Quarta-feira, 19.01.11

Os amigos ainda brincam às casinhas.

Nuno Félix às 15:47 | link do post | comentar

A liberdade de imprensa no longo Inverno Cavaquista

 No fim de Março de 1993, a maioria social-democrata aprovava um novo Regulamento de Segurança e Circulação na Assembleia da República, que criava zonas proibidas aos jornalistas, nomeadamente os corredores de acesso aos partidos e, em particular, ao PSD. Em resposta, a comunicação social acreditada na Assembleia decretou um boicote à cobertura da actividade parlamentar e de S. Bento nada transpirou. Mesmo assim, o Presidente Barbosa de Melo não cedeu. O Presidente da República pediu-lhe bom senso e os partidos da oposição escolheram o lado dos jornalistas. O impasse manteve-se e, no rescaldo dos acontecimentos, o Presidente da Assembleia acabou por cancelar as habituais comemorações do 25 de Abril.

 

Para os (in)felizes dos pobres de memória.

Nuno Félix às 12:46 | link do post | comentar

Quer Carnaval Professor Cavaco? Guarde-se para a 2ª volta.

 

Cavaco oportuna (está em campanha) e desinteressadamente (tem um gabinete à sua espera na Universidade Católica) incitou alunos e professores a virem para a rua demonstrar a sua indignação. Pois bem, alguns sindicalistas (que foram professores há 10 ou 15 anos atrás) já lhe deram ouvidos, e ontem, tentaram forçar uma carga policial que não aconteceu para desespero dos provocadores. Quanto aos alunos, esses, não são parvos, e não vão em partidas de mau gosto que mais parece que o Carnaval já chegou. Então alguém esquece a brutalidade com que o senhor Primeiro-Ministro Aníbal Cavaco Silva reprimia as manifestações estudantis dos anos 80 e princípios de 90? Ainda que tenha muitos €s para pagar a uns rapazinhos para vestirem t-shirts, acenarem com bandeiras, e encherem o decore dos seus inefáveis comícios, o senhor de Boliqueime não tome os jovens portugueses por palhacinhos. - Ouviu bem senhor Presidente? OS JOVENS PORTUGUESES NÃO SÃO PALHAÇOS! Dava-lhe agora jeito ter jovens a incendiar o país para que o Senhor Professor aparecesse como bombeiro não era? Não vai ter essa sorte, a juventude portuguesa está com quem é justo e solidário, não com quem é dissimulado e manipulador.

 

P.s.: escreve um dos muitos que foram corridos à bastonada nas manifestações contra a Prova Geral de Acesso (entre outras... ;))

Nuno Félix às 11:21 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Ele queria viver numa ilha mas ficou-se pela "Vivenda no Algarve"... (Leia mais amanhã a Visão)

Visão online, hoje: "Cavaco fez permuta com Fantasia. A casa de férias de Cavaco... Silva foi adquirida a uma empresa subsidiária da Opi 92, de Fernando Fantasia. O Presidente da República continua sem dizer onde está a escritura pública da transação. No dia 17 de fevereiro de 1999, quarta-feira de cinzas, dava entrada na Conservatória do Registo Predial de Albufeira a aquisição do lote 18 da Urbanização da Aldeia da Coelha. Uma permuta entre o casal Aníbal e Maria Cavaco Silva e a empresa Constralmada - Sociedade de Construções, Lda, atesta a passagem da propriedade para o atual Presidente da República. No registo não se encontra, como a VISÃO noticiou na edição de 13 deste mês , a escritura pública que contratualiza a permuta. Ou seja, não se pode apurar, e Cavaco Silva não esclarece, o que deu em troca dos dois lotes de terreno (os antigos lotes 18 e 19 do loteamento inicial, correspondentes ao atual lote 18, e o "edifício composto por cave, rés-do-chão e 1º andar, do tipo T-6, com logradouro" de 1891 metros quadrados). A VISÃO enviou várias perguntas para Cavaco Silva (ver caixa no final desta página), que receberam, às 16h00 desta terça-feira, 18, uma resposta de fonte oficial da direção da sua campanha para a re-eleição na Presidência da República: "O Professor Cavaco Silva já disse o que tinha a dizer sobre o assunto." E da Presidência não nos chegou qualquer resposta. Na sequência do trabalho publicado pela VISÃO na semana passada , quando confrontado por outros jornalistas, Cavaco Silva disse apenas: "O desespero já é muito grande. Façam as investigações que quiserem, publiquem tudo que talvez depois do dia 23 talvez eu possa ler." O que se sabe é que a permuta foi feita com uma empresa de construção, a Constralmada. E que essa empresa era uma sociedade por quotas fundada por Fernando Fantasia e detida em 33,3% pela sua empresa Opi 92, SA. Era, porque foi dissolvida em Janeiro de 2004. Fernando Fantasia é um dos moradores no restrito aldeamento da Coelha. Viria a ser, também, um dos rostos de algumas das mais complexas operações durante a gestão de Oliveira e Costa no BPN/SLN. Mas isto aconteceu alguns anos após o negócio com Cavaco Silva. Muito embora não se consiga situar, precisamente, quando é que a Opi deixou de ser exclusivamente detida por Fernando Fantasia para passar a ser mais uma das "participadas" do grupo do BPN. O mistério Opi Nuno Melo, deputado do CDS, durante os trabalhos da Comissão de Inquérito do Parlamento ao caso BPN, chegou a declarar que "a OPI e as sociedades que gravitam à volta desta, como a Pluripar e outras, são um problema grande que temos para compreender. E são um problema grande porque refletem o que no BPN funcionava à margem da transparência das contas, à margem da consolidação, à margem das informações ao Banco de Portugal." (ata da reunião de 24/3/2009) Fernando Cordeiro, acionista da SLN, declarou aos deputados, por seu turno, que "Oliveira Costa falou-nos que 100% da OPI eram da SLN Valor".

