quando eu nasci dizia-se que o que acontecia em Paris, Londres, Berlim chegava cá com vinte anos de atraso. Hoje mesmo se preferíssemos que algumas maleitas do nosso tempo se atrasassem a chegar ao nosso cantinho, sabemos o bem que nos sabe estarmos em ligação directa com o mundo. É quando eu penso nisto, na possibilidade de um país mudar, que o dia 23 se assemelha a um dia que se clarifica: a eleição de Manuel Alegre é o ponto de partida para uma aventura que exige de nós muita coragem.

 

 

 

 

Joaquim Paulo Nogueira às 19:16 | link do post | comentar

"- Sou Manuel e queria viver alegre, aí é que era! "

Joaquim Paulo Nogueira às 15:48 | link do post | comentar

Olhar a crise de novo, agora olhos nos olhos

Quando insisto tanto na dimensão cultural e artística que é preciso trazer para a nossa vida, e a política faz parte da nossa vida, muitas vezes perguntam-me o que é que eu quero dizer com isso, já que encaramos demasiadas vezes a cultura  e a arte em função do mercado dos objectos (os livros, as músicas, as imagens, animadas ou não, as esculturas, etc) que criamos e muito pouco nesse trabalho de vaivém identitário que resulta de brincarmos a esse jogo de possíveis em que se constitui a experiência artística.

 

Ora é fundamental trazermos esta experiência da possibilidade para a nossa vida. Temos de dizer a nós mesmo que podemos viver de outra maneira. Que podemos tomar as nossas decisões de outro modo. Que podemos envolver a comunidade de uma outra forma. O grande drama que vivemos, e que poderá ter contornos trágicos, é que esta clima psicodramático em torno da crise tem como primeira consequência diminuir-nos as possibilidades de acção.  Já o esmiucei de outra forma noutro sítio. Cria-se um clima de terror e de desmembramento do mundo senão agirmos logo e não agirmos de uma determinada maneira. E quando mais discutirmos, mais terrível será. O pathos não admite hesitações. Perante o perigo sistémico, outro jargão da linguagem da crise, as várias economias suportaram preços incomportáveis. O Governo decidiu a nacionalização do BPN, Cavaco promulgou o decreto em 4 dias, o Banco de Portugal anuiu e hoje estamos a pagar, por muitos anos, um preço muito elevado sobre isso.

Joaquim Paulo Nogueira às 01:26 | link do post | comentar
Segunda-feira, 17.01.11

Cavaco irá processar Felícia Cabrita?

 
"Cavaco vendeu abaixo do preço", escreveu Felícia Cabrita, no Sol, a 7 de Janeiro. E explicava: "As acções da SLN foram compradas a 2,40 quando Oliveira Costa já as vendia a 2,75." De referir que o título da primeira página ainda era mais assertivo: "Cavaco afinal vendeu barato". Já há muito que me deixei de criticar os jornalistas. É uma parvoíce. Não serve para nada. A única coisa a fazer é esperar que os bons sejam mais e melhores que os maus. O que não quer dizer que não tenha sentido fazer a pergunta : porque é que ela assinou uma notícia tão tendenciosa?
 
Começava logo no primeiro parágrafo: Dizia que Cavaco vendeu as acções por um valor inferior ao que Oliveira e Costa fixara "noutras operações de compra e venda". Lia-se o resto da notícia e não havia mais nenhuma referência a valores de compra, apenas uma carta de um accionista interessado e que se propunha em Julho comprar acções por 2.75 (valor referenciado por Oliveira e Costa numa reunião do BPN), bem como referência a documentos sobre uma venda de acções do BPN efectuada no mesmo dia em que  a SLN comprou as suas acções a Cavaco . Aliás, na parte final da notícia uma fonte do BPN explicava que sendo acções que não estavam cotadas em bolsa não tinham qualquer valor de referência.
 

"As acções de Cavaco - adquiridas em 2001, por um euro cada- foram compradas pela SLN dois anos depois pelo preço unitário de 2,4, quando o preço que ela já praticava era de 2,75." Felícia Cabrita induz-nos a pensar que estamos a falar da mesma coisa, quando um valor é o de compra e o outro é o de venda.

 
Felícia Cabrita vai ao ponto de dizer que Cavaco e a filha perderam dinheiro: ele "cerca de 36.682 " (refira-se o cerca de 36.682) e ela 52.374 euros porque compara o valor de compra pelo Banco com o valor de venda pelo mesmo Banco. Como se fosse natural um banco não ter nenhum lucro numa operação como esta. Mesmo admitindo esta lógica, absurda não passou pela cabeça da jornalista a oportunidade de perguntar porque é que um homem e a sua filha que de 2001 a Novembro de 2003 ganharam 1,40 com cada acção resolvem perder 0,35 por cada acção a 17 de Novembro de 2003? O que é que era tão importante assim para fazer com que Cavaco e a filha abdicassem de um parte substancial de um pecúlio que era o resultado das poupanças de uma vida de trabalho, como têm defendido os seus apoiantes?A minha pergunta é, porque é que Felícia Cabrita quer que nós pensemos que um banco compra pelo mesmo valor que vende?
 
Estamos perante um jornalismo de investigação que não só não esclarece as questões que pretende esclarecer como ainda lança novas suspeições, como esta: " Cavaco e a filha tinham comprado as acções em Abril de 2001, directamente a Oliveira e Costa pelo mesmo preço que só este enquanto presidente da SLN podia adquirir: um euro". Podia vender? Como é que podia? Não estamos diante de "favorecimento em negócio"? E não é "favorecimento em negócio com prejuízo para quem vende, o banco"? Ou seja, Oliveira e Costa não estava a fazer concorrência ao Banco a que presidia sem ganho nenhum nem para ele nem para o banco que dirigia? E não foram esse tipo de comportamentos ruinosos que levaram o BPN à situação a que chegou?"
 
