Sexta-feira, 21.01.11

Quando a Esquerda acerta o passo

 

 

"Ninguém, no seu perfeito juízo, acredita que Alegre representará um partido em Belém. Mas todos sabem que que representará um olhar sobre o papel do Estado na sociedade. Com o extremismo ideológico e económico que tomou conta da direita portuguesa a caminho do poder, é tudo o que pode restar para moderar o que aí vem." - Daniel Oliveira

 

 

Todos os dias nos perguntamos: o que é ser de esquerda? Seja qual for a resposta,  acabamos por reconhecer que ela começa por ser um ponto de partida, não de chegada. Há qualquer coisa que une os povos de esquerda, por mais ressentimentos que a luta pelo poder político tenha criado ao longo destes trinta e seis anos de democracia: o não aceitarmos, como construção social comum, como ideia de sociedade, uma comunidade onde seja natural a situação da exploração das pessoas por outras pessoas.

 

A partir daí desenrolam-se todos os programas que nos fazem criar um espaço de divergência fenomenal, tribos plurais. Divergimos no modo, na medida e na porporcionalidade com que estabelecemos essa rota para uma viagem rumo a uma sociedade que não compactue com uma vivência social onde uns possam explorar o seu semelhante.  Mas aquele ponto de partida, todo um programa, reacende-se quando nos deparamos com uma situação que nos obrigue a reconhecer o acessório do fundamental.

 

Por isso é tão decisivo que à esquerda se criem as condições para uma 2ª Volta das Eleições Presidenciais. O que aí vem, como diz o Daniel, é mesmo muito mau. E não precisamos de ter visto o Inside Jobs para o compovar. É uma ocasião chave para tornar uma crise numa oportunidade. Saber optar por um Estado Social que em vez de esgotar os seus maiores recursos em interesses privados e particulares daqueles que ideologicamente o combatem, e que se dedicam a aumentar as hordas de excluídos, se entrega, de alma e coração, na tarefa conseguir que a riqueza produzida sirva para reforço da coesão e da solidariedade social.

 

O primeiro passo para isso já dia 23 de Janeiro.

Joaquim Paulo Nogueira às 18:01 | link do post | comentar
Quinta-feira, 20.01.11

Ouvir. Escutar. Ouvir. Escutar. E ouvir mais uma vez.

 

Alguém destacou no outro dia a  forma como Manuel Alegre se entrega ao contacto com as pessoas, ouvindo-as, fazendo que as pessoas se sintam ouvidas. Fico-me a pensar na quanto vamos precisar de, nos próximos anos, ter em Belém alguém que nos faça sentir ouvidos.  Que nos faça sentir gente. Contra a frieza estatística da nossa vida sempre do lado errado da maré especulativa dos mercados.

 

Se calhar este é um dos aspectos mais importantes de um contrato presidencial.

 

Joaquim Paulo Nogueira às 22:19 | link do post | comentar
Terça-feira, 04.01.11

Alegro

Eles bem nos dizem:

Estejam caladinhos, falem baixinho, não questionem, não se manifestem, sejam bons alunos. Paguem!

 

Eles bem nos avisam:

Façam tabus como nós, não digam mal dos credores, não contestem. Paguem!

 

Eles não dizem, mas pensam:

Calem-se e... paguem (ponto final)

 

Eles fazem-nos crer que não é preciso eleições porque elas estão ganhas antes de abrirem as urnas. E martelam, martelam, como o miúdo, para que nós deixemos de pensar que só existe o destino que nós quisermos.

 

E nós, meio adormecidos de tanto ser martelados, de tanto pagarmos, quase acreditámos até que a vozinha do ano novo fez ouvir, aos que já estão na barra da direita e aos outros que se lhe irão juntar, que não, que não estamos mortos e que acreditamos que 2011 vai ser muito mais alegre do que aquilo que eles, os dos silêncios e das trevas, nos querem convencer.

 

Por isso aqui estamos.

 

Pianíssimo, para não passarmos desapercebidos, como acontece nas salas de concerto que calam as tosses para que os instrumentos toquem de mansinho os sentimentos.

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Luis Novaes Tito às 22:34 | link do post | comentar

a Dom Sebastião

De Formião, filósofo elegante, vereis como Aníbal escarnecia, quando das artes bélicas, diante dele, com larga voz tratava e lia.

 

A disciplina militar prestante não se aprende, senhor, na fantasia, sonhando, imaginando ou estudando, senão vendo, tratando e pelejando.

 

Os Lusíadas

Canto X – Estância 153

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Alegro às 22:31 | link do post | comentar

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Imagem: Rui Perdigão