 
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Nuno Félix às 10:28 | link do post | comentar
Terça-feira, 18.01.11

Tudo em família - A verdadeira história

 

Nascido a 15 de Julho de 1939, em Poço de Boliqueime, Loulé (Algarve), Aníbal Cavaco Silva é licenciado em Finanças pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, Lisboa, e doutorado em Economia (Estudos Africanos) pela Universidade de York, Reino Unido. Curiosamente, um tempo depois do início dos seus sucessivos governos, a referida terra muda de misteriosamente de nome para Fonte de Boliqueime. Provavelmente "alguém" pensou que não seria de bom tom que uma pessoa desta craveira viesse de um poço. Uma fonte é mais poético e adequado*.

*"-Nós somos um rio, que não vai parar, trálálá lálá..."
(e na cartinha da mocidade os rios nasciam das fontes...)


Foi investigador da Fundação Calouste Gulbenkian e dirigiu o Gabinete de Estudos do Banco de Portugal, instituição que tão bem tratou o seu antigo braço direito e Ministro da Administração Interna, e à qual regressou, posteriormente, como consultor. Cargo que lhe vale o usufruto de uma pensão (na ordem dos €10.000 mensais, coisa pouca…) que acumula com o ordenado de Presidente da República Cumpriu o serviço militar como oficial miliciano do Exército, entre 1962 e 1965, em Lourenço Marques (quanta saudade…), Moçambique. Foi durante a sua participação na Guerra Colonial que descobriu a sua grande paixão, os vídeos amadores com a sua mulher Maria (cuja tese de licenciatura versou sobre o Saudosismo Português de Teixeira de Pascoaes).

Quando voltou, foi docente do ISCEF, Professor Catedrático da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa

(onde teve um processo disciplinar por absentismo) e Professor Catedrático na Universidade Católica Portuguesa (onde aprendeu a gratidão ao ensino privado).

Exerceu o cargo de ministro das Finanças e do Plano em 1980-81, no governo de Francisco Sá Carneiro, do qual se demitiu meses antes da intervenção do FMI na economia portuguesa, tornada inadiável após o seu consulado.

Foi presidente do Conselho Nacional do Plano entre 1981 e 1984, data em que se cruzou pela primeira vez com o… Citroen BX. Mas só um ano depois faz a famosa rodagem ao veículo curiosamente até à Figueira da Foz onde decorria uma convenção partidária, veio de lá Presidente ao Partido Social Democrata (PSD) cargo que ocupou entre Maio de 1985 e Fevereiro de 1995 “apesar de não ser político”.

Único líder partidário a conquistar duas maiorias absolutas consecutivas, o que o tornou no Primeiro-Ministro português que mais tempo permaneceu em funções em democracia (1985- 1995), o que é um feito extraordinário “sem fazer política”.

Cavaco Silva deixou, nos seus mandatos como governante, a marca do esbanjamento de torrentes fundos comunitários à troca dos quais vendeu o tecido produtivo nacional. A firmeza na aplicação de um vasto conjunto de regras formais, que promoveram a democratização e a liberalização da sociedade e da economia portuguesas, como são exemplos: a recusa em perder tempo com a leitura de jornais, a sublimação da evasão fiscal, a promoção de tabus políticos são algumas das faces visíveis da imagem que ostensiva e orgulhosamente cultivou, e que também teve a sua face mais lunar na repressão de movimentos estudantis e sindicais.

Nuno Félix às 18:16 | link do post | comentar | ver comentários (1)

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