Há uns meses quando entrevistava Hélder Costa sobre O Mistério da Camioneta Fantasma, ele revelou-me que ao investigar as verdades escondidas ía sempre procurar aquilo que os inimigos diziam, porque eles falavam a verdade. Talvez também se possa dizer que para ficar com as maiores suspeições sobre este negócio há que ler não quem contesta Cavaco, mas quem o defende.
 
Joaquim Paulo Nogueira às 01:36 | link do post | comentar
Domingo, 16.01.11

Imaginar a Alegria.

Demorei muito tempo a dizer a mim mesmo que ía votar em Manuel Alegre. O que parece um contra-senso para alguém que nas últimas eleições votou alegremente Alegre . E votei por ele, pelo que ele é, pelo que representa, mas votei também contra aquilo que penso ser uma reiterada incapacidade do PS de José Sócrates perceber a importância do exercício da função presidencial no actual sistema político português, não criando as condições para um verdadeiro debate no partido sobre esta questão. E até desvalorizando a forma como, contando com esta, desde há duas eleições que esta questão divide seriamente o Partido Socialista. Essa uma razão principal que retardou tanto tempo a minha decisão. Eu não conseguiria votar nas eleições presidenciais sem alegria. 

 

Foram precisas as últimas semanas de campanha de Cavaco e Silva para eu perceber que o que era importante nestas eleições não eram os meus humores com a atitude da liderança do PS face às presidenciais,  sim a ideia de que contra um Portugal escavacado pela tutela da arrogância, da auto-satisfação, dos acordos e convénios invisíveis com personagens sinistras, há que opôr uma ideia de um país que não abdica da sua alegria, da sua festa, da sua cultura e que nela se faz forte, como cem, como mil, como um milhão. Porque a cultura não multiplicando os pães, centuplica os espíritos, a sua coesão, a sua identidade.

 

Foi preciso eu deixar de olhar para trás e por momentos concentrar o meu olhar no futuro. Imaginei o país com Cavaco mais cinco anos. Imaginei o invisível, aquilo que só sabemos depois: as acções do BPN, "as escutas em Belém",  a forma como ele toma as suas decisões, do pessoal ao político, " disseram-me para eu escrever uma carta, não sei nada sobre isso, sou um mísero professor", "o Governo e o BP garantiram-me que era a única solução possível". Acrescentei-lhe o lado vísivel da arrogância de Cavaco, a sua relação com a Cultura, antevi um Conselho de Estado dominado por opiniões mesmificadas,  manobras corporativas, interesses inconfessáveis. Antecipei anos que vêm aí de intensa crise económica, com um discurso político totalmente colonizado por uma ideia de catástrofe/salvação tão propícia à especulação dos mercados financeiros e onde se distinguia a voz de Cavaco a dizermo-nos o que poderíamos ganhar se fossêmos formiginhas amestradas no carreiro.  Previ até um país governado por Passos Coelho, acolitado por Portas. O futuro com Cavaco e Silva é tão prevísivel que nos exclui.  E assustei-me. Muito.

 

E depois predispús-me a fazer o mesmo exercício em relação a Manuel Alegre. Mas antes de me dedicar a isso tive de fazer uma operação de descondicionamento mental: compreender que a necessidade e a importância de, num cenário de crise financeira agravada, ter alguém em Belém que percebe ( mas afinal tão pouco!) de Economia é uma falácia. E  que só tem como objectivo submetermo-nos à ideia de que, com as nossas experiências de vida, nos está vedada a compreensão das condicionantes e consequências desta crise.

 

E aí imaginei um País com Manuel Alegre como Presidente. Comecei por imaginar um Conselho de Estado onde houvesse intelectuais, artistas, criadores. Onde, por contágio, a valorização da Arte e da Cultura pudesse ser de tal forma que se considerasse que a presença do Estado nestas áreas, tal como na ciência, na educação, na saúde, é um investimento, uma parceria pública e privada como tanto se diz. Imaginei um presidente que se empenha, a nível europeu, numa iniciativa urgente de defesa da construção europeia, das economias mais frágeis. Não é preciso perceber de economia para perceber o quanto a Europa está presa por um fio de linha. Antevi um presidente que é solidário com as condições de vida agravada dos portugueses nos próximos tempos. Fará muito pelos portugueses um Presidente que compreenda que, na dimensão simbólica do magistério presidencial, há um imenso espaço de actuação para que possamos, enquanto comunidade, acreditar que é através da política que podemos resolver-nos. E mais do que isso, percebi que era possível esperar de Manuel Alegre um empenho fortíssimo na criação de um espaço onde à esquerda, naquilo que ela representa enquanto princípios e valores  - representação essa que não está refém daquilo que é a prática política dos Partidos que ocupam o lado esquerdo do hemiciclo parlamentar - consigamos reorganizar o nosso discurso e sermos capazes de falarmos sobre a crise que vivemos e da forma como a podemos superar. Neste país alegre tudo era imprevísivel. Mas cabíamos todos lá dentro.

 

E ao fim dos cinco minutos de sonho a que me concedi percebi uma coisa que me estava a escapar: eu não votarei num candidato apenas por aquilo que ele é. Ninguém é sozinho. Todos somos em relação. Votarei em Manuel Alegre por aquilo que antevejo que poderemos vir a ser, com ele, nos próximos cinco anos. Porque nos próximos cinco anos vamos ter de nos superar.  

 

Joaquim Paulo Nogueira às 15:29 | link do post | comentar

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